O grupo de maracatu Baque D´Orum, de Araçatuba (SP), emitiu um comunicado nesta terça-feira (10), informando que encerra oficialmente suas atividades no bairro Nossa Senhora Aparecida.
“Após mais de um ano de trabalho no local, saímos expulsos sem motivação justificada, simplesmente expulsos pelo novo presidente do local, mas saímos felizes por termos oferecido cultura popular de forma gratuita para todas as idades, gêneros e fé”, informou por meio de nota a fundadora e líder do grupo, Aline Benitez.
Aline destaca que os integrantes, cerca de 35, usavam o centro comunitário para ensaios aos domingos, das 16h às 19h, realização de oficinas gratuitas com batuqueiros de Recife (PE), musicalização para as crianças, entre outras atividades.
Nesse período de mais de um ano, o Baque D´Orum desenvolveu ações e envolveu mais de 100 pessoas, entre crianças e adultos, e injetou mais de R$ 130 mil no município que reverberou para a população como contrapartida social. explica Aline.
Após a decisão, a líder esteve em reunião, nesta quarta-feira (11), com a secretária de Cultura, Tieza Marques, e conseguiu transferir a oficina de corte e costura focada no carnaval, que o grupo estava ministrando, para a Estação Cidadania, assim como os ensaios, até obter uma sede própria.
Intolerância
“Nosso sonho só cresce, aprendendo a caminhar após engatinhar, estamos em nossos primeiros passos. Uns tombos, umas rasteiras da intolerância, uns tropeços no racismo, mas sempre com várias outras mãos ajudando a gente a firmar nosso passo. Estamos fortes, indignados, óbvio, pois nem tivemos a oportunidade de apresentar nosso projeto, ouvindo do presidente do local que ele prometeu em campanha que iria ‘acabar com o barulho e com a macumba’. Triste, muito triste a ignorância sobre o patrimônio imaterial do Brasil, o maracatu”, disse trecho de comunicado.
No último final de semana, o grupo foi destaque em matéria publicada pelo Hojemais Araçatuba , ocaisão em que Aline comentou que o Baque D´Orum tem lutado, desde o seu início, em 2018, contra a invisibilidade social e o preconceito.
Aline afirmou que as pessoas viam os integrantes ensaiando em locais públicos e chamavam a polícia, alegando perturbação do sossego. Por conta disso, e por várias vezes, os policiais pediram para os integrantes pararem com os ensaios, diz Aline.
O grupo de maracatu participou do projeto cultural Limoeiro 2k21, ocasião que contou um pouco da sua história e dificuldades em terras araçatubenses.
