Economia

Funcionários do Grupo DOK em Birigui aguardam pagamento de vale e entrega de cesta básica

Situação é semelhante à da unidade fabril de Frei Paulo, em Sergipe; representante do Sindicato dos Sapateiros de Birigui falou nesta quarta-feira com os trabalhadores

Lázaro Jr. - Hojemais Araçatuba
25/01/23 às 21h19

A presidente do Sindicato dos Sapateiros de Birigui (SP), Milene Rodrigues, se encontrou nesta nesta quarta-feira (25) com os trabalhadores na unidade industrial do Grupo DOK na cidade. Conforme já divulgado pelo Hojemais Araçatuba , o grupo relatou à Justiça ter uma dívida de aproximadamente R$ 400 milhões e informou que prepara um pedido de recuperação judicial para ser apresentado nos próximos dias.

Assim como acontece na unidade do município de Frei Paulo (SE) , onde há cerca de 1,8 mil trabalhadores, a situação financeira do grupo já começa a afetar os funcionários de Birigui. Segundo o sindicato, eles ainda não receberam o vale, que deveria ter sido pago na última sexta-feira (20).

A cesta básica também deveria ter sido entregue nesta quarta-feira, o que não havia acontecido, e não teria sido feito o depósito do FGTS (Fundo de Garantia por Tempo de Serviço) referente a dezembro, que deveria ter sido enviado ao banco no início deste mês. O sindicato está solicitando um extrato para confirmar essa informação.

Acompanhando

Segundo Milene, cerca de 60 trabalhadores participaram da reunião de hoje, que teve como objetivo informá-los sobre as providências que podem ser tomadas em favor deles. O sindicato foi autorizado a entrar na empresa para falar com os funcionários e tenta obter com a empresa, informações sobre a atual situação, para poder adotar as medidas de proteção aos trabalhadores. 

“Antes que a situação fique mais grave, procuramos a direção da empresa para saber da situação, pois o vale é importante para os trabalhadores, pois muitos já fizeram compromisso com esse direito, e a cesta básica é de natureza alimentar”, explica Milene.

Providências

Segundo a sindicalista, ela já procurou a direção da empresa e tenta contato com o escritório de consultoria que foi contratado pelo grupo para fazer o diagnóstico da atual conjuntura da empresa.

Ainda de acordo com ela, uma reunião deve ser realizada ainda esta semana para se informar da situação. “O que queremos é saber se há uma forma de ajudar, para garantir os pagamentos dos salários dos trabalhadores”, comenta.

Segundo Milene, independentemente de ser apresentado um plano de recuperação pela empresa, os funcionários não podem ser penalizados, pois estão fazendo o papel deles, por isso o sindicato quer ter conhecimento da real situação.

Caso

O Hojemais Araçatuba publicou no dia 16 deste mês, matéria informando que a Justiça de Birigui havia concedido liminar determinando a suspensão de ações de execução contra o Grupo DOK , que é dono das marcas Ortopé e Dijean.

A suspensão era válida por 60 dias, atendendo a pedido da DASA Advogados, que informou à Justiça que estava preparando possível plano de recuperação judicial, devido a uma dívida de cerca de R$ 400 milhões, distribuídos em aproximadamente 90 instituições financeiras, entre bancos e fundos de investimento em direitos creditórios.

Após a divulgação do possível pedido de recuperação, o Hojemais Araçatuba foi procurado por escritórios de advocacia que representam fundos de investimento. Eles informaram que a liminar havia sido suspensa e que havia indícios de que a crise financeira seria consequência de um suposto crime .

Segundo o que foi informado, o grupo teria emitido notas frias e utilizado até carimbos falsos em nome de gigantes varejistas, como Riachuelo, Lojas Renner e C&A, para antecipar crédito de forma fraudulenta.

Investigação

Nesta quarta-feira, a Promotoria de Justiça de Birigui acatou pedido do escritório FZ Advogados e requereu à Polícia Civil que instaure inquérito para apuração de possíveis crimes. A Secretaria Estadual da Fazenda também será comunicada para que tome as devidas providências com relação aos possíveis créditos tributários gerados a partir da emissão de notas supostamente frias.

Na quinta-feira passada (17), outro escritório, o Dias da Silva Advogados, protocolou um pedido de falência do Grupo DOK . O pedido foi protocolado na Justiça de Birigui, onde está registrada a sede do grupo, e feito em nome do Evolut Fundo de Investimentos em Direitos Creditórios, que também forneceu crédito mediante apresentação de recebíveis, que posteriormente apresentaram indícios de fraude.

Esse pedido ainda está em análise.

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