O Andradina Esporte Clube suspendeu suas atividades. A informação foi comunicada pela direção do clube em sua página oficial no Facebook, no último sábado (26). Segundo a publicação, a medida foi tomada porque a Prefeitura não teria cumprido a parte dela em acordo para que o time representasse a cidade.
O clube é presidido pelo empresário Nei Giron, que também dirigia o Atlético Esportivo Araçatuba, conhecido por Tigrão da Noroeste.
Representando Andradina (SP), o clube surpreendeu ao chegar à semifinal do Campeonato Paulista Sub-20 no ano passado. A equipe participou no início deste ano da Copa São Paulo de Futebol Júnior, conquistada pelo São Paulo Futebol Clube na última sexta-feira (28).
Acordo
A direção do Andradina informa que ao ser definido que o clube representaria a cidade, ficou acordado que a Prefeitura indicaria “voluntários” para dar o apoio logístico ao time e auxiliar no fechamento dos patrocinadores.
Entretanto, de acordo com a nota, "o que se viu foi a equipe de voluntários tentando tomar posse do time, agindo de forma não transparente com a diretoria".
Entre os motivos que levaram ao licenciamento, a direção aponta a falta de transparência nos contratos de patrocínios fechados diretamente entre time e empresa, sem informar valores à direção do clube; atraso de pagamentos a fornecedores e prestadores de serviços; falta de suporte básico aos atletas (produtos de higiene e alimentação); pressão para a municipalização da diretoria e utilização do time para crescimento político; e falta de lei de cessão do estádio municipal para o time explorar a publicidade, sem depender de parcerias da Prefeitura.
Procura
Na nota, a direção do clube afirma que em nenhum momento se ofereceu para atuar em Andradina e que na verdade foi procurada por representantes da cidade, que descumpriram o acordo proposto.
"A presidência do Andradina EC entende que a diretoria deve ser composta por pessoas da cidade, que gostem de futebol, que apoiem o time, mas que estejam dispostas a trabalhar de forma voluntária e que não tenham ligação direta com a Prefeitura", cita a nota.
Suspensão
Ouvido pela reportagem do Hojemais Araçatuba , Nei Giron afirmou que o Andradina não acabou, apesar da divergência de opiniões. "Eu não vendi time nenhum. Eu levei o time porque eu quis. E eles tomaram conta, montaram uma comissão, instalaram 24 placas de propaganda no estádio, ficaram com a renda do bar e com as publicidades da camisa", conta.
Segundo ele, no início do projeto o município estava fazendo os repasses, mas depois o dinheiro sumiu. "Eles não pagaram os atletas e não pagaram o aluguel da casa. Eles querem utilizar o time como trampolim político", conta.
Ainda de acordo com Giron, o time só vai acabar se não for aprovada a lei municipal autorizando a cessão do estádio para exploração pelo clube.
Plano B
O diretor do Andradina afirma que os jogadores não serão prejudicados caso não haja um acordo com a Prefeitura. Segundo ele, já existe um clube da região, o qual ele não quis adiantar o nome, interessado em receber o time.
Em nota, a Prefeitura informa que a única situação que envolve o município no acordo com o Andradina Esporte Clube é em relação a permissão de uso do estádio.
"A permissão foi dada em dia de jogos, além de ter preparado o Príncipe da Noroeste (estádio municipal Evandro Brembatti Calvoso) para jogos oficias, com todos os laudos do Bombeiro, da Polícia Militar, da Vigilância Sanitária, entre outros", informa a nota.
O município não se manifestou com relação à elaboração de lei municipal autorizando a cessão do estádio para exploração pelo clube.