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HC atinge milésima alta de pacientes graves recuperados de covid-19

Maior complexo hospitalar da América Latina chega a 275 leitos de UTI para coronavírus; São Paulo anuncia contratação de leitos privados

Governo de SP* - Da redação
20/05/20 às 14h00
Milésima paciente curada de covid, Andressa Borges, de 42 anos, tem alta no HC (Foto: Divulgação)

O HC (Hospital das Clínicas) da Faculdade de Medicina da USP (Universidade de São Paulo), maior complexo hospitalar da América Latina, comemorou nesta terça-feira (19) a milésima alta de pacientes graves recuperados da covid-19, doença causada pelo novo coronavírus. O anúncio foi feito hoje pelo governador de São Paulo, João Doria (PSDB).

O hospital iniciou o processo para o enfrentamento da pandemia com 84 leitos de UTI ativos no Instituto Central, ainda em março. Desde então, a capacidade mais que triplicou, para atingir os atuais 275 leitos, contando com recursos da Secretaria de Estado da Saúde e com o apoio da iniciativa privada. Até o fim do mês, serão disponibilizados 300 leitos de UTI no total.

"Temos que agradecer ao corpo clínico do Hospital das Clínicas e todos aqueles que ali atuam, pois mil pessoas foram curadas e já retornaram às suas casas. Na maior mobilização de sua história, o HC abriu um prédio exclusivo, que inauguramos recentemente, com 900 leitos para tratamento de pacientes com coronavírus e transferimos os pacientes com outras doenças para outros sete institutos do complexo do HC", disse Doria.

Cardio

Em uma de suas formas de evolução mais sérias, a infecção por covid-19 causa complicações cardiológicas graves, que exigem atendimento altamente especializado. No momento, há 10 leitos específicos para o atendimento cardiológico, instalado pelo Incor (Instituto do Coração) dentro do Instituto Central - quantidade que será dobrada nas duas próximas semanas.

Os dados mostram a importância e a eficiência da mobilização que transformou o Instituto Central do HC em uma unidade toda reservada ao combate ao coronavírus.

Já foram internados mais de 1.890 pacientes graves desde 30 de março, quando o Instituto Central passou a receber apenas casos de covid-19. De acordo com o último balanço, estão internados no instituto 543 pacientes, sendo 267 em UTIs.

"A maior satisfação que nós podemos ter é ver um paciente voltar para sua família, para a sociedade, depois de superar um momento tão difícil. É para isso que trabalhamos todos os dias. E tenho certeza que falo em nome dos 20 mil colaboradores do HC, mais de 7 mil atuando apenas no Instituto Central. E é também em nome deles que mando um abraço solidário para todos que perderam um ente querido nessa pandemia", afirmou a diretora clínica do HC, Eloisa Bonfá.

Já foram contabilizados 330 óbitos. Considerando o perfil de alta complexidade do hospital, sempre com pacientes graves, a taxa de letalidade é relativamente baixa em comparação com o visto em outros grandes centros internacionais, mas revela a extrema gravidade da pandemia.

No Instituto Central, cerca de 80% dos pacientes na UTI precisam ser entubados.

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Novos leitos

Durante a coletiva desta quarta-feira (20), foi anunciada a contratação de 4.500 leitos totais da rede privada de saúde, sendo 1.500 leitos de UTI (Unidade de Terapia Intensiva) para atendimento exclusivo de pacientes com casos suspeitos ou confirmados no estado de São Paulo.

Com a medida, São Paulo praticamente dobra o numero de leitos disponíveis para o atendimento aos pacientes com coronavírus. A previsão é de que estejam implantados e em operação até 11 de junho.

O Estado de São Paulo tinha 3.500 leitos de UTI no SUS. Depois do surgimento da pandemia do coronavírus, são 1.624 novos leitos habilitados.

Esses 1.500 novos leitos de UTI incorporados contarão com investimento de R$ 432 milhões para os leitos e outros R$ 162 milhões para os clínicos, totalizando R$ 594 milhões.

Os detalhes do chamamento público para a contratação dos leitos na rede particular foi publicado no Diário Oficial do Estado nesta quarta-feira (20) e atenderá todas as regiões do Estado.

A Secretaria irá pagar uma diária de R$ 1.600 por dia nos leitos de UTI, com previsão de um total de 270 mil diárias. Já para as vagas clínicas, a remuneração será de R$ 1.500 por cinco dias ou mais, com previsão de 108 mil diárias.

"Estamos diante de um preocupante cenário de escalada da pandemia, com risco de estrangulamento do sistema. Por isso, o Centro de Contingência recomendou, a partir de estudos técnicos, a contratação de leitos em parceria com a iniciativa privada, o que nos dará condições de acolhermos os doentes de coronavírus, seja os que precisam de UTI ou leito hospitalar clínico", afirma o secretário de Estado da Saúde, José Henrique Germann, que integra o Centro de Contingência do Coronavírus.

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