A Argentina e o Corinthians têm algumas coisas em comum. Quando entram em campo, arrebanham a maior torcida do mundo: os prós e os contras. Também gostam de submeter seus apaixonados torcedores a sofrimentos com altos graus de risco para crise nervosa ou ataque cardíaco. E não adianta os corintianos antiargentinos e os argentinos anticorintianos negarem.
A turma do Messi começou perdendo. A Inglaterra fez 1 a 0 no início do segundo tempo e queria mais. Tudo indicava vitória dos europeus, mas quando vi Mick Jagger no camarote do estádio torcendo pela Inglaterra, não tive dúvida: a Argentina ia virar o jogo pela segunda vez nesta Copa nos instantes finais. Não deu outra. Vai ser pé-frio assim na baixa da égua.
Argentina x Inglaterra é sempre uma guerra, seja em campo ou não, apesar dos esforços do técnico sul-americano, Lionel Scaloni, para ocultar as evidências. E a partida deste 15 de julho não foi diferente, inclusive com uma provocação pós-jogo, contrariando a Fifa e ao repulsivo Javier Milei: “Las Malvinas son argentinas”. Baixou nos meninos de Scaloni o espírito de “La mano de Díos”.
Por ser um rapaz latino-americano sem dinheiro no banco, vou torcer para a Argentina ser tetracampeã e rezar para que Mick Jagger não faça o mesmo. Não importa a arquirrivalidade com o Brasil. Se são arrogantes, é porque podem (muita gente é, mesmo sem fazer por onde). “Ah, eles são racistas!”. E os brasileiros não são?
As pessoas tem o direito à livre escolha, inclusive o de se abster. Agora, torcer contra pelo prazer de ser contra, só por birra, por mágoa, é como botar olho gordo para o vizinho não comprar aquele carro novo que tanto desejamos, mas não conseguimos por falta de competência.
