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Morre o ex-governador de São Paulo Laudo Natel

Ele tinha 99 anos e era ex-presidente do São Paulo Futebol Clube

Da redação
18/05/20 às 22h41

Morreu na manhã desta segunda-feira (18) o ex-governador de São Paulo e ex-presidente do São Paulo, Laudo Natel. O político e patrono do time paulista tinha 99 anos e completaria 100 no mês de setembro. A causa da morte não foi informada pela família. 

Natel foi vice-governador de São Paulo em 1962 e assumiu o governo do estado em duas ocasiões, durante a ditadura militar, nos anos de 1966 e 1967, quando substituiu Ademar de Barros. Nos ano de 1971 até 1975, foi eleito de maneira indireta pelo colégio eleitoral. 

Como dirigente do São Paulo, foi responsável pela construção do estádio do Morumbi. 

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Em seu site oficial, o time publicou uma nota de pesar: 

O São Paulo Futebol Clube informa e lamenta, com imenso pesar, a morte de Laudo Natel, grande Patrono do clube e ex-presidente, aos 99 anos de idade. Natel nos deixou na manhã desta segunda-feira (18), em São Paulo, capital. Em respeito, o presidente Carlos Augusto de Barros e Silva decretou luto pelos próximos três dias.

Nascido em São Manuel, no interior de São Paulo, no dia 14 de setembro de 1920, Laudo cresceu em família humilde. Menino de fazenda, ele percorria mais de 8 km por dia para completar o estudo primário.

Tornou-se bancário, peregrinando entre agências de várias cidades do estado como Pirajuí, Lins e Marília. Evoluindo e conquistando, dia após dia, destaque em sua profissão, em 1946 mudou-se para a capital paulista, mudando radicalmente não somente a própria vida, como também a do clube pelo qual se apaixonou: o São Paulo Futebol Clube.

Sócio do Tricolor desde que na cidade chegou, Laudo Natel foi apresentado à diretoria do São Paulo, especialmente ao presidente Cícero Pompeu de Toledo, por Luís Campos Aranha, justamente como a peça central de um projeto que revolucionaria o clube. Essa tríade reunida foi fundamental para a construção dos alicerces nos quais hoje se sustenta o Tricolor do Morumbi.

Laudo Natel então se tornou diretor de finanças (à época, tesoureiro), em 1951. Entre as primeiras providências que tomou estão: a divulgação anual e pública do balanço financeiro do clube – o São Paulo foi o primeiro clube no Brasil a tomar tal atitude transparente, mesmo ainda sem nenhuma obrigação legal –, como também a mais controversa de todas: vender o Canindé para abatimento de dívidas e capitalização.

A partir disso, Laudo, Cícero e toda a coletividade são-paulina se lançou no maior empreendimento de um clube brasileiro em toda a história: a construção do maior estádio particular do mundo, desde então. A duras penas e graças, principalmente, a “venda de idéias”, o Morumbi foi erguido em longos 18 anos de construção e 12 de jejum em títulos.

“Foi um milagre de fé, que a gente acreditou. Costumo dizer que, se existe um lema, um título, ao qual possamos batizar o Morumbi, certamente é: Fé e Perseverança.”  

Superando a descrença, as dificuldades, a falta de dinheiro e mesmo a boataria, Laudo entregou aos são-paulinos, em 25 de janeiro de 1970, um patrimônio ainda hoje inigualável entre os clubes brasileiros: O Estádio Cícero Pompeu de Toledo. 

35 anos depois, o Tricolor batizou o recém-inaugurado CFA de Cotia, em honra a todos os serviços e anos que prestou ao clube, com o nome de Centro de Formação de Atletas Presidente Laudo Natel, o maior projeto patrimonial do São Paulo, após o Morumbi.

A aquele que proporcionou que o sonho se tornasse realidade, nos presenteando com dedicação e trabalho, o São Paulo Futebol Clube presta eternas homenagens.

Laudo Natel foi governador de São Paulo e presidente do São Paulo Futebol Clube (Foto: Arquivo Histórico do São Paulo)
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