A Universidade Federal de Pelotas, responsável pela pesquisa EPICOVID19-BR, considerado maior estudo populacional sobre o coronavírus no Brasil, pede o auxílio da população e das autoridades para a execução do trabalho.
Araçatuba (SP) é um dos 133 municípios brasileiros participantes da pesquisa e, na semana passada, funcionários contratados para a execução do trabalho na cidade foram levados para a delegacia por suspeita de serem criminosos, apesar de estarem devidamente identificados.
Foi devido a casos como esses e alguns ainda mais graves, que a direção da universidade emitiu um comunicado à imprensa.
Nele, consta que o estudo é coordenado pelo Centro de Pesquisas Epidemiológicas da universidade, que há cerca de 40 anos realiza estudos populacionais em Pelotas, no Rio Grande do Sul, no Brasil e no mundo.
O EPICOVID19-RS é financiado e apoiado pelo Ministério da Saúde e foi estendido para todo país devido ao bom resultado da pesquisa que já testou 13.189 gaúchos, de nove cidades.
O projeto aprovado pela Conep (Comissão Nacional de Ética em Pesquisa) em 28 de abril e o Ibope Inteligência foi contratado por processo de licitação para realização da pesquisa.
Seguro
Segundo a universidade, todos os requisitos éticos e de segurança são seguidos, incluindo o uso de equipamentos de proteção individual.
Além disso, apenas entrevistadores com teste negativo para coronavírus são liberados para fazer o trabalho e são atendido protocolos para o descarte dos materiais, conforme pacto feito com o Ministério da Saúde.
O problema em cidades como Araçatuba, se deu porque a Prefeitura não teria sido comunicada sobre a realização da pesquisa no município. A Vigilância Sanitária do município só teve conhecimento do caso ao ser comunicada da detenção da dupla que aplicava os testes.
De acordo com a universidade, o Ministério da Saúde ficou com a responsabilidade de informar os municípios participantes da pesquisa, o que fez por meio de ofício na semana passada. O estudo está divulgado na página oficial do Ministério ( www.saude.gov.br ).
Problemas
O trabalho de campo teve início na quinta-feira (14), dia em que os dois funcionários foram detidos em Araçatuba, e as equipes de pesquisa vêm passando por diversas situações constrangedoras, segundo a universidade.
A instituição informa que em cerca de 30 cidades, os pesquisadores aguardam autorização dos gestores municipais, o que pode causar prejuízo aos cofres públicos, que financia a pesquisa.
“ Trata-se de cerca de 2.000 brasileiros e brasileiras, que estão trabalhando para sustentar suas famílias, numa pesquisa que pode salvar milhares de vidas. Esses pesquisadores mereciam proteção das forças de segurança e uma salva de aplausos por parte da população” .
A entidade entende que nada justifica o comportamento de alguns gestores municipais, que impedem ou atrapalham a realização da pesquisa.
A atitude da Prefeitura de Manaus é elogiada, pois cidade mais afetada pela pandemia no País foi a primeira concluir a coleta de dados, com os pesquisadores recebendo todo o apoio e suporte necessário.
Prossegue
“Apesar de tudo, nossas equipes estarão em campo até terça-feira (19), para garantir que o maior estudo populacional sobre coronavírus do país continue, e que, no final, nossos pesquisadores sejam aplaudidos e não agredidos”, finaliza a nota.
O Ibope não informou em quais cidades o levantamento é feito, alegando que o sigilo é necessário para impedir a ação de golpistas.
Em Araçatuba estão previstas 250 entrevistas, realizadas por 17 entrevistadores, segundo o Ibope.