O Tribunal do Júri de Araçatuba (SP) se reúne na próxima quarta-feira (26), para o julgamento do mecânico de automóvel Teodoro Henrique dos Santos, 25 anos. Ele é acusado de ter matado com uma facada Eduardo Henrique Vitro Travassos, 22, na manhã de 3 de abril de 2016, no bairro Rosele.
Consta na denúncia que a jovem com 19 anos na época, e moradora no Jardim TV, teve um relacionamento amoroso com Santos e tiveram uma filha. O casal estava separado havia um ano e uma semana antes do assassinato, ela teria iniciado um namoro com Travassos.
A jovem relatou à polícia que naquela manhã recebeu uma ligação do réu, pedindo que buscasse a filha do casal na casa dele. Ela foi ao local acompanhada do novo namorado, que a levou de moto.
Facada
Segundo a denúncia, Travassos ficou aguardando na esquina, enquanto a namorada dele foi buscar a filha. Ao ser atendida, ela teria se desentendido com o ex-companheiro, que a teria agredido com socos e chutes e a jogando ao chão.
O atual namorado da jovem teria intercedido ao ouvir os gritos da vítima, fazendo com que o réu corresse para dentro de casa. Ele retornou em seguida trazendo a filha, mas após colocar a criança no chão, teria sacado uma faca de cozinha que trazia na cintura.
Consta na denúncia que Santos atacou a ex-companheira dele com uma facada na direção da cabeça, obrigando-a a se defender com o braço. Na ação a jovem teria sofrido um corte no antebraço esquerdo, próximo ao cotovelo.
Ainda de acordo com a denúncia, a jovem teria gritado para o namorado dela fugir e os dois correram em direções opostas. Entretanto, Santos teria perseguido Travassos, que levou uma facada no tórax, vindo a morrer por hemorragia interna.
O acusado do crime fugiu de bicicleta, abandonando a faca no local do crime. Ele foi denunciado por homicídio qualificado por motivo fútil e pela tentativa de homicídio contra a ex-namorada dele.
Legítima defesa
Ao se apresentar na delegacia no dia seguinte, o réu confirmou que discutiu com Travassos, que estava acompanhado da ex-companheira dele quando foram buscar a filha. Em depoimento ele alegou que discutiu com Travassos, que lhe agrediu um soco no olho, por isso revidou com o golpe de faca.
Segundo a polícia, o acusado tinha um hematoma no olho, passaria por exame de corpo de delito no IML e autorizado a responder pelo crime em liberdade. A ex-companheira dele não passou por exame de corpo de delito, porque não foi localizada.
Após ser denunciado, o réu foi enviado para julgamento pelo Tribunal do Júri, porém, a Justiça afastou a qualificadora do motivo fútil com relação ao homicídio, considerando ser desconhecido o real motivo do crime.
Mudou versão
Com relação à denúncia pela tentativa de homicídio contra a jovem, a Justiça decidiu pela impronúncia, levando em consideração que ela mudou a versão. Se na fase policial a jovemdisse que havia sido atacada com um golpe de faca na direção da cabeça, em juízo ela negou tal fato, alegando que o ex-companheiro não tentou matá-la.
O réu também declarou em juízo que a ex-companheira dele apenas tentou apartar a briga. “Por outro lado, não há prova material da suposta agressão, uma vez que não se submeteu a exame de corpo de delito e não foi encontrado prontuário médico de eventual atendimento que tivesse sido prestado a ela”, consta na decisão.
O julgamento está previsto para às 9h, no Fórum de Araçatuba.
