A Justiça de Araçatuba (SP) acatou representação da Polícia Civil e decretou mais uma prisão preventiva contra o hacker Patrick César da Silva Brito, agora por ameaças e injúria contra outro delegado de polícia.
Ele já está com outros quatro mandados de prisão preventiva em aberto, incluindo o do processo em que foi condenado em primeira instância a 9 anos e 3 meses de prisão por invasão de dispositivos e extorsão contra o ex-prefeito Dilador Borges (PSD) e a esposa dele.
Patrick também responde a processos por perseguição e ameaça e por stalking contra o delegado Carlos Henrique Cotait, que é o responsável pela investigação que resultou na condenação dele pelos crimes cometidos contra Dilador e a esposa.
Agora, o novo processo é resultado de inquérito instaurado pela Polícia Civil, após Patrick enviar, em 19 de março deste ano, mensagens por e-mail e por WhatsApp para outro delegado, responsável por mais investigação contra ele, e para a esposa desse delegado.
Além disso, no início da madrugada do dia 21 de março, o hacker teria enviado nova mensagem à esposa do delegado, com as graves ameaças, com o fim de favorecer interesse próprio. No mesmo dia, já no período da tarde, o próprio delegado recebeu nova mensagem, que ofendeu a dignidade dele.
Prisão
Ao concordar com o pedido de prisão para Patrick, o Ministério Público considerou que ele, apesar de ter em aberto outros mandados de prisão preventiva e aguardar decisão sobre pedido de extradição em andamento, continua, em tese, descumprindo a medida cautelar de não utilizar a internet e a ameaçar autoridades.
Ao aceitar a denúncia e concordar com o pedido, a Justiça entendeu que a conduta do hacker revela intenção deliberada de intimidar autoridades policiais e judiciais, visando com isso influenciar o exercício da jurisdição, configurando risco concreto à ordem pública e à instrução criminal.
Reincidente
Foi levado em consideração ainda, que recentemente o réu enviou e-mails em tom intimidatório a autoridades do Poder Judiciário, servidores e policiais civis com o mesmo propósito. “Sendo assim, vê-se que a prisão preventiva do investigado se impõe como medida eficaz para garantir a ordem pública, a conveniência da instrução criminal e a aplicação da lei penal” , consta na decisão.
Como Patrick permanece na Sérvia, foi determinado que a Interpol seja comunicada sobre o novo mandado de prisão para as devidas providências. Ele responde nesse processo, a três vezes pelo crime de injúria, agravado por ser cometido contra funcionário público no exercício da função, e duas vezes por coação no curso do processo.
Foram considerados apenas os crimes contra o delegado. Com relação aos crimes de difamação e injúria cometidos contra a esposa do delegado, a Justiça considerou que eles só podem ser apurados através de ação penal privada, por meio de representação por parte da vítima.
Defesa
A reportagem ainda tenta descobrir quem é o advogado responsável pela defesa do hacker nesse processo.
