O Tribunal do Júri de Araçatuba (SP) condenou a 8 anos de 2 meses de prisão, Mário José Mota, 43 anos, por dupla tentativa de homicídio durante julgamento realizado nesta quarta-feira (9). Os crimes aconteceram em junho de 2020, na avenida Pompeu de Toledo, tendo como vítimas a companheira do condenado e uma pessoa que tentou defendê-la, quando ele tentava sufocá-la com as mãos.
Durante o julgamento, o promotor de Justiça Adelmo Pinho defendeu a denúncia, que pedia a condenação por homicídio tentado duplamente qualificado com relação à mulher e pelo homicídio tentado simples com relação à vítima que tentou ajudá-la.
A defesa feita pelo advogado José Roberto Sanches pediu a desclassificação dos crimes para lesão corporal e o afastamento das qualificadoras, em caso de condenação.
Porém, por maioria os jurados decidiram pela condenação por homicídio qualificado tentado, por asfixia, contra a mulher do réu, excluindo o motivo fútil. Já com relação à segunda vítima, ele foi condenado pelo homicídio tentado simples.
Caso
Segundo a denúncia, o casal vivia em situação de rua e costumava andar pelas ruas da cidade conduzindo um carrinho de mão usado na coleta de materiais recicláveis. Naquela noite, quando passava pela Pompeu de Toledo, Mota teria pedido à mulher que desse dinheiro para ele comprar drogas.
Ela teria recusado e passado a ser agredida por ele, que dizia que iria matá-la. Ao gritar por socorro, a vítima chamou a atenção de um açougueiro que saía do supermercado. Ele estava acompanhado de duas mulheres e interveio a favor da mulher que era agredida.
Diante da intervenção, o réu teria pego um facão que estava no carrinho e o atacado, vindo a atingi-lo de raspão no abdômen. O açougueiro teria caído ao tentar correr e quando seria vítima de um segundo golpe, um policial militar interveio.
Ele ordenou que o agressor soltasse o facão, mas como a ordem não foi atendida, fez dois disparos com a arma de fogo, o primeiro para o alto e o segundo feriu Mota na lateral do abdome. Mesmo ferido ele teria tentado pegar o facão que havia caído da mão dele, mas a ferramenta foi chutada para longe pelo policial.
Preso
O réu foi socorrido por equipe de resgate e levado para a Santa Casa, onde permaneceu internado para cirurgia e permaneceu sob escolta policial. Em depoimento ele negou que tivesse enforcado a companheira, alegando que levou a mão à boca dela para que ela parasse de gritar, pois estaria fazendo escândalo.
Disse ainda que foi agredido com golpes de capacete desferidos pelo açougueiro e apenas se defendeu as agressões. Após decisão dos jurados, o juiz Henrique Castilho determinou o cumprimento da pena no regime inicial fechado e não concedeu ao réu o direito a apelar em liberdade.
O Ministério Público já adiantou que não pretende recorrer pelo aumento da pena.
