Opinião

A democracia venceu

"O Brasil, a partir de agora, passa a ser um exemplo de estudo para diferentes países do mundo como laboratório de resistência em relação à democracia"

Antonio Luceni*
26/10/26 às 19h01

O futuro do Brasil. Foi este o tema do meu artigo anterior. Nele, busquei refletir acerca do perigo que estávamos correndo enquanto nação em deixar o nosso país sob o governo de um político investigado por vários crimes, entre os quais, envolvimento com milícias e milicianos no Rio de Janeiro, a prática de “rachadinha” em seus gabinetes, desvio e lavagem de dinheiro público, relacionamento direto com o banqueiro Daniel Vorcaro e os pedidos de milhões de reais sabe-se Deus lá pra quê para este.

Apesar dos muitos boicotes, por diferentes agentes nacionais e internacionais, como mudança abrupta de mais de quatro mil zonas eleitorais em todo Brasil; da diminuição de frotas de ônibus em diversas cidades pelo país, especialmente em áreas periféricas, cuja população depende exclusivamente do transporte público para se locomover; dos cancelamentos de voos de última hora para a região Nordeste; da derrubada de páginas e aplicativos de grupos de WhatsApp de esquerda etc., a vontade do povo prevaleceu nas urnas.

O Brasil, a partir de agora, passa a ser um exemplo de estudo para diferentes países do mundo como laboratório de resistência em relação à democracia, sobretudo, por ser um país latino e, no momento, um dos mais cobiçados por nações poderosas, classicamente, intervencionistas por aqui, como é o caso dos Estados Unidos, por conta de nossas florestas, águas e terras raras.

Conseguimos, com a reeleição do presidente Lula, adiar por mais quatro anos o acinte que se via do lado da outra campanha em entregar voluntariamente nossa soberania e nossas riquezas para os que vivem em sugar as riquezas dos países do mundo todo, deixando somente as cinzas para trás.

Programas como Minha casa, minha vida, ProUni, Bolsa Família, Pé-de-Meia, Farmácia Popular, Luz para todos, Gás do povo, Fome Zero, entre outros; o Sistema Único de Saúde - SUS, a ampliação e sedimentação da Rede Federal de Ensino, com as Universidades Públicas Federais e os Institutos Federais de Educação, Ciência e Tecnologia poderão seguir seu fluxo, sem o medo de serem extinguidos e/ou precarizados da noite para o dia, cenário descrito do lá de lá.

Por vezes, o sentimento de mudança, como procurei demonstrar no artigo anterior, imiscui-se com o sentido de retrocesso, levando-nos para dentro de um abismo a partir do qual a possibilidade de sair dele é mais complexa e, por vezes, impossível.

Sabemos das dificuldades de gestão que o presidente Lula terá nesse próximo mandato, com um congresso conservador e, em alguns casos, extremista, onde o “quanto pior, melhor”, é a tônica por parte daqueles que não estão interessados, de fato, em discutir políticas públicas e justiça social para o povo, com ênfase nas populações mais carentes e nas minorias do Brasil. Não. Antes, preocupados com os próprios umbigos, em se enriquecerem de forma ilícita, de se envolverem com gente da pior qualidade possível, a exemplo do caso Master/Vorcaro.

O que nós, brasileiros e brasileiras, temos que ficar atentos e fortes é em manter a democracia de nosso país, minimamente, sadia, longe dos abutres e da “cadela no cio”, no dizer de Brechet, que é o fascismo. Com o fascismo não há diálogo, não há negociação, porque o fascismo representa o mal, a morte e tudo que há de ruim na face da Terra. Para o fascismo e os fascista a tolerância deve ser zero.

Antes de encerrar este artigo, gostaria de destacar a presença forte, orgânica e bela da nossa juventude nesse processo eleitoral. Estudantes de todo Brasil organizaram atos, passeatas e fizeram todo o enfrentamento nas ruas e nas mídias sociais, demonsntrando o poder que emana do povo quando se quer o bem comum e dando a resposta feita por tanta gente no que se refere ao Brasil depois de Lula.

O Brasil pós Lula será um país com o legado do maior estadista da contemporaneidade no mundo, nas muitas áreas sociais, especialmente no combate à fome, e na força dos jovens e de toda a população brasileira ao dizer NÃO para o fascismo e para os fascistas; NÃO para tudo aquilo que vá contra à democracia, às políticas públicas e aos mais necessitados.

Esse é o Brasil que queremos: aquele em que nossos filhos e netos possam crescer sem medo, andar pelas ruas livre de fuzis e canhões; em que a educação e a saúde sejam gratuitas de qualidade e para todos.

Viva a democracia! Viva o povo brasileiro!

Foto: Divulgação

Antonio Luceni é doutor em Artes pelo Instituto de Artes da UNESP e escritor, membro da Academia Araçatubense de Letras - AAL e da União Brasileira de Escritores - UBE.

** Este texto é de responsabilidade do autor e não reflete, necessariamente, a opinião deste veículo de comunicação

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