Tenho buscado, por meio dos meus escritos, trazer algumas reflexões cotidianas, sejam sob os aspectos literário e poético, mas também a partir de questões pragmáticas (mania de professor). Penso, por meio de algumas questões, passamos a observar as realidades de modo mais claro.
Este texto era para ser publicado, originalmente, em outro periódico onde vinha publicando há alguns anos, mas foi censurado por seu proprietário e, felizmente, o jornal Hoje + abriu espaço para publicá-lo, oportunizando o debate no campo das ideias, ao qual agradeço muito.
Mais uma vez, cá estamos diante do abismo. E, quando estamos diante de um abismo, a gente olha pra ele e ele olha pra gente.
Amanhã, nós teremos mais uma oportunidade de definir o destino de nossas vidas frente a áreas decisivas como educação, cultura, saúde, saneamento básico, habitação, urbanismo, economia e tudo o mais. O voto é o instrumento democrático e legítimo, não distinguindo classe social, gênero, cor da pele, nível escolar etc. e, por isso mesmo, precisa ser pensado com cautela; um passo em falso e... pronto! O abismo.
Para além de paixões, coloração de bandeira e ideologia, o que é melhor para você? Programas que beneficiem a maior parte da população ou uma pequena parcela dela? Saúde, educação e cultura de qualidade e gratuitas para todos ou tudo isso com uma etiqueta precificando-as? Liberdade de expressão ou uma mordaça na boca?
É preciso comparar isso tudo, observar e ler com cautela os programas de governo de cada um dos dois candidatos à presidência da república, abrir olhos e ouvidos e, então, decidir. Do contrário, um passo em falso e... pronto! O abismo.
Todos nós temos experiência suficiente, no Brasil de antes e no Brasil de agora a pouco, o quanto ações desastrosas nos prejudicaram, tiraram de nós o fôlego de vida, nos colocaram na fila do osso. E, penso, não foi nada bom; razão porquê não queremos ver isso de novo em nossas vidas.
É claro que todos os governos precisam melhorar programas, ações, formas de controle do dinheiro público e tudo o mais; ninguém está dizendo o contrário. Assim como tudo em nossas vidas, a crítica e as avalições precisam ser constantes e, nesse movimento, os aprimoramentos vão acontecendo. O que não pode, isso jamais, é retroceder, é caminhar para trás, é sair de 2026 e parar em 1964. Não!
Amanhã, todos nós, teremos mais uma oportunidade de decidir o futuro do Brasil, das políticas públicas para a próxima década, do futuro para nossa velhice e os cuidados necessários com médicos, remédios, alimentação adequada e tudo o mais. Mas também o futuro de nossos filhos, de nossos netos, das crianças que hoje têm acesso à escola gratuita, a refeições diárias, ao lazer, a viver num país sem guerra, sem trabalho escravo, sem medo de ser o que quiserem e puderem ser.
Amanhã todos nós votaremos para que as universidades públicas permaneçam ou não gratuitas e de qualidade, a partir das quais continuarão a sair os melhores profissionais que descobrem a cura para nossas doenças, que constroem carros e aviões, que escrevem e publicam livros, que fazem com que nossa agricultura fique livre de pragas, que produzem alimento em abundância para nossa continuidade no planeta.
Amanhã a gente vai decidir se nossas matas e rios continuarão vivos, se nossos bichos viverão livres, se nossas praias permanecerão públicas, nosso país soberano, sem a mão de ninguém roubando nossas riquezas e nos deixando somente com as cinzas.
Amanhã é dia de dizer que o Brasil é de todos nós e somos nós que iremos decidir como agir com ele; que os nossos problemas estão sob nossa responsabilidade; como família que somos, a gente pode falar mal da gente; outros, não.
Amanhã não é dia de paixão, de agir pela emoção, mas pela razão. Observando quem é quem. Mas do que falar, o exemplo de vida, a história que cada um dos dois candidatos tem para nos oferecer. Só assim dizer: é sob essas mãos que quero deixar o Brasil crescer.
Amanhã é dia de dizer se a gente quer que o Brasil cresça ou caia em profundo abismo, onde os mais prejudicados serão os suscetíveis socialmente, os que dependem do suor do rosto para sobreviver, da luta diária que lhes é imperativa.
Amanhã precisa ter cara de futuro e não de passado. Amanhã precisa ter cara de gente sorrindo e não de gente triste, morrendo de fome, sem ter lugar para morar, dependendo de migalhas seja lá de quem for. Como diz Caetano Veloso em uma de suas canções: “Gente é pra brilhar não pra morrer de fome”.
Eu acredito nas mulheres e homens de boa-vontade. Eu acredito que o ser humano é capaz de se sensibilizar com a dor do outro. Nós temos experiência de sobre o quanto o povo brasileiro é bom e o quanto dessa bondade faz parte de nossa fama mundo afora. E é baseado nessa esperança que eu creio que amanhã nossa gente colocará a mão na consciência e irá eleger um presidente que se importe com as demandas do povo e dos mais necessitados.
