O velório do corpo do menino de 2 anos que teve a morte encefálica confirmada na quinta-feira (22), três dias depois de dar entrada no pronto-socorro municipal com ferimentos graves, incluindo traumatismo craniano, foi suspenso no início da noite desta sexta-feira (23).
O corpo foi levado durante a tarde para a Capela Municipal, que fica na avenida Prestes Maia, porém, atendendo a pedido da família, em comum acordo com a direção do Saica (Serviço de Acolhimento Institucional para Crianças e Adolescentes), foi decidido pela suspensão.
A informação foi divulgada pelo secretário municipal de Assistência Social, Edson Neves Terra Júnior, que em entrevista coletiva explicou que a família optou por algo mais privativo, diante da repercussão do caso.
“Ficou definido que hoje eles vão ter um breve momento de 30 minutos e amanhã vai ter um outro momento privativo para os familiares também, no período da manhã, antes do sepultamento, que ocorre às 9h” , explicou.
Acolhido
Ele reforçou que a decisão foi em conjunto com o Saica, já que na quarta-feira (21) a Justiça havia determinado o acolhimento institucional da criança. “Todos os familiares foram muito solícitos, entenderam toda a repercussão, então eles gostariam de serem resguardados também, diante de tudo o que aconteceu” , explicou.
Ainda de acordo com o secretário, alguns familiares chegaram a relatar ameaças, por isso, a decisão também leva em consideração a segurança de todos. Enquanto a reportagem esteve no local, foi notada apenas a presença de familiares e amigos da família.
Também passaram pela capela uma equipe da DDM (Delegacia de Defesa da Mulher) e uma equipe de conselheiros tutelares. Equipes da Guarda Municipal estiveram presentes.
Irmãos
Conforme já divulgado, na manhã de segunda-feira, o menino deu entrada no pronto-socorro municipal, acompanhado da mãe, que relatou que ele teria caído da cama.
Porém, foram constatadas lesões graves, inclusive traumatismo craniano, e a criança teve que ser encaminhada para a Santa Casa, onde permaneceu internada na UTI (Unidade de Terapia Intensiva), até que na manhã de quinta-feira, 72 horas após a internação, foi declarada a morte encefálica.
Como a equipe médica apontou que as lesões seriam incompatíveis com queda, conforme alegado pela mãe e pelo padrasto, a polícia foi acionada e após ouvir os relatos dos dois e realizar perícia na casa da família, decidiu pela prisão em flagrante de ambos.
Irmãos
O menino tem outros dois irmãos que ainda na segunda-feira, foram recolhidos pelo Conselho Tutelar e também foram acolhidos no Saica, onde permanecem recebendo atendimento e proteção de acordo com as diretrizes legais e socioassistenciais vigentes.
Terra Júnior explicou que no caso deles, o acolhimento feito pelo Conselho Tutelar foi uma medida excepcional, por não conhecer a família. Porém, de acordo com ele, o acolhimento deve ser o mais breve possível.
Ainda segundo o secretário, atualmente o Judiciário já está realizando um estudo social com os familiares e deu 72 horas para que esse estudo seja concluído, contados a partir de quinta-feira. "Então, possivelmente o mais breve possível, essas crianças já vão estar com os familiares” , informou.
Ele revelou ainda, que existe uma rede de apoio bem grande dessa família, com bastante parentes se interessando em ficar com as crianças, restando apenas a conclusão do estudo social para ter a decisão judicial.
