Guilherme da Costa e Valdir Ferreira da Costa, tio e avô materno, respectivamente, do menino de 2 anos que foi internado na manhã da última segunda-feira (19) na Santa Casa de Araçatuba (SP), e que teve a morte encefálica constatada na manhã desta quinta-feira (22), falaram com a imprensa para dar a versão da família sobre o caso.
Eles negaram que a mãe da criança, que tem 27 anos e foi presa em flagrante junto com o padrasto, de 26 anos, tenha abandonado o filho no hospital após passar por atendimento médico. De acordo com eles, ela teria sido levada para casa depois de o pai dela ter sido informado que ela não poderia ficar com o menino.
Também negaram qualquer tipo de maus-tratos com a vítima e com os dois irmãos dela, que foram acolhidos institucionalmente por determinação da Justiça. E por fim, afirmam não haver hipótese de a mãe do menino ser a responsável pelos ferimentos que causaram a morte dele. “O que a gente está querendo dizer aqui é que a minha irmã não é uma criminosa, não é!” , afirmou Guilherme da Costa.
Casal
Os familiares da mãe do menino explicaram que ela passou a se relacionar afetivamente com o padrasto dele há cinco meses, em Santa Bárbara D’Oeste, onde ela residia com a família. Apesar de os familiares dela serem contra o relacionamento, eles apoiaram a decisão dela de mudar-se para Araçatuba com ele e os três filhos dela, para iniciarem uma nova vida, de acordo com ela, que está grávida do quarto filho.
Ainda de acordo com eles, o casal e estava em Araçatuba havia dois meses, morando em uma casa alugada no residencial Águas Claras, a cerca de 50 metros da casa do pai dela, que é avô do menino.
Sobre o ocorrido na segunda-feira com a criança, o avô relatou que pouco depois das 7h ele foi informado pela filha que o neto dele havia caído da cama e foi ele quem a levou junto com o filho dela, para o pronto-socorro municipal.
Manta
Valdir contou que a filha dele levou o menino até à casa dele enrolado em uma manta e que, naquele momento, notou apenas um arranhão no pescoço da criança. Ainda de acordo com ele, o neto era um menino muito ativo e vê-lo com uma marca roxa no braço ou um arranhado, sempre foi muito normal. “Micael era saudável, inteligentíssimo, totalmente ligado no 220, você não conseguia parar ele. Era um menino que caía ali e já levantava” , afirmando que não tinha o hábito de chorar.
Diante disso, naquele momento, a única coisa que ele pensou foi em entrar no carro, dar partida e correr o mais rápido que pudesse para chegar no hospital. “Era só nisso que eu pensava, não pensava em outra coisa” , explicou.
Entretanto, de acordo com o avô do menino, quando estava próximo do bosque municipal, o carro ficou sem combustível e foi preciso chamar um motorista por aplicativo. Ele informou que o transporte chegou em um minuto e a filha dele seguiu com o neto para o pronto-socorro.
Grave
Quando ele chegou na unidade de saúde após reabastecer o veículo, a criança já era atendida e a filha dele estaria passando mal, por isso, ela também foi levada para atendimento médico. Devido à gravidade do quadro clínico, o menino foi transferido para a Santa Casa e depois, a filha dele também teve que ser encaminhada ao hospital, para sequência do atendimento.
O avô da criança informou que permaneceu com a filha dele na Santa Casa até por volta das 13h, quando foi informado que o neto havia sido levado para a UTI (Unidade de Terapia Intensiva) e permaneceria internado. “Quando a gente chegou, ele teria caído da cama, mas quando eu conversei com o médico e ele me apresentou o quadro clínico, aí eu fiquei preocupado e vi que não foi uma coisa simples” , contou.
Não houve abandono
Valdir informou que nesse momento ele telefonou para a família em Santa Bárbara D’Oeste comunicando o que havia acontecido e teria sido informado pelo hospital, que ele ficaria como único acompanhante da criança.
Ainda de acordo com ele, a filha dele já estava sob efeito de medicamentos e como o hospital informou que entraria em contato, ele decidiu levá-la para casa, pois a informação passada era de que a mãe do menino não poderia permanecer para acompanhá-lo, o que seria um protocolo, por ela estar grávida. “Em tudo o que a Gabriele faz, ela me pede suporte. Então, não houve abandono”, afirmou.
O tio do menino reforçou a informação de que a família ficou na expectativa de o hospital entrar em contato após o pai e a irmã dele voltarem para casa. “Não houve nenhum tipo de abandono. Ela não podia ficar como acompanhante do filho” , reforçou, acrescentando que ela queria subir na UTI para ver o filho.
Polícia
Segundo o avô, já no período da tarde o padrasto do menino foi até à casa dele, informando que policiais militares estavam na residência do casal, comunicando que os dois teriam que ir para a delegacia para prestar depoimento.
Diante disso, ele foi à casa da filha, pegou as duas crianças maiores que já haviam retornado da escola e as levou para a casa dele. Porém, cerca de uma hora depois, vizinhos o procuraram novamente, informando que desta vez, era o Conselho Tutelar que estava na residência do casal.
Ao ir à casa da filha, ele foi comunicado que a delegada responsável pelo caso também queria ouvi-lo. Assim, ele foi levado em um carro e as duas crianças transportadas no veículo do Conselho Tutelar. De acordo com ele, somente quando chegou à delegacia ele percebeu que o Conselho Tutelar não havia chegado com os outros dois netos dele, dando conta que não voltaria para casa com eles.
“Ninguém me perguntou nada, ninguém me passou nada e os meus netos ficaram em uma casa, acolhidos, com o avô morando do lado. Não entendi e achei totalmente desnecessário” , disse.
Valdir afirmou que não havia falado com a polícia antes de ser levado para a delegacia e que, para ele, a melhor defesa para as crianças seria tê-las deixado com ele, na casa dele, pois elas próprias não queriam ir com o Conselho Tutelar, de acordo com o avô.
Abrigadas
Segundo o avô do menino, logo após concluir o depoimento, já durante a noite, ele telefonou para o número do plantão do Conselho Tutelar querendo saber das crianças e foi informado que já estavam assistidas.
“Então machuca a gente, muito, porque esses detalhes não são contados, essas histórias não são contadas e inflamam a população de uma forma, como se nós fossemos monstros” , reforçando que está em contato com Conselho Tutelar desde o primeiro dia . “Dá a impressão de que as crianças não tem ninguém” , completa.
