Opinião

Chefe ou líder?

"Aqueles que buscam motivação exclusivamente pelo salário, abandonam seus postos para servir o primeiro concorrente que pagar um pouco mais"

Walter Roque Gonçalves*
17/06/22 às 08h00

O chefe tem todo direito de organizar sua empresa da forma que bem entender e exigir do trabalhador, motivado pelo salário que ganha, as tarefas cumpridas com atenção, zelo, foco, compromisso e excelência. Afinal “manda quem pode e obedece quem te juízo”.

A questão é que este modelo de trabalho leva a um desgaste físico e emocional para todos envolvidos e por consequência prejuízos para empresa.  Se este modelo funcionasse bem, as coisas seriam bem mais simples. Bastaria pagar um pouco mais para a equipe, que a qualidade na execução do trabalho automaticamente aumentaria e com ela, os lucros.

Contudo, na prática os resultados são decepcionantes. Os problemas logo se repetem! Por qual razão isto acontece?

Como dizia o psicólogo e importante professor norte-americano Frederick Irving Herzberg, autor da "Teoria dos dois fatores": o salário não é um fator motivacional e sim, estrutural. É como comprar uma cadeira melhor para o funcionário, estruturar a supervisão, comprar pela empresa aquele café da manhã, bolo a cada aniversário, etc.

Em outras palavras, é a mesma sensação de comprar um celular novo ou um carro. A euforia dura pouco e logo tudo volta ao normal, o benefício conquistado não gera motivação adicional, mas se perdê-lo a motivação cai.

A teoria de Herzberg é antiga porém, ainda hoje, fundamenta as mais modernas teorias da gestão do desenvolvimento humano. Estas novas abordagens transformam o “ringue” que se transformou a empresa onde de um lado está o chefe e de outro, o empregado, para um ambiente de soma, harmonia, conciliação, colaboração, inovação e resultados. É como se virássemos uma chave e o chefe evoluísse para líder e o empregado para colaborador. Passam a lutar pelos mesmos propósitos e resultados.

Em momento nenhum o autor deste artigo afirmou que o salário não é importante, obviamente que é! Todavia, é fato que o salário isoladamente não motiva. A remuneração atrai os candidatos, mas não é o suficiente para mantê-los na empresa. Aqueles que buscam motivação exclusivamente pelo salário, abandonam seus postos para servir o primeiro concorrente que pagar um pouco mais.

Segundo Herzberg, os fatores que realmente mantêm o ser humano motivado são: senso de justiça, metas, sensação de fazer parte de algo maior, ser ouvido, de exercitar criatividade, ser reconhecido, respeitado, saber que é importante para empresa, poder sonhar em crescer na empresa.

A teoria de Herzberg vem ao encontro dos maiores desafios na gestão de pessoas nos dias de hoje e permite que o chefe se transforme em líder e o empregado em colaborador com ganhos reais de produtividade e resultados para a empresa.

(Foto: arquivo pessoal)

*Walter Roque Gonçalves é professor executivo FGV, consultor de resultados especializado em micro, pequenas e médias empresas.
(E-mail: walter@consultoriajk.com.br )

** Este texto é de responsabilidade do autor e não reflete, necessariamente, a opinião deste veículo de comunicação.


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