Opinião

Por que as datas comemorativas movimentam tanto a economia - e as emoções

"As datas comemorativas não se sustentam apenas porque estimulam vendas. Elas permanecem fortes porque carregam significado"

Nei Ferracioli
13/05/26 às 14h54

Basta uma caminhada pelas ruas comerciais para perceber: vitrines decoradas, campanhas temáticas, embalagens especiais e um movimento diferente nas lojas. Datas como Páscoa, Dia das Mães, Dia dos Namorados, Black Friday e Natal deixaram de ser apenas momentos do calendário, tornaram-se verdadeiros motores da economia.

E não apenas no Brasil.

Segundo estimativas divulgadas por entidades do varejo, o Dia das Mães segue entre as datas mais importantes para o comércio brasileiro, ficando atrás apenas do Natal em volume de vendas. Em muitos setores, especialmente vestuário, calçados, perfumes, eletrônicos, flores, gastronomia e experiências, o aumento no fluxo de consumidores representa uma importante oportunidade para impulsionar resultados, gerar empregos temporários e movimentar diversos segmentos da economia.

Mas talvez exista uma pergunta ainda mais interessante do que “quanto essas datas vendem”:

por que elas vendem tanto?

A resposta vai muito além do comércio.

Datas comemorativas carregam memória afetiva, tradição, simbolismo e conexão emocional. Elas atravessam gerações porque falam de sentimentos profundamente humanos: amor, pertencimento, gratidão, celebração, fé e reencontro.

A própria origem dessas datas ajuda a explicar isso.

A Páscoa, por exemplo, possui raízes religiosas e simboliza renovação e esperança. O Natal, uma das datas mais importantes do calendário mundial, transcende o consumo e está ligado à união familiar, generosidade e espiritualidade. O Dia das Mães, cuja consolidação moderna ocorreu no início do século XX, nasceu como uma homenagem à figura materna e ganhou força justamente por representar afeto e reconhecimento.

Com o passar do tempo, naturalmente, o comércio passou a acompanhar esses movimentos sociais e emocionais. Afinal, presentear tornou-se uma das formas mais universais de expressar carinho e consideração.

E talvez esteja aí o ponto mais importante dessa discussão.

As datas comemorativas não se sustentam apenas porque estimulam vendas. Elas permanecem fortes porque carregam significado. O consumo é consequência de algo maior: a necessidade humana de demonstrar sentimentos, criar memórias e fortalecer vínculos.

Por isso, quando o comércio se prepara para essas ocasiões, não está apenas organizando campanhas promocionais. Está, de certa forma, participando de momentos importantes da vida das pessoas.

Uma lembrança entregue no Dia das Mães dificilmente é apenas um produto. Muitas vezes, ela representa gratidão. Um chocolate de Páscoa pode carregar tradição familiar. Uma decoração de Natal pode simbolizar esperança depois de um ano difícil.

E é justamente essa combinação entre emoção e comportamento econômico que faz dessas datas fenômenos tão poderosos.

Os impactos vão além das vendas diretas. Datas sazonais movimentam indústrias, transportes, publicidade, produção artesanal, turismo, alimentação, logística e serviços. Pequenos empreendedores encontram oportunidades de crescimento, empregos temporários são criados e a economia ganha novo ritmo.

Ao mesmo tempo, essas datas também revelam algo sobre a própria sociedade. Em tempos de relações cada vez mais rápidas e digitais, momentos simbólicos continuam ocupando espaço importante na vida das pessoas. Isso mostra que, apesar das transformações tecnológicas e dos novos hábitos de consumo, o ser humano continua valorizando encontros, celebrações e demonstrações de afeto.

Talvez por isso, essas datas resistam ao tempo.

Porque, no fundo, elas nunca foram apenas sobre vendas. São sobre pessoas. Sobre histórias.

Sobre aquilo que permanece vivo mesmo em meio à correria do cotidiano.

E talvez seja exatamente isso que faz com que, ano após ano, elas continuem movimentando não apenas a economia, mas também emoções, memórias e relações humanas.

Foto: Divulgação

*Nei Ferracioli 

Executivo da Associação Comercial e Industrial de Araçatuba

** Este texto é de responsabilidade do autor e não reflete, necessariamente, a opinião deste veículo de comunicação

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