O bruxo da música, Hermeto Pascoal, completaria 90 anos neste 22 de junho, mas tornou-se encantado em 13 de setembro do ano passado. Nascido em Arapiraca, no agreste alagoano, do pai sanfoneiro herdou a afinidade pela música. Com mãe, aprendeu a enfrentar o preconceito por ser albino; a ter orgulho de si e de sua arte.
E não degenerou dos seus. Tornou-se multi-instrumentista, inclusive tirando sons de chaleiras, molas de carro, conchas marinhas, garrafas de plástico, bacias com água e outros objetos que os não-bruxos seriam incapazes. Deslumbrou o Montreux Jazz Festival, sendo um dos responsáveis pelo Brasil ser respeitado no mundo do jazz contemporâneo. Grammy de Melhor Disco de Jazz Latino em 2019. Tocou com a nata da MPB.
Certa vez um tongo me disse “ter bronca do velho besta e suas bobagens”. Compreensível, afinal o musicídio é uma das tragédias de nosso tempo. Não à toa, o adjetivo hermético significa “fechado, de difícil compreensão, complexo”. Imagine um songamonga gostar de um artista que conversava como os sapos, aprendia com os pássaros e sonhava com uma música que o conduzia encantado ao paraíso celeste.
O desfrute de Hermeto em Terra Brasilis nunca esteve à altura de sua genialidade. Para corrigir o fosso cultural que nos persegue desde que pintaram o pau-brasil de verde-amarelo, tramita no Congresso Nacional um projeto de lei para que o 22 de junho seja o Dia Nacional da Música Instrumental Hermeto Pascoal.
