Polícia

Acusado de assaltar grupo de pescadores é morto com tiro de fuzil em Araçatuba

Policiais militares informaram que jovem de 20 anos estava armado com um revólver e teria atirado contra eles ao ser encontrado; mãe dele disse que ele estava envolvido com drogas e já foi preso por tráfico

Lázaro Jr. - Hojemais Araçatuba
30/04/22 às 21h29

Caio Emerson Martinez de Lima, 21 anos, morreu ao ser baleado por um tiro de fuzil disparado por um policial militar, após participar de um assalto a um grupo de pescadores na estrada do Córrego Azul, em Araçatuba (SP), na noite de sexta-feira (29).

Outro participante do roubo conseguiu fugir e não foi identificado pela polícia, que recuperou o carro roubado e parte dos pertences da vítima. Foi apreendido um revólver calibre 38 com três munições intactas e uma deflagrada.

As vítimas, quatro homens e duas mulheres, disseram à polícia que são de Araçatuba e foram pescar com amigos no rio Tietê, em local conhecido como estrada do Córrego Azul, na Fazenda Paraíso.

Após pescarem na margem do rio, eles estavam dormindo, cada um em seu carro e um dos pescadores estava deitado numa carretinha de reboque atrelada a um VW Gol.

De acordo com eles, por volta das 22h30 dois desconhecidos apareceram e um deles deu um tiro para o alto, acordando o grupo. Ele permaneceu distante, enquanto o outro, que não estaria armado, aproximou-se, anunciou o assalto e mandou que todos entregassem as carteiras e celulares.

Após recolher os objetos os ladrões mandaram uma das vítimas entregar a chave do Gol e desengatar a carretinha, vindo a fugir com o carro.

Socorro

Segundo as vítimas, os celulares de dois integrantes do grupo não foram levados e um deles foi usado para chamar a polícia. Pouco depois das 23h, uma equipe da Polícia Militar se deparou com o veículo roubado e iniciou o acompanhamento. 

A informação foi passada pelo rádio e uma equipe de apoio encontrou o carro na rotatória da estrada municipal Caram Rezek, após o bairro Engenheiro Taveira. Segundo os policiais, ele estava parado com as portas abertas, pneus estourados e havia outras viaturas pelo local.

Como informação passada era de que os acusados teriam fugido a pé e entrado em um matagal e estava sendo feito um cerco para tentar encontrá-los, os policiais também desembarcaram da viatura e iniciaram uma varredura nas imediações.

Tiros

Um dos policiais relatou que cerca de 20 minutos após iniciar as buscas, ele se deparou com o acusado no mato, com uma arma em punho. Segundo o policial, pelas características ele notou que era um revólver.

O policial disse que deu ordem que largasse a arma, mas não foi atendido pelo autor do roubo, que teria se levantado lentamente e feito um disparo em direção aos policiais, por isso ele reagiu, atirando com um fuzil 556 com lanterna.

O projétil atingiu o peito de Lima e foi feito um segundo disparo com a arma de grosso calibre pelo policial, que disse não ter visto nenhum colega de farda no local na hora do confronto.

Morreu

Ao perceber que o jovem ainda respirava o resgate foi acionado, mas quando a equipe chegou, ele já estava morto. Segundo a polícia, o acusado do roubo estava com um revólver calibre 38, quatro munições, três intactas e uma deflagrada, apesar dos relatos serem de ele ter feito dois disparos, um no momento do roubo e outro contra o policial.

O acusado também estava com a carteira roubada de uma das vítimas e com as chaves do carro roubado. E dentro do veículo havia uma carteira e um celular de outras duas vítimas, além de uma lanterna e uma camiseta utilizada por um dos ladrões para esconder o rosto durante o crime.

As vítimas reconheceram objetos recuperados e não foi encontrado o celular de uma das vítimas. Das duas mulheres nada havia sido roubado.

Investigação

O delegado que presidiu a ocorrência determinou o recolhimento das armas dos policiais e do autor do crime para perícia. Após ouvir os policiais ele os liberou, levando em consideração que estavam cumprindo o dever legal de efetuar a prisão em flagrante dos assaltantes quando foram atacados e tiveram que reagir, agindo em legítima defesa.

Foi determinada a realização de exame pericial residuográfico nos policiais e em Lima e diante da morte decorrente de intervenção policial, o Ministério Público foi comunicado. 

A equipe plantonista da DH/Deic (Delegacia de Homicídios da Divisão Especializada de Investigações Criminais) acompanhou a perícia e a vítima foi identificada apenas no início da tarde deste sábado (30).

Identificado

A mãe de Lima disse à polícia que recebeu um telefonema do plantão policial pedindo que fosse ao IML (Instituto Médico Legal) para possível reconhecimento do corpo de um jovem que havia se envolvido em um assalto e baleado durante confronto com policiais.

Ela reconheceu o filho dela e contou que não sabia onde ele estaria morando, pois teria abandonado a casa e passado a morar em endereços diversos. Contou ainda que ele estava envolvido com drogas e já havia sido preso por tráfico de entorpecentes.

Furto

Em janeiro deste ano Lima havia sido preso por furto, ao ser surpreendido sobre o telhado de uma casa, destelhando o imóvel. Segundo a polícia, ele fugiu com a chegada do helicóptero Águia e foi localizado escondido dentro de uma casa no residencial Atlântico.

Ele teria dito que estava em cima da residência da vítima apenas ajudando um conhecido dele de vista das "bocas de fumo" e que receberia R$ 100,00 para ajudar a retirar as coisas do imóvel.

O corpo passaria por exame necroscópico antes de ser liberado para velório e enterro.

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