Polícia

Polícia Civil de Araçatuba identifica ao menos 100 vítimas do golpe do ‘falso delegado’; prejuízo supera R$ 1 milhão

Mulher que trabalhava para empresa de telefonia foi presa, acusada de cadastrar chips para uso dos golpistas, que estão no sistema carcerário do Rio Grande do Sul

Lázaro Jr. - Agência Trio Notícias
24/09/26 às 17h47
Mandados foram cumpridos com apoio da Polícia Civil do Rio Grande do Sul (Foto: Divulgação)

A investigação realizada pela Polícia Civil de Araçatuba (SP) que resultou na “Operação Salmoneus”, deflagrada nesta quinta-feira (24) para cumprir 15 mandados de busca e apreensão e dez mandados de prisão temporária, identificou ao menos 100 vítimas no Estado de São Paulo, que caíram no golpe do “falso delegado”. O prejuízo estimado supera R$ 1 milhão.

Os trabalhos foram iniciados pela 1ª DIG/Deic (Delegacia de Investigações Gerais da Divisão Especializada de Investigações Criminais) há cerca de seis meses, após dois moradores em Araçatuba terem registrado boletim de ocorrência de extorsão, denunciando terem sido vítimas desse tipo de crime.

Em entrevista coletiva concedida na manhã desta quarta-feira, o delegado Flávio Miranda explicou que os investigados pertencem a dois grupos distintos e a maioria cumpre pena no sistema carcerário do Rio Grande do Sul. “Trata-se de duas associações criminosas diferentes, todos ligados ao sistema penitenciário, com cooperadores fora do sistema penitenciário, mas majoritariamente lá de dentro do presídio esses golpes eram realizados” , informou.

Golpe

Mesmo de dentro dos presídios, os investigados utilizavam celulares para manter contato com as vítimas por meio do aplicativo WhatsApp. Os alvos eram encontrados por meio de redes sociais e sites de relacionamento.

Os golpistas enviavam fotos íntimas de mulheres para as vítimas e pediam que correspondessem, com envio de fotos íntimas delas. De posse dessas imagens, outros integrantes do grupo procuravam as vítimas, se passando por delegado de polícia, informando que as fotos recebidas por elas eram de adolescentes. Assim, pediam dinheiro para não aprofundar uma suposta investigação.

Foto: Divulgação

Mulher

Um dos alvos de mandado de prisão temporária que foi cumprido nesta quinta-feira é uma mulher que trabalhava de forma terceirizada para uma grande empresa de telefonia e que seria o elo com os presos que aplicavam o golpe.

De acordo com o delegado José Abonízio, essa mulher cadastrava chips para os presos com dados falsos. “Além de vender esses chips para todo o sistema carcerário do Rio Grande do Sul, ela os cadastrava em WhatsApp com dados falsos. Assim, os presos achavam que estavam invisíveis para a gente (polícia), mas não estavam” , explica.

Ainda de acordo com ele, a investigação apontou que uma dessas associações criminosas agia dentro dos presídios, com apoio externo, principalmente dessa investigada, que é residente em Pelotas (RS) e era vendedora da empresa de telefonia.

A outra associação, com sede em Novo Hamburgo e Campo Bom, seria composta por ex-presidiários que apreenderam a aplicar o golpe quando estavam custodiados. “A gente estima que eles podem ser os autores de ao menos 100 extorsões/estelionato” , informa.

O crime de extorsão fica configurado nos casos em que os autores utilizam de grave ameaça para forçar as vítimas a repassarem dinheiro. Caso contrário, caracteriza o estelionato.

Presos

Todos os dez mandados de prisão expedidos pela Justiça foram cumpridos pela Polícia Civil de Araçatuba, que contou com a cooperação de outras polícias do Estado de São Paulo e do Rio Grande do Sul durante as investigações e de equipes da Polícia Civil gaúcha para o cumprimento dos mandados nesta quinta-feira.

Até a tarde desta quinta-feira ainda era aguardada pela equipe da Deic de Araçatuba que está em Porto Alegre, a chegada das equipes que cumpriram buscas nos demais municípios, para fazer o levantamento do que foi apreendido.

A Justiça atendeu pedido da polícia e determinou o bloqueio de bens e valores relacionados aos investigados, para eventual indenização das vítimas. Os investigados poderão ser indiciados pelos crimes de estelionato, extorsão, associação criminosa e lavagem de dinheiro. As investigações terão sequência com a análise dos materiais que forem apreendidos.

 RECOMENDADO PARA VOCÊ
 EM DESTAQUE AGORA
VEJA TODOS OS DESTAQUES
 ÚLTIMAS EM POLÍCIA
Franquia:
Araçatuba SP
Franqueado:
Connect Jornalismo Digital LTDA
48.486.487/0001-90
Editor responsável:
Lazaro Silva Júnior MTB 48158
lazaro.junior@ata.hojemais.com.br
Todos os direitos reservados © 1999 - 2026 - Grupo Agitta de Comunicação.