Polícia

Acusado de estupros abandonou as vítimas nuas

Homem preso tem nacionalidade venezuelana e disse estar em Araçatuba há 5 anos; ele nega os crimes

Lázaro Jr. - Hojemais Araçatuba
08/12/22 às 19h41

O homem preso nesta quinta-feira (8) pela Polícia Civil, investigado por ser o autor de dois estupros ocorridos em Araçatuba (SP) na semana passada, tem nacionalidade venezuelana e disse estar na cidade há cinco anos.

Ele, que tem 27 anos e mora em uma residência no bairro Paraíso, foi reconhecido por foto e pessoalmente pelas duas vítimas, que também têm idades aproximadas de 25 anos. Uma delas reside em Birigui e a outra em Guararapes.

As duas relataram à polícia terem tido as roupas e celulares roubados pelo estuprador e foram abandonadas nuas nos locais dos crimes, que foram cometidos em áreas afastadas da zona urbana da cidade.

Sábado

O delegado Marcel Basso, responsável pela investigação, concedeu entrevista na tarde desta quinta-feira (8) e deu detalhes sobre o caso. Ele, que responde interinamente pela DDM (Delegacia de Defesa da Mulher), explicou que a primeira vítima a procurar a polícia foi atacada no sábado e na mesma noite registrou boletim de ocorrência.

Após os relatos, ela foi encaminhada ao IML (Instituto Médico Legal) para exame de corpo de delito, fez os procedimentos necessários para confirmação do estupro e recebeu atendimento médico. No mesmo dia já iniciaram as diligências para tentar identificar o autor do crime.

Já na segunda-feira a polícia foi informada do outro caso, que teria acontecido na sexta-feira (3), mas a vítima não foi ao plantão policial no mesmo dia por ter passado por atendimento médico e ter ficado abalada com o ocorrido.

Segundo Basso, pelos relatos das duas foi possível identificar que seria a mesma pessoa o autor dos crimes, pelo modo de agir e pelas características. Entre outras informações, elas relataram que ele não seria brasileiro, usaria boné e teria um carro popular branco, com um adesivo de uma empresa de transporte de passageiros por aplicativo.

Contato

Ainda de acordo com o delegado, uma das mulheres que o denunciou por estupro relatou que teve contato inicial por um aplicativo de conversa. Ela contou que solicitou a corrida a ele e quando já estava em Araçatuba, percebeu que a rota feita pelo investigado não a levaria para o destino solicitado.

A outra, que disse ter sido atacada na sexta-feira, relatou que veio para Araçatuba de ônibus para visitar um familiar. Quando solicitava um motorista por aplicativo em um ponto que seria comum para esse tipo de serviço, o investigado teria se oferecido para fazer a corrida. Imaginando que ele realmente fosse um motorista por aplicativo, ela contratou a corrida e acabou sendo estuprada.

Nos dois casos as vítimas disseram que o autor tinha um tom ameaçador e havia dúvida quanto à possibilidade de ele estar armado ou não. Elas disseram que o investigado apresentou mudança repentina de atitude no decorrer do trajeto e que teria ocorrido a conjunção carnal. Porém, a polícia aguarda os laudos dos exames que poderão confirmar os estupros.

Identificação

Com base nos relatos das vítimas, a polícia avançou com a investigação, baseada principalmente no trabalho de campo, percorrendo os locais citados e ouvindo pessoas nas imediações.

A identificação do suspeito foi confirmada na tarde de ontem. Com o reconhecimento fotográfico dele por parte das vítimas, a Polícia Civil representou para a Justiça pela prisão temporária dele, que foi concedida pelo período de 30 dias, por se tratar de crime hediondo.

O cumprimento do mandado foi feito nesta quinta-feira, com o investigado sendo encontrado na casa dele. No imóvel também foi apreendido um carro com as mesmas características relatadas pelas vítimas, inclusive com o adesivo de uma empresa de transporte por aplicativo no vidro.

Após passar por perícia no imóvel, ele foi recolhido e levado para o pátio de um guincho, onde deve permanecer à disposição da Justiça. O delegado contou que na casa do acusado também foram apreendidos objetos, como o boné descrito pelas vítimas, que seria usado pelo autor dos crimes.

Ele foi levado para a delegacia, onde foi feito o reconhecimento pessoal pelas vítimas, que confirmaram se tratar do autor. “Uma delas inclusive ficou bastante emocionada ao vê-lo, o que vem ratificar o que a gente já vinha durante a semana trabalhando”, explicou Basso.

Acusado confirma trabalhar informalmente como motorista

Delegado Marcel Basso deu detalhes da investigação em entrevista coletiva (Foto: Thalia Paro/Hojemais Araçatuba)

O homem investigado por suspeita de ter praticado dois estupros na semana passada em Araçatuba confirmou à polícia que trabalhava informalmente como motorista. Segundo o delegado Marcel Basso, o investigado alegou que procurou sair da Venezuela há cinco anos por dificuldades financeiras e desde então está em Araçatuba.

Alegou ainda que trabalhou em comércios locais, mas por estar desempregado, decidiu atuar informalmente como motorista. Por não estar cadastrado em nenhuma empresa que presta esse tipo de serviço, os clientes seriam principalmente venezuelanos que o conhecem.

Ainda de acordo com o delegado, em depoimento o investigado negou os crimes e inicialmente disse que na sexta-feira havia feito apenas uma corrida para um venezuelano do sexo masculino. Porém, depois voltou atrás e alegou que esse passageiro estaria acompanhado de uma mulher.

Sobre a viagem do sábado, ele confirmou ter feito o transporte de uma mulher, mas alegou que foi coisa rápida e que em seguida retornou para a casa dele.

Investigação

O delegado explicou que dará sequência à investigação e que o caso foi informado ao Consulado Venezuelano, que deverá apurar se o acusado está legalmente no Brasil. Por enquanto não existe nada sobre possível irregularidade. Ele deve ser indiciado pelos estupros e também por ter roubado os pertences das vítimas.

Basso fez ainda um apelo, para que possíveis vítimas de crimes, principalmente de crimes sexuais, procurem os órgãos públicos imediatamente para coleta de provas e início dos trabalhos para identificar e tentar prender o autor.

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