O adolescente de 15 anos que foi apreendido na última quinta-feira (30) em Araçatuba (SP), investigado por incentivar possível massacre em uma escola estadual da cidade, já havia sido alvo de denúncias anteriores.
De acordo com o que foi apurado pela reportagem, a Polícia Civil representou pelo mandado de busca e apreensão para a casa dele após receber pelo menos três comunicados e uma denúncia anônima de suspeita de ataque em uma escola. Porém, ele já havia sido alvo de mandado de busca e apreensão em julho do ano passado, quando teve um celular e um notebook apreendidos.
Além disso, no dia 15 de março ele foi ouvido na presença da mãe dele e de policiais militares na escola e confirmou que havia feito pesquisas relativas a massacres, sob argumento de que estudaria assassinatos.
Primeira denúncia
A procurar a polícia no dia 15 de março, a direção da escola informou que desde que o estudante passou a frequentar a instituição, no início deste ano, pelo menos três alunas reclamaram do comportamento dele, que as deixava incomodadas com o jeito que olhava para elas. O investigado teria o hábito de beijar o pescoço das meninas e ficar olhando para os seios dela.
A direção da escola também havia sido informada que o estudante frequentava grupos do WhatsApp e acessava sites na internet relacionados a massacres em escolas. Ele inclusive teria postado uma foto em um desses site e relatado a amigos que não teria coragem de praticar um massacre, mas com a ajuda de mais duas ou três pessoas, poderia trancar os portões e para que entrassem atirando.
Confirmou
Ouvido na frente de policiais militares e na presença da mãe dele, o estudante confirmou as pesquisas sobre informações relativas a massacres, alegou que apenas estudava assassinatos, mas não faria nada na escola.
A direção da instituição também ouviu a mãe do menino na ocasião. Ela relatou saber que ele acessava esse tipo de conteúdo, alegou que iria levá-lo ao médico para retomar o tratamento, mas argumentou que o filho recusava fazer uso do medicamento controlado.
Apreendido
Ao ser apreendido na quinta-feira, o adolescente foi encontrado pelos policiais civis no quarto dele durante o cumprimento do mandado judicial de busca e apreensão. Na ocasião foi apreendido um caderno com desenhos de sinais nazistas feitos por ele e também foi recolhido o celular do investigado, no qual havia várias mensagens de cunho racial.
Os policiais estiveram na escola onde o menino estuda e encontraram na carteira dele mais desenhos relacionados ao nazismo. A direção da escola apresentou à polícia o caderno de uso do estudante durante as aulas, no qual havia outros desenhos de sinais nazistas, homofóbicos e raciais.
Ao representar pela apreensão do investigado, a polícia levou em consideração que ele demonstrou ser bastante popular entre os colegas de escola, com os quais disseminaria o racismo e a importância de agir contra judeus, negros e homossexuais, além de enaltecer ações de adolescentes em massacres escolares.
Investigações
As ações contra suposto massacre em escola de Araçatuba foi coordenada pela DIG/Deic (Delegacia de Investigações Gerais da Divisão Especializada de Investigações Gerais) e aconteceram entre quinta e sexta-feira passada e resultou na apreensão de dois adolescentes.
Ao todo foram cumpridos dez mandados de busca e apreensão expedidos pela Justiça, tendo como alvos sete adolescentes. Entre eles está uma criança de 11 anos, com a qual foi apreendida uma réplica de uma pistola, e duas adolescentes que manteriam contato com o suposto mentor do massacre.
O outro adolescente apreendido tem 14 anos e seria o possível executor do suposto massacre. Com ele foi apreendida uma espingarda de pressão aparentemente adulterada para disparo de munição de calibre 22; duas facas; um canivete; uma luneta para espingarda; duas armas de airsoft realísticas, sendo uma espingarda calibre 12 e uma submetralhadora.
Também foi recolhida uma munição de calibre 380 intacta, uma cápsula de 380 e uma cápsula com projétil de munição calibre .50; e um livro escrito em inglês com instruções para fabricação de armas artesanais e explosivos e livros contendo símbolos nazistas.
Foi recolhido ainda um pen drive, a CPU do computador e o celular do investigado para serem enviados para perícia por conter várias mensagens sobre o eventual massacre e conteúdo nazista e racista.
