Representantes da ADPESP (Associação dos Delegados de Polícia do Estado de São Paulo) estiveram em Araçatuba na tarde de terça-feira (1), dando sequência a um ciclo de visitas com o objetivo de colher as principais demandas dos delegados de polícia paulistas.
Segundo o presidente da associação, Gustavo Mesquita Galvão Bueno, também foi discutido sobre a baixa remuneração e desvalorização da categoria, que não descarta deflagrar uma operação padrão para cobrar melhorias do governo do Estado.
De acordo com ele, hoje a principal demanda é a falta de funcionários para a Polícia Civil, que teria um déficit de cerca de 15 mil profissionais, o que soma um terço do efetivo previsto. “Isso se deve pela política sistemática de desvalorização do governo do Estado em relação aos policiais, que recebem o pior salário do País. Hoje os policiais civis no Estado estão no limite, na beira do insustentável”, declarou.
Bueno argumentou que a associação já tentou por diversas maneiras alertar o governo do Estado sobre essas questões, mas não houve diálogo e muito menos soluções para os problemas apontados.
Operação padrão
Diante desse cenário, um dos objetivos das visitas regionais é tentar mobilizar a categoria para uma eventual operação padrão, que é quando cada policial trabalha apenas com os recursos oferecidos pelo Estado.
De acordo com o presidente da associação, muitos policiais utilizam recursos e equipamentos próprios e chegam a tirar dinheiro do próprio bolso para suprir as necessidades de trabalho. “Dessa maneira, a sociedade vai acabar percebendo que o governo eleito por ela não fortalece a sua polícia como deveria”, diz Bueno.
Para ele, quando o governo deixa de investir na segurança pública, principalmente no ser humano policial, está traindo principalmente seu eleitor, pois a população deixa de ter o serviço de segurança que poderia ser oferecido.
E acrescenta que a política atual do governo é de investir no básico, que é viaturas e armamentos, o que é o mínimo que o Estado tem que oferecer. “O que se pede é que se valorize o ser humano, questão primordial, que continuará sendo cobrada. Enquanto o governo não valorizar o ser humano policial, o Estado de São Paulo, a Polícia Civil do Estado vai continuar perdendo diariamente excelentes profissionais”, afirma.
Defasagem
Segundo Bueno, o índice de policiais civis que deixam a carreira é muito maior do que o número de contratações feita para reposição. Levantamento feito pela associação aponta que entre 2015 e setembro de 2021 a instituição perdeu 10.852 policiais civis. Nesse mesmo período, pouco mais de sete mil policiais se formaram.
Os casos de suicídio entre policiais civis também é uma preocupação, de acordo com o presidente da ADPESP. Entre 2015 e 2021, 61 policiais civis tiraram a própria vida e outros 21 foram mortos enquanto trabalhavam.
Salários
A associação também cobra melhor remuneração para os delegados de polícia do Estado. O piso salarial da categoria é de R$ 10.382,48, contra R$ 22.446,13 pagos aos profissionais no Estado do Mato Grosso, de acordo com a ADPESP. Ainda segundo o que foi informado, situação semelhante é enfrentada pelos escrivães e investigadores.
Uma carta-aberta solicitando melhoria nessas remunerações foi entregue por Bueno ao delegado-geral Ruy Ferraz Pontes, em 27 de janeiro.
