O homem de 35 anos que conduzia o carro que atropelou e acabou matando Guilherme Correa Lima, de 1 ano e 8 meses, em Birigui (SP), na tarde de sábado (19), foi apresentado à polícia neste domingo (20) e afirmou que não percebeu o atropelamento.
Ele chegou ao plantão policial pouco depois das 15h, acompanhado do advogado César Franzoi e da advogada Isabela Fioroto, pois não havia sido encontrado pela polícia depois do atropelamento.
Conforme já divulgado, o caso aconteceu na frente da casa da família da vítima. O pai do menino disse à polícia que o Hyundai Sonata parou na frente da residência e um amigo dele, que era passageiro no veículo, o chamou.
Ele contou que saiu para conversar com o amigo e não viu que o filho dele também havia saído da residência. Imagem de câmera de monitoramento mostra que a criança está caminhando na frente do carro quando o pai dela se despede do passageiro.
Porém, ele retorna para a calçada passando por trás do carro e a vê. Pelo porte da criança, aparentemente não era possível que o condutor do carro também a estivesse vendo. Assim, ele deixa o local lentamente e ocorre o atropelamento.
Solavanco
Para a polícia, o condutor do veículo teria notado o atropelamento, que causa um solavanco no carro, que é perceptível nas imagens. Segundo o advogado, o condutor do veículo informou que nesse momento ele imaginou que tivesse passado sobre uma pedra ou algo do tipo.
“Quando ele percebeu o solavanco, ele olhou para os retrovisores e pensou que havia passado sobre uma pedra ou algo do tipo, ele não avistou a criança caída no chão” , informa. O defensor acrescenta que as imagens comprovam que ele continuou seguindo com o carro em baixa velocidade.
Telefonema
Ainda de acordo com Franzoi, o condutor do veículo só veio a saber do atropelamento cerca de 40 minutos depois, quando a família telefona para o amigo dele, que era o passageiro, informando sobre o ocorrido.
A situação o teria deixado abalado emocionalmente, até pelo fato de o condutor do veículo que atropelou a criança também ter um filho, assim, ficou sem saber o que fazer, até decidir se apresentar na delegacia neste domingo espontaneamente para esclarecer os fatos.
Não ouviu
Ainda segundo a defesa, o condutor do carro afirma que não ouviu os chamados do pai do menino. Ele disse à polícia que assim que ouviu um barulho ao entrar em casa e ao sair, viu o filho dele caído no asfalto e passou a chamar pelo condutor do veículo, que seguiu em frente.
Isabela reforça que o cliente relata que em momento algum imaginou que pudesse ter passado sobre uma criança e que entrou em desespero quando soube por meio do passageiro, que ele havia atropelado um menino. “Ele entrou em desespero como qualquer um entraria. Nós sentimos muito pela família, a gente deseja nossos mais sinceros sentimentos ”, declara, acrescentando que o ocorrido foi uma tragédia.
Próximos passos
Ainda segundo os advogados, o cliente deverá se apresentar novamente à polícia na segunda-feira (21) para dar declarações ao delegado que ficará responsável pelo inquérito. Ele também deve apresentar o veículo para que seja submetido a perícia.
O corpo de Guilherme seria enterrado na tarde deste domingo no cemitério da Consolação, em Birigui. O caso é investigado inicialmente como homicídio culposo (sem intenção) na direção de veículo e fuga de local de acidente.
