Segundo o governo do Estado, o convênio no valor de R$ 2,1 milhão com a OSS (Organização Social de Saúde) Irmandade da Santa Casa de Misericórdia de Birigui para aquisição de uma usina de oxigênio foi assinado em 2018, durante a gestão do ex-governador Márcio França (PSB).
Conforme matéria públicada ontem pelo Hojemais Araçatuba , a Polícia Civil de Araçatuba instaurou inquérito para apurar possível desvio de parte desse dinheiro para réus em processo da Operação Raio-X.
Segundo o que foi apurado pela reportagem, após a assinatura do convênio com o Estado em 2018, a Santa Casa de Birigui pagou R$ 1.690.000,00 a uma empresa do Estado do Paraná pela usina de oxigênio.
Além de parte dos equipamentos não ter sido entregue, a empresa contratada teria depositado R$ 270.000,00 do montante recebido nas contas de três réus. Dois deles fariam parte do grupo de liderança da suposta organização criminosa investigada e o terceiro seria integrante do grupo de lavagem de dinheiro.
Cleudson
De acordo com as denúncias apresentadas à Justiça pelo Gaeco, o grupo investigado seria liderado pelo médico anestesista Cleudson Garcia Montali, que está preso. Ele já confessou que era o responsável pelos projetos de gestão dos serviços de saúde apresentados pela OSS Santa Casa de Birigui e também pela Santa Casa de Araçatuba.
Cleudson foi diretor do DRS-2 (Departamento Regional de Saúde) de Araçatuba, mas foi exonerado do cargo a bem do serviço público, após instauração de processo administrativo disciplinar pela Procuradoria Geral do Estado, devido a irregularidades na gestão do AME (Ambulatório Médico de Especialidades) de Araçatuba.
Márcio França
Em 2018, Márcio França era vice-governador do Estado. Quando Geraldo Alckmin (PSDB) se afastou para concorrer à presidência da República, ele assumiu o governo e uma de suas ações foi recontratar Cleudson.
Em depoimento à CPI das Quarteirizações, na Alesp (Assembleia Legislativa de São Paulo), quando já estava preso, o médico disse que recorreu da decisão logo após ser exonerado. De acordo com ele, quatro das seis imputações de irregularidades foram derrubadas ainda na gestão de Geraldo Alckmin.
E quando Márcio França assumiu o governo, as outras duas imputações também teriam sido derrubadas, de acordo com ele. Assim, a Procuradoria o convocou para ser reintegrado e ele foi readmitido pelo Estado.
Entretanto, Cleudson disse que já estava trabalhando como anestesista na época e como o salário dele de funcionário público seria de R$ 2.000,00, pediu a exoneração.
Dinheiro
Segundo o governo do Estado, o dinheiro repassado à Santa Casa de Birigui por meio do convênio não teria sido usado, por isso a Secretaria de Estado da Saúde cobrou a devolução. Ainda segundo nota enviada ao Hojemais Araçatuba , todo valor foi devolvido à pasta pelo hospital em 2019.
Entretanto, a atual diretoria da OSS Santa Casa de Birigui informa que o dinheiro repassado pela Secretaria de Estado da Saúde não foi devolvido e foi usado para pagar a empresa contratada para fornecer a usina de oxigênio.
