Polícia

Ex-vereador é preso após polícia encontrar carnes em estabelecimento irregular em Araçatuba

Foram recolhidos cerca de 500 quilos de carnes no estabelecimento que já havia sido alvo de fiscalização em junho

Lázaro Jr. - Agência Trio Notícias
09/10/26 às 15h23
O ex-vereador Evandro Molina (camiseta preta de manga longa) foi preso na manhã desta sexta (Foto: Lázaro Jr.)

O ex-vereador Evandro Molina e um irmão dele foram presos pela Polícia Civil de Araçatuba (SP) nesta sexta-feira (9), durante cumprimento a mandado de busca e apreensão em um estabelecimento no bairro Jussara, onde havia carnes armazenadas de forma irregular. A reportagem ainda não conseguiu contato com as defesas deles.

Segundo as informações preliminares, cerca de 500 quilos de produtos, entre carnes, linguiças e até mandioca, foram recolhidos e levados ao aterro sanitário para descarte. A reportagem acompanhou parte do trabalho que foi conduzido pelo delegado Marcel Basso, junto com equipe da CPJ (Central de Polícia Judiciária). 

Também participaram da ação, servidores do Setor de Postura da Prefeitura, da Vigilância Sanitária e do SIM (Serviço de Inspeção Municipal) da Secretaria de Agricultura. Antes de as carnes serem recolhidas, o estabelecimento passou por perícia realizada por equipe do Instituto de Criminalística.

Denúncia

Em junho deste ano, a polícia esteve nesse mesmo estabelecimento com uma equipe de fiscalização da prefeitura e recolheu cerca de 2.700 quilos de produtos de origem animal encontrados no imóvel. Na ocasião, a fiscalização foi motivada por denúncia de moradores incomodados com acúmulo de sujeira que gerava mau cheiro e atrairia urubus, ratos e outras pragas.

Durante a vistoria, os fiscais constataram que havia fabricação, manipulação e fracionamento de produtos cárneos sem registro nos órgãos oficiais de inspeção sanitária, o que caracterizaria atividade clandestina.

Também estaria ocorrendo a comercialização de produtos sem rotulagem, descumprimento das normas sanitárias de higiene das instalações e equipamentos, utilização de matérias-primas sem comprovação de procedência, elaboração de produtos em desacordo com a legislação e produção de alimentos considerados de risco à saúde pública.

As equipes lavraram Auto de Infração, Auto de Imposição de Penalidade e Auto de Apreensão, Interdição e Inutilização.

Continuou

O novo mandado de busca para o estabelecimento foi requerido pela Polícia Civil, devido a informações de que apesar das autuações feitas em junho após inspeção, o prédio continuaria sendo utilizado para armazenar alimentos de maneira irregular e em condições impróprias para o consumo. 

Durante a nova fiscalização, foram encontradas carnes armazenadas de forma irregular, além de o estabelecimento permanecer sem o devido alvará de funcionamento. Equipe da fiscalização informou à reportagem que havia duas câmeras frios no prédio, mas quando do início da vistoria, elas estariam desligadas.

Fiscalização aconteceu na manhã desta sexta-feira (Foto: Lázaro Jr.)

Armazenamento

O médico veterinário do SIM, Rafael Silva Cipriano, confirmou que havia produtos de origem animal sem procedência, armazenados de forma inadequada no prédio, que passa por reforma. “Não estavam embalados, estavam expostos, junto com descarte, com material de origem vegetal em contato, falta de condições de higiene, condições de higiene muito ruins, muito precárias, nada muito diferente daquilo que a gente encontrou da outra vez, só quem em volume um pouquinho menor” , explicou.

De acordo com ele, os responsáveis pelo estabelecimento alegaram que não estão produzindo os derivados da carne no local. Porém, esclareceu que a armazenagem desses produtos faz parte da produção. “Não justifica ele falar que não está produzindo. E todo local a gente vê que está com caracterização de produção, porque ainda tem mesas, facas, buchas sujas com restos de carne recente. Então dá pra gente ver que estão produzindo sim, é um local bem caracterizado de produção clandestina de origem animal” , afirmou.

Por parte da Prefeitura, de acordo com ele, seria feito o auto de infração, com auto de imposição de penalidade para descarte do material considerado impróprio para consumo.

Presos

Após o término da fiscalização e do recolhimento dos produtos, o ex-vereador e o irmão dele, que estavam presentes durante a fiscalização, foram levados para o plantão policial.

Diante do que foi apresentado, o delegado que presidiu a ocorrência decidiu pela decretação da prisão em flagrante dos dois irmãos pelos crimes previstos no artigo 278 do Código Penal, com pena de 1 a 3 anos e artigo 7º, IX da Lei 8.137/90, que prevê de 2 a 5 anos de detenção.

Após serem ouvidos eles devem permanecer à disposição da Justiça para serem apresentados em audiência de custódia. A polícia dará sequência ao inquérito instaurado pela CPJ a partir da inspeção anterior.

Cerca de 500 quilos de produtos foram recolhidos e destruídos (Foto: Lázaro Jr.)
Foto: Lázaro Jr.
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