Acordar com o corpo rígido ou com dores nas costas pode parecer algo comum, especialmente quando o desconforto desaparece após alguns movimentos. No entanto, a frequência, a intensidade e o tempo de duração desses sintomas merecem atenção.
A posição adotada durante o sono, as condições do colchão e do travesseiro e até mesmo a maneira de sair da cama podem influenciar diretamente o conforto e a sobrecarga na coluna. Pequenos hábitos repetidos diariamente também podem contribuir para o surgimento ou a manutenção de dores.
Segundo o fisioterapeuta João Pedro Neli, da Clínica Doutor Hérnia, em Araçatuba, alguns cuidados simples podem ajudar a preservar o alinhamento corporal durante a noite e tornar o despertar mais confortável.
Uma das posições mais indicadas para dormir é de lado, com um travesseiro entre as pernas. Outra opção é dormir de barriga para cima, utilizando um travesseiro sob os joelhos. Essas posições favorecem o alinhamento do corpo e ajudam a reduzir a sobrecarga sobre a coluna durante o período de descanso.
“De lado, nosso travesseiro vai influenciar, nosso colchão, mas o melhor jeito para dormir é de lado para a gente conseguir manter o alinhamento postural”
, explica João Pedro Neri.
Mas não é apenas a posição durante o sono que merece atenção. A maneira de sair da cama também pode interferir na coluna. Após horas de repouso, a musculatura ainda está se adaptando aos movimentos do dia e, por isso, mudanças bruscas de posição devem ser evitadas.
Uma das formas apresentadas pelo fisioterapeuta é virar de lado, levar as pernas aos poucos para fora da cama, apoiar os braços e permanecer sentado por alguns segundos antes de se levantar. A orientação busca evitar movimentos bruscos e permitir que o corpo faça a transição do repouso para a posição em pé de maneira gradual.
“Não existe um jeito correto de levantar, só que o jeito principal onde está escrito nas literaturas é você estar na posição deitado de lado, jogar as pernas aos poucos para fora da cama, empurrar os braços e ficar sentado na cama por alguns segundos”
, explica Neli.
O chamado “pulo da cama”, quando a pessoa se levanta rapidamente, deve ser evitado. Segundo o profissional, a musculatura ainda não está preparada para receber uma mudança repentina de movimento, o que pode provocar tensões e, com o passar do tempo, contribuir para lesões.
Para pessoas que já apresentam hérnia de disco ou alguma lesão na coluna, o cuidado deve ser ainda maior. A rigidez pode estar mais presente ao acordar e, nesses casos, levantar-se gradualmente é uma alternativa para reduzir sobrecargas.
O colchão e o travesseiro também fazem parte desse cuidado. Ao contrário do que muitas pessoas acreditam, um colchão muito duro não é necessariamente melhor para a coluna.
“Isso é um mito. O colchão muito duro não respeita a anatomia do nosso corpo”
, afirma o fisioterapeuta.
O corpo possui curvas naturais que precisam ser respeitadas durante o sono. Uma superfície excessivamente rígida pode criar pontos de tensão em regiões como quadril e joelhos. Por outro lado, um colchão muito mole também pode comprometer o suporte corporal.
A recomendação apresentada pelo profissional é optar por um colchão firme, mas que tenha acolchoamento suficiente para evitar pontos de pressão. Afundamentos e deformações também indicam que o colchão deve ser avaliado e, se necessário, substituído.
O travesseiro segue o mesmo princípio. Segundo Neri, ele não deve ser muito alto nem muito baixo, pois ambas as situações podem manter o pescoço em uma posição inadequada durante várias horas e favorecer dores na região cervical, no trapézio e até torcicolos.
Dormir de barriga para baixo também pode aumentar a sobrecarga. Nessa posição, o pescoço permanece lateralizado durante boa parte do sono, gerando tensão na região cervical. A postura também pode interferir no alinhamento natural da lombar.
Para quem dorme de barriga para cima, colocar um travesseiro sob os joelhos pode ajudar a aliviar a tensão na região lombar.
Hábitos que podem afetar a coluna
O cuidado com a coluna não termina quando a pessoa sai da cama. Alguns hábitos comuns, como usar o celular em uma posição inadequada, permanecer muito tempo parado ou realizar movimentos bruscos logo pela manhã, também podem gerar sobrecarga.
O uso do celular deitado, por exemplo, não é necessariamente um problema. A atenção deve estar na posição do aparelho. Quando o celular fica muito abaixo da linha dos olhos, a cabeça permanece inclinada durante longos períodos, aumentando a sobrecarga na cervical e na musculatura dos ombros.
“Então o ideal é sempre trazer o celular no rumo dos olhos para que a gente não tenha que ficar por muito tempo com a cabeça inclinada para baixo”
, orienta.
O alongamento pela manhã também pode ajudar na ativação gradual da musculatura, na mobilidade e no equilíbrio. No entanto, o fisioterapeuta alerta para movimentos exagerados logo ao acordar.
Espreguiçar-se não é necessariamente prejudicial, mas rotações muito amplas do tronco podem gerar tensão muscular e provocar a sensação de que a coluna “travou”. O mesmo cuidado vale para o hábito de estalar repetidamente a coluna ou o pescoço. Segundo Neli, realizar esses movimentos constantemente, por conta própria, pode favorecer uma condição de hipermobilidade e aumentar o risco de lesões.
Acordar eventualmente com algum desconforto também não significa necessariamente que exista um problema na coluna. O que deve ser observado é a frequência, a intensidade e principalmente quanto tempo a dor permanece ao longo do dia.
“Quando a pessoa acorda com dor e após alguns movimentos essa dor diminui ou até passa, isso não descarta uma avaliação. Mas, diferente de uma pessoa que acorda com dor e ela leva por vários momentos do dia, isso é onde necessita de uma avaliação”
, afirma.
A prática de atividades físicas também faz parte dos cuidados. Caminhar pela manhã ou realizar exercícios pode ajudar na ativação da musculatura, na mobilidade e no equilíbrio, além de contribuir para a disposição ao longo do dia.
Outro ponto destacado pelo fisioterapeuta é que não existe uma postura perfeita que precise ser mantida durante todo o dia. O mais importante é evitar permanecer por muito tempo na mesma posição.
Segundo Neli, o ideal é alternar a postura a cada 40 ou 50 minutos, fazendo uma pausa de alguns minutos antes de retornar à atividade. A movimentação ajuda a reduzir sobrecargas e evita que o corpo permaneça por períodos prolongados sob a mesma exigência.
Para o fisioterapeuta, os cuidados com a coluna devem fazer parte da rotina e não apenas ser adotados quando a dor já está instalada.
“Você que sente dores ou qualquer tipo de desconforto, tanto no período da manhã quanto no seu dia a dia, não espere essa dor piorar, porque o melhor remédio para a nossa saúde é a prevenção”
, orienta João Pedro Neli.
SERVIÇO
Clínica Doutor Hérnia Araçatuba
Especializada em fisioterapia para dores na coluna, com protocolos modernos e altamente eficazes na reabilitação da coluna vertebral, nossos especialistas oferecem soluções personalizadas para alívio das dores e melhora da qualidade de vida.
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