Um mecânico de 54 anos, morador no bairro Benfica, em Andradina (SP), foi preso na tarde desta terça-feira (4) por feminicídio, acusado de matar a esposa dele com golpes de ferro de passar roupa, marreta e de faca. Rita Fernandes Soares, que tinha 58 anos, chegou a ser socorrida, mas não resistiu aos ferimentos.
Segundo a polícia, o acusado foi encontrado ao lado da esposa, no quintal da casa, e tinha um ferimento no peito. Na delegacia, ele alegou que ouviu uma “voz” dizer que era para ele matar a companheira e depois se matar.
O crime aconteceu na residência do casal, por volta das 15h. Os policiais militares que atenderam a ocorrência relataram que durante patrulhamento foram chamados na rua Jesus Trujilo, onde teria ocorrido uma briga de casal e uma mulher estaria morta.
Ao abrir o portão eles encontraram o mecânico em pé, ao lado da esposa, que estava caída no chão, aparentemente sem vida. Equipe de resgate foi acionada, prestou os primeiros socorros à vítima e a levou para a UPA (Unidade de Pronto Atendimento). O investigado tinha um ferimento no peito, aparentemente superficial, segundo a polícia, por isso ele também foi levado ao hospital quando o resgate retornou do atendimento à esposa dele.
Confessou
Enquanto aguardava o socorro, o mecânico contou aos policiais que pela manhã havia passado por perícia no INSS (Instituto Nacional de Seguro Social), acompanhado da esposa, para comprovar que está com problemas psiquiátricos. Ele disse que cerca de um mês atrás teve uma piora acentuada no quadro clínico.
De acordo com o acusado, a mulher dele teria relatado ao médico sobre as tendências suicidas dele e dito que os remédios que ele estava tomando não estavam fazendo efeito. Apesar de ter discordado, o mecânico não comentou nada.
O casal voltou para casa e após o almoço os dois foram deitar no quarto para dormir. Segundo o acusado, ele acordou antes de Rita e a única coisa que vinha na cabeça dele era que tinha que matá-la.
Golpes
O mecânico contou que pegou o ferro de passar roupas e bateu com ele na cabeça da esposa enquanto ela ainda dormia. Ela teria acordado, saído correndo e ele a perseguiu, ainda golpeando-a.
Quando o ferro quebrou, o acusado pegou uma marreta para prosseguir com as agressões. A vítima, mesmo ferida, correu para a frente da residência e ele decidiu pegar uma faca com a qual a golpeou por três vezes, sem dizer em que região do corpo.
Ainda segundo o acusado, em seguida ele colocou a faca no lado esquerdo do peito e debruçou-se sobre ela, deitando no chão.
Vizinha
No local do crime a polícia conversou com uma vizinha do casal, que disse ter ouvido os gritos de socorro de Rita. Ela falou que subiu no muro, pediu para o acusado parar com as agressões e depois pulou no quintal e conseguiu tirar a faca das mãos dele.
Equipe da Polícia Civil acompanhou a realização da perícia na residência do casal e durante os trabalhos houve a confirmação da morte da vítima.
Foi constado que na residência também moravam duas filhas de Rita, um neto dela, ainda bebê, e um filho do mecânico. O rapaz foi ouvido pela polícia e contou que aparentemente o pai dele era um pouco submisso, dando a entender que a relação entre o casal não era violenta.
Ele relatou ainda que o pai vinha passando por depressão e dificuldades financeiras. Em consulta aos sistemas policiais, não foram encontrados registros anteriores de ocorrência envolvendo o casal.
Voz
A faca, a marreta, e o pedaço do ferro de passar roupa usados nas agressões foram apreendidos e apresentadas na delegacia, onde o acusado confirmou o que havia dito anteriormente aos policiais militares. Ele também relatou que devido à depressão vinha se sentindo isolado dentro de casa e alegou que a esposa dele havia jogado as roupas dele no chão.
O mecânico contou que após o almoço eles dormiram e uma “voz” disse que era para ele acabar com a vida da companheira e com a dele, que foi preso em flagrante por homicídio qualificado pelos motivos fútil, meio cruel, recurso que dificultou a defesa da vítima e feminicídio. Após ser ouvido ele ficaria à disposição da Justiça.
O corpo de Rita passaria por exame necroscópico no IML (Instituto Médico Legal) antes de ser liberado para velório e enterro.
