Polícia

Idosa morre no pronto-socorro de Birigui a espera de vaga em UTI

Estaria internada desde segunda-feira aguardando uma cirurgia e o caso é investigado como omissão de socorro a pessoa idosa; o prefeito e a secretária de Saúde estiveram no local e disseram que casos semelhantes já teriam ocorrido

Lázaro Jr. - Hojemais Araçatuba
21/01/22 às 18h48
Paciente foi transferida do Hospital Unimed para o pronto-socorro, onde morreu (Foto: Arquivo)

A Polícia Civil de Birigui (SP) instaurou inquérito para investigar a morte de uma mulher de 87 anos, ocorrida na noite de quinta-feira (20) no pronto-socorro municipal, onde ela aguardava vaga para internação em leito de UTI (Unidade de Terapia Intensiva).

Segundo a polícia, o prefeito Leandro Maffeis (PSL) e a secretária municipal de Saúde, Cássia Rita Santana Celestino, estiveram no local para tratar da liberação de uma vaga, mas a paciente já estava em óbito quando os policiais militares chegaram.

De acordo com o que foi apurado pelo Hojemais Araçatuba , equipe da PM foi ao pronto-socorro por volta das 20h para atender ocorrência de desinteligência, onde uma das partes seria o prefeito. Os policiais foram recebidos por Leandro Maffeis, que disse que teria sido comunicado pelos médicos sobre problema com vagas na UTI.

Transferida

Enquanto os policiais falavam com o prefeito, chegou ao pronto-socorro a secretária municipal de Saúde e os dois relataram que a idosa havia sido transferida do Hospital Unimed de Birigui para o pronto-socorro municipal.

Não foi informado por eles quando a vítima deu entrada na unidade, mas a reportagem apurou que a idosa estaria no pronto-socorro desde segunda-feira. Ao ser avaliada pelos médicos, eles teriam concluído que ela precisava de internação em leito de UTI.

Vaga

Tanto o prefeito como a secretária afirmaram à polícia que fizeram contato com a pessoa que seria responsável pelas vagas de UTI na Santa Casa de Birigui e informado sobre a necessidade de vaga para a transferência da paciente.

Entretanto, a paciente já estava em óbito, atestado por uma médica plantonista da unidade, quando os policiais chegaram ao local para atender a ocorrência.

Outros casos

Segundo o que foi informado à polícia, a secretária de Saúde disse que apresentaria documentações relacionados ao caso, pois de acordo com ela, há relatos de que esse tipo de problema teria ocorrido com outros pacientes.

O delegado que presidiu a ocorrência entendeu que em tese teria sido configurado o crime de omissão de socorro a pessoa idosa qualificada pela morte e um inquérito já foi instaurado para investigar as responsabilidades.

O corpo da idosa foi velado e enterrado em Piacatu, nesta sexta-feira (21).

Prefeitura

A Secretaria Municipal de Saúde informou que o caso dessa paciente era cirúrgico, teria sido regulado pelo pronto-socorro e designado pela Cross (Central de Regulação de Ofertas e Serviços de Saúde) para que a Santa Casa de Birigui abrisse a vaga na UTI Geral. "Portanto, o caso não está relacionado à covid-19".

Informou ainda que mais informações seriam passadas à polícia para que fossem tomadas as providências cabíveis.

Santa Casa

A reportagem também procurou a assessoria de imprensa da Santa Casa de Birigui, que informou que a paciente não deu entrada no hospital, por isso, a instituição não se pronunciaria a respeito.

O hospital afirma que a vaga para a paciente não foi solicitada e que todos os leitos de UTI estão ocupados.

Estado informa que auxiliou na regulação da paciente para a Santa Casa de Birigui

A Cross (Central de Regulação de Ofertas e Serviços de Saúde) da Secretaria de Estado da Saúde, informou ao Hojemais Araçatuba que "somente" auxiliou na regulação da paciente para a Santa Casa de Birigui, às 9h24 de quinta-feira (20). A Pasta sugeriu que os questionamentos sobre o caso fossem direcionados à unidade. 

Ainda de acordo com a Cross, a transferência de um paciente não depende exclusivamente de disponibilidade de vagas, pois depende também do quadro clínico estável que permita o deslocamento a outro serviço de saúde para a própria segurança dele.

"Importante também deixar claro que a Cross é apenas um serviço intermediário entre os serviços de origem e de referência, e funciona 24 horas por dia. Seu papel não é criar leitos, mas auxiliar na identificação de uma vaga no hospital mais próximo e apto a cuidar do caso", finaliza a nota.

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