Polícia

Jovem denuncia igreja por não batizá-lo por ser homossexual

Caso foi registrado no plantão policial de Araçatuba como injúria; cabeleireiro afirma que foi impedido de batizar por conta da sua orientação sexual, por ter unhas longas e usar brincos

Manu Zambon - Hojemais Araçatuba
07/12/21 às 15h30

Um cabeleireiro de 19 anos, morador em Araçatuba (SP), foi impedido de ser batizado em uma igreja evangélica da cidade por conta da sua orientação sexual. O caso aconteceu no último sábado (4) e foi registrado no plantão policial no domingo (5).

De acordo com o boletim de ocorrência, o jovem estava com o batismo agendado em uma igreja no bairro São João, porém, por ele usar unhas longas e brincos, e ser homossexual, o pastor não realizou o ritual. 

Para a reportagem, o cabeleireiro, que preferiu manter o nome em anonimato, disse que frequentava há um ano uma igreja pertencente à mesma denominação cristã, mas que os batismos são feitos na sede.

No dia e horário marcados, ele disse que um dos pastores presentes na sede, chamou-o e começou a falar das leis da igreja, da doutrina e ficou reparando nele. Perguntou o nome do jovem, falou das unhas longas e questionou a orientação sexual do cabeleireiro. “Eu falei que era homossexual e ele perguntou se eu estava disposto a parar de ser, porque Deus não gosta disso, a igreja não permite. Que você tem que ser hétero”.

Impedido

Segundo o jovem, ele respondeu, dizendo que se fosse da vontade de Deus fazer essa mudança depois do batismo, que estava tudo bem, mas que não deixaria de ser homossexual. “Deus não quer a minha orientação sexual e sim o meu coração”. Foi então que o pastor o impediu de ser batizado e o levou para outra sala, onde estava outro pastor.

“O pastor riu da minha cara e da minha mãe, que estava comigo, ofendeu a mim e minha mãe. Leu um versículo que não fazia o menor sentido, insistindo para eu ser hétero, porque Deus não gostava daquilo”.

O cabeleireiro e sua mãe chegaram a retrucar essas afirmações, de acordo com ele. Os demais membros da igreja onde o jovem frequenta, que estavam presentes, o levaram ambos embora do local.

A reportagem tentou contato com a igreja, até a publicação do texto, mas não havia conseguido. Caso se manifeste, a versão será incluída no material. 

Injúria

O caso foi registrado na delegacia como injúria. Segundo o artigo 140 do Código Penal, injúria consiste na conduta de ofender a dignidade de alguém, e prevê como pena, a reclusão de 1 a 6 meses ou multa.

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