Polícia

Mãe entrega adolescente à polícia após ele matar jovem a tiros no Água Branca

Investigado diz que a vítima a acusava de tê-lo “dedurado” à polícia quando os dois foram detidos por tráfico de drogas

Lázaro Jr. - Hojemamis Araçatuba
22/04/20 às 06h51

Um adolescente de 16 anos foi apreendido na noite de terça-feira (21), em Araçatuba (SP), acusado de matar a tiros o auxiliar de cozinha João Pedro Santana de Lima, 19, no bairro Água Branca.

Após o crime, o adolescente fugiu, mas foi apresentado na delegacia pela mãe dele, quando soube que ele havia sido o autor do assassinato. 

O jovem disse que matou o colega para não ser morto, pois estaria sendo acusado por ele, de tê-lo entregado à polícia quando os dois foram flagrados com drogas e presos, no ano passado.

O assassinato aconteceu por volta das 22h, na rua Victório Mazzini, residência da vítima. Segundo o que foi relatado em boletim de ocorrência, a Polícia Civil foi comunicada sobre uma tentativa de homicídio no local, tendo a vítima sido atendida pelo Samu (Serviço de Atendimento Móvel de Urgência) e levado ao pronto-socorro da Santa Casa.

A DIG (Delegacia de Investigações Criminais) foi comunicada, assim como o Instituto de Criminalística, e o delegado Paulo Natal, acompanhado de um investigador, foram para a cena do crime.

Churrasco

Os policiais apuraram que ao Jovem de 19 anos participava de um churrasco no fundo de casa dele, quando foi chamado pelo nome na frente do imóvel.

Ao sair na calçada para ver quem era, foi atingido por vários disparos de arma de fogo, caindo no local. Apesar de ter sido socorrido, Lima não resistiu aos ferimentos e morreu no hospital.

O autor dos disparos não foi localizado e após a perícia, a equipe da DIG retornou para a delegacia.

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Surpresa

Quando era registrado o boletim de ocorrência, a mãe do adolescente, uma costureira de 36 anos, também moradora no bairro Água Branca, apareceu no plantão policial, apresentando o filho, afirmando que ele havia matado o auxiliar de cozinha.

Em conversa com um investigador, o adolescente confessou a autoria do assassinato, alegando que só matou a vítima para não ser morta por ela.

Segundo o que ele relatou, os dois foram flagrados por tráfico de drogas no ano passado e, na ocasião, Lima ficou preso e o foi adolescente custodiado na Fundação Casa.

Na versão do garoto, após serem colocados em liberdade, o auxiliar de cozinha passou a acusá-lo de tê-lo entregado à polícia, resultando na prisão.

Mãe

Sobre o assassinato, o adolescente alegou que após atirar no jovem, correu para um pasto e, no caminho, perdeu o revólver que havia usado.

Contou ainda que após perder arma de fogo, seguia caminhando para casa, quando foi encontrada pela mãe, que perguntou sobre o que havia acontecido e ele confessou ter matado o jovem.

Após ouvir a confissão do filho, a mãe chamou um transporte por aplicativo e o levou até o plantão policial.

Diante da confissão, o adolescente foi apreendido por ato infracional de homicídio qualificado por impossibilitar a defesa da vítima. Ele passou a noite na carceragem no plantão policial e ficará à disposição da Vara da Infância e da Juventude.

A polícia solicitou a realização de exame grafotécnico para verificar possível vestígio de pólvora nas mãos dele pelo disparo da arma de fogo.

O corpo de vítima foi encaminhado ao IML (Instituto Médico Legal) para exame necroscópico antes de ser liberado para velório e enterro.

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