A mãe de um adolescente de 15 anos procurou a polícia nesta sexta-feira (18) em Araçatuba (SP), para denunciar que o filho dela comprou um cigarro eletrônico em uma tabacaria da cidade, pagando R$ 120,00.
Ela relatou que decidiu apresentar o aparelho na delegacia porque ouviu reportagens informando que a venda e uso desse tipo de dispositivo eletrônico seria proibida no Brasil por ocasionar problemas de saúde nos usuários.
A mulher contou à polícia que o filho dela recusou informar em qual tabacaria adquiriu o aparelho. Ainda de acordo com ela, o adolescente está no 2º ano do ensino médio, é aluno estudioso, está matriculado na “Polícia Mirim” , porém teria decidido usar o cigarro eletrônico para se integrar aos demais colegas de escola e “se sentir descolado”.
Além de apresentar o aparelho eletrônico e pedir orientações, ela solicitou providências da polícia, por entender que jamais um estabelecimento comercial deveria ter vendido um produto que entende ser proibido, ainda mais a um adolescente.
Risco
Estudo feito por pesquisadores da Coordenação de Prevenção e Vigilância do Inca (Instituto Nacional de Câncer José Alencar Gomes da Silva) aponta para os riscos à saúde pelo uso de cigarros eletrônicos.
Segundo a coordenadora de Prevenção e Vigilância do Inca, médica epidemiologista Liz Almeida, em um primeiro momento os cigarros eletrônicos foram criados para ajudar os fumantes a deixar de fumar.
Inicialmente acreditava-se que eles seriam menos tóxicos que o cigarro comum, mas com o tempo foi constatado que ele tem substâncias cancerígenas e pode conter nicotina, que desenvolve dependência.
O estudo mostrou que muitas pessoas que nunca haviam fumado antes começaram a fumar cigarro eletrônico e, de repente, passaram a experimentar e usar o cigarro comum. Ainda de acordo com Liz, muita gente a usa o cigarro eletrônico em ambiente fechado e o cigarro tradicional em ambiente externo.
Ela comenta ainda que muitos desses aparelhos têm um formato discreto, parecido com um pendrive e outros têm formatos de material escolar, o que não era percebido pelos pais.
Alerta
Ela conta ainda que o estudo revelou que os meninos que começaram a usar cigarros eletrônicos tiveram uma maior experimentação do cigarro comum em três vezes e meia e mais de quatro vezes passaram a uso regular. “Esse alerta é que o Inca está fazendo, no sentido de não aumentar o número de fumantes no Brasil”, alerta.
Ainda de acordo com Liz, o Brasil conseguiu derrubar a incidência de casos de câncer e tratar uma dependência severa é difícil e o custo disso para o País também é alto.
