A Polícia Civil de Birigui (SP) vai instaurar inquérito para investigar possível falha no atendimento a uma menina de 12 anos, que morreu no último dia 23, no pronto-socorro da cidade, com suspeita de meningite. Ana Clara da Silva Santos vinha tendo sintomas desde o dia 19, passou por atendimento em uma UBS (Unidade Básica de Saúde) e no próprio pronto-socorro, sem confirmação do diagnóstico.
O boletim de ocorrência foi registrado na tarde de segunda-feira (2), pela mãe da menina, que esteve na delegacia acompanhada do advogado Milton Walsinir de Lima.
Ela relatou que por volta das 6h do dia 19, a filha dela começou a apresentar dor de cabeça, febre, vômito e dor no pescoço. Naquela manhã a adolescente foi apresentada na UBS 9, do bairro Santana, por volta das 7h, e em consulta houve suspeita de dengue ou covid-19.
Porém, foi coletado material para os exames, que deram negativo para as duas infecções. Mesmo assim, a jovem foi medicada com soro e dipirona e como a febre e a dor de cabeça não cediam, ela foi encaminhada para o pronto-socorro de Birigui.
A mãe da menina disse que saiu com a filha da UBS por volta das 14h e chegaram ao pronto-socorro cerca de uma hora depois, com o encaminhamento em mãos, o qual foi apresentado na recepção e o atendimento feito de imediato.
Novamente a paciente recebeu soro e o médico receitou uso de soro caseiro e Dramin, liberando-a após o término da consulta.
Domicílio
A mãe da menina relatou à polícia que manteve o tratamento indicado pelo médico do PS até o 21 de abril, mas todos os sintomas descritos persistiram.
Por isso ela retornou como a filha ao pronto-socorro às 9h do dia 22, o atendimento foi feito por outro médico e novamente a paciente tratada com soro e liberada para retornar para casa com receita médica.
Segundo a mãe da adolescente, apesar dos sintomas persistirem, ela só retornou ao pronto-socorro para novo atendimento às 9h do dia 23. Na ocasião, o quadro clínico da menina havia se agravado, pois ela não andava e apresentava dificuldade para responder a qualquer tipo de estímulo.
Meningite
A mulher contou que chegando ao PS o marido dela colocou a filha do casal em uma maca e em seguida uma enfermeira chamou um médico, o mesmo que a havia atendido no dia 22. Após analisar a paciente ele teria dito que ela poderia ter contraído meningite e por volta das 10h20 disse que solicitaria um exame.
A mãe da menina disse à polícia que somente por volta das 11h30 a paciente foi encaminhada para o quarto, onde permaneceu com outras pessoas, todas adultas.
Cerca de uma hora depois o mesmo médico voltou acompanhado de uma enfermeira para nova avaliação. Já por volta das 12h30 foi decidido que a adolescente seria encaminhada para exame, que ela acredita ser uma tomografia.
Internada
Após o exame a paciente foi encaminhada para a emergência e a mãe dela aconselhada a retornar para casa e aguardar informações. A mulher disse à polícia que informou à atendente que só sairia do PS após conversar com algum médico.
Em seguida, foi atendida por um profissional médico, que afirmou que não havia sido diagnosticado nenhum tipo de tumor e havia a suspeita meningite, não sendo esclarecido se bacteriana ou viral.
Ela foi comunicada que seria solicitada a transferência para a Santa Casa de Araçatuba e seria informada caso a vaga fosse disponibilizada. A mulher então foi para a casa dela, até que volta das 18h recebeu um telefonema do pronto-socorro, e ao ser chamada no consultório médico, foi informada que a filha dela havia ido a óbito.
Foi apresentada à polícia cópia da certidão de óbito, de receita médica e de hemograma, além da cópia do cartão de acompanhamento dengue. Todo material deve ser encaminhado à DDM (Delegacia de Defesa da Mulher), responsável pela instauração do inquérito.
