Polícia

Morte de menina de 12 anos vira caso de polícia em Birigui

Começou a passar mal em 19 de abril, teve suspeita de dengue e de covid-19 e morreu 4 dias depois, com suspeita de meningite

Lázaro Jr. - Hojemais Araçatuba
03/05/22 às 16h59

A Polícia Civil de Birigui (SP) vai instaurar inquérito para investigar possível falha no atendimento a uma menina de 12 anos, que morreu no último dia 23, no pronto-socorro da cidade, com suspeita de meningite. Ana Clara da Silva Santos vinha tendo sintomas desde o dia 19, passou por atendimento em uma UBS (Unidade Básica de Saúde) e no próprio pronto-socorro, sem confirmação do diagnóstico.

O boletim de ocorrência foi registrado na tarde de segunda-feira (2), pela mãe da menina, que esteve na delegacia acompanhada do advogado Milton Walsinir de Lima.

Ela relatou que por volta das 6h do dia 19, a filha dela começou a apresentar dor de cabeça, febre, vômito e dor no pescoço. Naquela manhã a adolescente foi apresentada na UBS 9, do bairro Santana, por volta das 7h, e em consulta houve suspeita de dengue ou covid-19.

Porém, foi coletado material para os exames, que deram negativo para as duas infecções. Mesmo assim, a jovem foi medicada com soro e dipirona e como a febre e a dor de cabeça não cediam, ela foi encaminhada para o pronto-socorro de Birigui.

A mãe da menina disse que saiu com a filha da UBS por volta das 14h e chegaram ao pronto-socorro cerca de uma hora depois, com o encaminhamento em mãos, o qual foi apresentado na recepção e o atendimento feito de imediato.

Novamente a paciente recebeu soro e o médico receitou uso de soro caseiro e Dramin, liberando-a após o término da consulta.

Domicílio

A mãe da menina relatou à polícia que manteve o tratamento indicado pelo médico do PS até o 21 de abril, mas todos os sintomas descritos persistiram. 

Por isso ela retornou como a filha ao pronto-socorro às 9h do dia 22, o atendimento foi feito por outro médico e novamente a paciente tratada com soro e liberada para retornar para casa com receita médica.

Segundo a mãe da adolescente, apesar dos sintomas persistirem, ela só retornou ao pronto-socorro para novo atendimento às 9h do dia 23. Na ocasião, o quadro clínico da menina havia se agravado, pois ela não andava e apresentava dificuldade para responder a qualquer tipo de estímulo.

Meningite

A mulher contou que chegando ao PS o marido dela colocou a filha do casal em uma maca e em seguida uma enfermeira chamou um médico, o mesmo que a havia atendido no dia 22. Após analisar a paciente ele teria dito que ela poderia ter contraído meningite e por volta das 10h20 disse que solicitaria um exame.

A mãe da menina disse à polícia que somente por volta das 11h30 a paciente foi encaminhada para o quarto, onde permaneceu com outras pessoas, todas adultas. 

Cerca de uma hora depois o mesmo médico voltou acompanhado de uma enfermeira para nova avaliação. Já por volta das 12h30 foi decidido que a adolescente seria encaminhada para exame, que ela acredita ser uma tomografia.

Internada

Após o exame a paciente foi encaminhada para a emergência e a mãe dela aconselhada a retornar para casa e aguardar informações. A mulher disse à polícia que informou à atendente que só sairia do PS após conversar com algum médico.

Em seguida, foi atendida por um profissional médico, que afirmou que não havia sido diagnosticado nenhum tipo de tumor e havia a suspeita meningite, não sendo esclarecido se bacteriana ou viral.

Ela foi comunicada que seria solicitada a transferência para a Santa Casa de Araçatuba e seria informada caso a vaga fosse disponibilizada. A mulher então foi para a casa dela, até que volta das 18h recebeu um telefonema do pronto-socorro, e ao ser chamada no consultório médico, foi informada que a filha dela havia ido a óbito.

Foi apresentada à polícia cópia da certidão de óbito, de receita médica e de hemograma, além da cópia do cartão de acompanhamento dengue. Todo material deve ser encaminhado à DDM (Delegacia de Defesa da Mulher), responsável pela instauração do inquérito.

Secretaria de Saúde afirma que foram realizados todos os procedimentos obrigatórios

A Secretaria de Saúde de Birigui emitiu nota sobre o caso, afirmando que segue o manual técnico de doenças e agravos de notificação compulsório, como a meningite, que preconiza uma conduta padronizada. "Desta forma, foi realizado todos os procedimentos obrigatórios", informa.

Segundo a Pasta, a equipe da Vigilância Epidemiológica realizou a notificação, acompanhamento da família e demais comunicantes, bem como a quimioprofilaxia, e segue acompanhando o caso.

Ainda de acordo com a Prefeitura, também foram solicitadas informações à BHCL (Beneficência Hospitalar de Cesário Lange), sobre o atendimento prestado à criança no pronto-socorro municipal, pois a entidade gerencia a unidade de saúde.

Dengue

Em nota, a BHCL informou que ao procurar atendimento a mãe da paciente relatou que ela havia feito exame na UBS do bairro Santana, sendo notificada para dengue em 19 de abril.

"Em seu primeiro atendimento no PSM em 19 de abril, às 16h23, foi realizada a prova do laço, que apresentou resultado positivo, sendo a menina tratada como dengue por apresentar sinais e sintomas característicos da doença. E como estamos em período de epidemia seguiu continuidade de suspeita de dengue", informa a nota.

Já no dia 22 ela deu entrada novamente às 18h07, com diagnóstico prévio de dengue e sinais e sintomas característicos da doença, sendo realizados soroterapia e medicação perante os sintomas no momento da consulta. Às 21h a paciente teve melhora do quadro inicial recebendo alta da unidade.

"No dia 23 ela deu entrada às 9h16 apresentando piora do quadro clínico, sendo imediatamente abordada e encaminhada para o setor de isolamento da emergência, já com suspeita de meningite", informa.

Segundo a BHCL, foi realizada Tomografia Computadorizada de crânio, coleta de liquor cefalorraquidiano, antibioticoterapia de amplo espectro, hemograma, para melhor segmento do caso e estabilidade clínica devido sua gravidade.

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