Exames preliminares realizados pelo IML (Instituto de Criminalística) apontam que a causa da morte do motorista por aplicativo Glauber Humberto Florentino, 35 anos, foi um golpe sofrido com uma pá na região abdominal.
A informação foi divulgada durante entrevista coletiva concedida nesta quinta-feira (30) pelos delegados da DH/Deic (Delegacia de Homicídios da Divisão Especializada de Investigações Criminais), após a prisão de um segundo acusado de participação no crime.
Ele é irmão do outro acusado, que havia sido preso no dia 12 deste mês, quando indicou que o corpo da vítima estava enterrado em um canavial no município de Bento de Abreu. Ainda de acordo com a polícia, essa informação do IML descarta a possibilidade de que Florentino pudesse ter sido enterrado ainda com vida.
Irmão
A reportagem do Hojemais Araçatuba tinha conhecimento de indícios da participação do irmão do primeiro acusado havia vários dias, mas não divulgou a pedido da polícia, para não atrapalhar as investigações.
Ele havia sido ouvido na semana seguinte à prisão do irmão e confirmado participação apenas na ocultação do cadáver, o que não convenceu a equipe de investigação.
O inquérito prosseguiu e a polícia conseguiu contato com a pessoa que havia adquirido o carro da vítima, uma Ford Ecosport, que foi restituído.
Também ficou comprovado, por meio de cópias de mensagens de celular, que o objetivo do primeiro investigado sempre foi roubar o carro de Florentino. Inclusive, de acordo com a polícia, ele já vinha negociando o veículo desde fevereiro.
Encontro
Durante a entrevista coletiva, o delegado Paulo Natal confirmou que o que atraiu a vítima para a morte no dia 1º de março foi mesmo a possibilidade do encontro amoroso com o primeiro preso. Eles se conhecerem por meio de um aplicativo de relacionamento, já teriam se encontrado outras vezes e esta seria a primeira vez que teriam relação sexual, na versão do acusado.
O motorista por aplicativo o pegou no condomínio de apartamentos onde ele residia, em Araçatuba, e os dois seguiram com o carro dele para Bento de Abreu, cidade onde o investigado já residiu.
Diferentemente da primeira versão, na qual o acusado disse que eles discutiram por causa do carro e por isso agrediu vítima com um soco, desta vez, o investigado alega que usou um fio elétrico para enforcá-la e ameaçá-la de morte.
Ele contou ainda que em seguida colocou Florentino no porta-malas com as mãos e pés presos com fita adesiva e depois colocou quatro comprimidos na boca dele, na intenção de confirmar a morte.
“O próprio autor fala (em depoimento) que depois que ele matou a vítima, ele achou os quatro comprimidos debaixo do carpete do porta-malas. Então a vítima fez que ingeriu o comprimido, mas não ingeriu”, contou o delegado.
Irmão
A participação do irmão dele teria início a partir do momento em que o acusado de planejar o roubo o procurou, no sítio onde reside, em Bento de Abreu, pedindo ajuda, dizendo que “teria feito uma coisa errada”. O irmão dele pegou a pá e os dois juntos seguiram para o canavial, com a vítima ainda dentro do porta-malas, pois eles imaginavam que o motoristo teria morrido.
Chegando no canavial eles mantiveram a vítima no porta-malas, abriram a cova para enterrá-la. Em seguida, os dois retiraram Florentino do porta-malas, colocaram no buraco feito na terra e voltaram para o veículo, onde pegaram um frasco com álcool. “Segundo eles, seria para limpar o corpo da vítima e limpar as mãos deles, pois achavam que com isso, fossem tirar a impressão digital da vítima. A gente acha também, que possivelmente eles poderiam atear fogo na vítima”, acrescentou Natal.
Correu
Quando retornaram para onde o motorista por aplicativo estava, já de posse do frasco com álcool, ele teria implorado para não ser morto. “Aí eles viram que (a vítima) não estava inconsciente, a vítima tentou correr, correu pelo canavial, o irmão, preso ontem, correu atrás da vítima, o outro cercou e eles pegaram a vítima, que no intuito de correr acabou caindo”, contou.
Ainda na versão dos investigados, o acusado que atraiu Florentino para o suposto encontro amoroso passou a chutá-lo, enquanto o irmão dele, utilizando a pá que havia sido usada para fazer a cova, passou a agredi-lo, tanto na cabeça como no abdômen, vindo inclusive a quebrar o cabo da ferramenta.
“A divergência que existe é que o que foi preso ontem fala que os dois bateram e o irmão, diz que apenas deu chutes”, explicou o delegado.
