Polícia

PM é preso por atirar no irmão, que também foi preso por agredir a mãe

Policial trabalha no Rio de Janeiro e teria atirado nove vezes contra o irmão, na casa da família, em Araçatuba

Lázaro Jr. - Hojemais Araçatuba
23/09/19 às 11h32

Um policial militar de 33 anos, que trabalha no Rio de Janeiro, foi preso em flagrante por tentativa de homicídio. Ele é acusado de ter atirado nove vezes contra o próprio irmão, um carpinteiro de 35 anos.

A vítima atingida por um dos disparos no ombro, próximo ao peito, também foi presa pela lei Maria da Penha, acusada de agredir a mãe deles.

Os crimes aconteceram na madrugada de domingo (22), no residencial Águas Claras, onde mora a mãe dos presos, uma aposentada que tem 53 anos.

Segundo o que foi informado à polícia, o caso começou quando o carpinteiro derrubou um aparelho de som durante uma festa de casamento de uma sobrinha da vítima. Segundo a mãe dele, ele aparentava estar sob efeito de entorpecentes.

Para evitar que o filho arrumasse mais confusão, a aposentada decidiu chamá-lo para irem embora.

Ela dirigia o carro tendo o filho, a nora e um neto de 1 ano e 3 meses e no trajeto para casa, o acusado insistia para que acionasse o freio, para fazer com que um carro que estava atrás batesse no deles. Como atendeu, a mãe passou a ser xingada pelo filho.

Quando já estavam em casa, o carpinteiro voltou a causar confusão e teria arremessado um tênis na mãe e jogado um pallet de madeira na porta da sala, quebrando o vidro.

Em seguida, taria dado um soco no peito da aposentada, que caiu e passou a ser chutada por ele.

O carpinteiro teria caído durante as agressões e nesse momento a mulher correu para o carro. Antes de deixar a casa, o acusado teria dado socos em uma das portas do veículo, causando danos.

A aposentada voltou para a festa antes de ir à delegacia registrar o boletim de ocorrência e pedir as medidas protetivas previstas na lei Maria da Penha.

Tiros

O irmão do acusado foi preso após policiais militares serem informados de disparos de arma de fogo em uma casa na rua Padre Angelo Rudelo, no Águas Claras.

Eles surpreenderam o PM do Rio de Janeiro dentro de um Fiat Siena. Ao ver a viatura, o acusado teria acenado com a mão, se apresentado como policial e entregado a arma e a funcional.

Teria ainda alegado que iria buscar socorro para o irmão, ferido por estilhaços de um dos disparos feitos por ele como forma de advertência. Segundo ele, o carpinteiro estaria segurando um objeto metálico, aparentemente uma faca.

Colher

Os policiais que registraram a ocorrência disseram que a casa estava trancada e que encontraram o carpinteiro bastante alterado e com um ferimento no ombro esquerdo.

Ainda segundo o que foi relatado, após muita insistência, ele concordou em abrir a porta e jogou no chão um objeto metálico, que depois viram ser uma colher, que não foi apreendida.

Segundo os policiais militares que atenderam a ocorrência, o carpinteiro estava muito alterado e não conseguia explicar o que havia acontecido. Ele foi socorrido por equipe de resgate do Corpo de Bombeiros e levado para o pronto-socorro da Santa Casa.

Perícia

A casa onde aconteceram os crimes foi periciada e nela encontrados nove cartuchos deflagrados de pistola calibre 380.

A pistola calibre 380 do policial foi apreendida junto com três carregadores, sendo dois deles com dez munições e um com 12. No carro do PM havia uma pistola de brinquedo, que também foi apreendida.

Ao ser comunicado dos fatos, equipe da Polícia Civil acompanhou a perícia e depois foi ao hospital. Os policiais foram informados que o carpinteiro deu entrada bastante alterado, com projétil alojado no peito, próximo à clavícula.

O paciente recebeu uma dose de calmante, dormiu e após ser medicado, foi liberado e levado para o plantão policial.

Tentativa de homicídio

Para a Polícia Civil, apesar da versão apresentada pelo PM, ficou configurado que houve uma tentativa de homicídio.

De acordo com o que foi relatado à Justiça, há indícios de que o PM perseguiu o irmão segurando a arma de brinquedo na mão, com o objetivo de matá-lo e posteriormente alegar legítima defesa.

Em depoimento, o policial disse que o irmão foi ferido por estilhaçoes no banheiro, mas foi constatado que havia manchas de sangue no corredor da casa, indicando que o carpinteiro teria sido baleado nesse local.

Ferido, ele teria entrado na casa e trancado a porta da cozinha. Impedido de entrar, o policial teria dado a volta na casa, entrado pela porta da sala e atirado novamente dentro do banheiro.

Para a Polícia Civil, como não conseguiu acertar o irmão, ele pretendia fugir e foi surpreendido no carro pelos policiais militares que atendiam a ocorrência de disparo de arma de fogo.

A Polícia Civil considerou ainda que não ficou configurada a legítima defesa, por entender que a mãe deles já não estava em casa quando ocorreram os disparos.

Preso em flagrante, o policial foi entregue ao comando da Polícia Militar, que o apresentou em audiência de custódia. O irmão dele também foi preso em flagrante para ser apresentado em audiência de custódia.

Segundo apurado pelo Hojemais Araçatuba , os dois tiveram o direito à liberdade durante audiência no Fórum e vão responder em liberdade.

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