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Polícia Civil de Araçatuba prende 3 investigados por suspeita de fraude na oferta de financiamento para imóveis

Prisões ocorrem 11 dias após buscas em um escritório na região central da cidade, que teria recebido 57 pessoas

Lázaro Jr. - Agência Trio Notícias
13/10/26 às 12h56
Casal está entre os presos temporariamente (Foto: Reprodução)

A Polícia Civil de Araçatuba (SP) prendeu na manhã desta terça-feira (13), três pessoas, sendo que duas delas formam um casal, que estão relacionadas a uma investigação sobre possível fraude envolvendo a oferta de imóveis anunciados em rede social.

As prisões ocorrem 11 dias após a polícia cumprir mandado de busca em um escritório montado em um edifício comercial na região central da cidade, que seria utilizado pelos investigados.

Esse escritório seria utilizado para receber os interessados nos anúncios dos imóveis e nele funcionaria uma empresa registrada em nome da mulher investigada. Na ocasião, no local foram apreendidos celulares, dispositivos eletrônicos e anotações de natureza contábil.

Imóveis fake

A investigação é realizada pelo Setor de Crimes Virtuais da CPJ (Central de Polícia Judiciária) de Araçatuba, conduzido pelo delegado Leandro Teófilo. Ele explicou que as possíveis vítimas eram atraídas por anúncios de imóveis que seriam fictícios, pois não estariam disponíveis para a venda.

“Esses imóveis eram anunciados, as vítimas atraídas e acabavam investindo nessa falsa ideia de aquisição imobiliária” , informa. Ainda de acordo com ele, as vítimas eram convencidas a pagar uma entrada, sobre o pretexto de que esse valor iria para uma instituição bancária conveniada.

Porém, o que a investigação apontou era que elas eram induzidas indevidamente a participarem de um suposto consórcio, com a promessa de que o crédito seria liberado em no máximo 90 dias, o que não acontecia.

Prejuízo

O delegado revelou que após a investigação tornar-se pública com a divulgação sobre a operação para o cumprimento do mandado de busca no escritório, uma nova vítima entrou em contato informando ter caído no suposto golpe.

Essa pessoa relatou ter pago R$ 23.000,00 como entrada para obter um suposto financiamento de R$ 253.000,00. Assim como as outras possíveis vítimas, ela recebeu um “token” para fazer o pagamento e dar prosseguimento à suposta contratação.

Entretanto, posteriormente foi constatado que esse “token” não teria qualquer vínculo com a instituição bancária indicada pelos envolvidos, como sendo a destinatária dos recursos.

Mandados

No decorrer da investigação, a polícia recebeu a informação que 57 pessoas passaram pelo escritório que era utilizado pelos investigados e identificou ao menos outras duas possíveis vítimas que teriam sofrido prejuízos estimados em R$ 25.000,00 cada.

Diante do que foi apurado, a Polícia Civil representou pelas prisões temporárias e pela realização de novas buscas, agora para as casas dos investigados. Como dois deles formam um casal, foram cumpridos os três mandados de prisão temporária e dois mandados de busca e apreensão.

Livro sobre persuasão está entre os materiais apreendidos (Foto: Divulgação)

Treinados

Durante as buscas, a polícia apreendeu na residência do casal investigado, livros relacionados a técnicas de persuasão e convencimento. Também foram recolhidos celulares e placas que poderiam estar sendo utilizadas para identificar os imóveis que supostamente estariam relacionados aos financiamentos.

Para dar credibilidade ao negócio, essas placas teriam inscrições de instituições financeiras reconhecidas nacionalmente. Além disso, os investigados também utilizariam uma cooperativa que seria relacionada ao suposto consórcio.

“Aparentemente, pelo que a equipe de investigação tem levantado, eles diziam às pessoas que esse crédito seria levantado por meio de cooperativas, com certa credibilidade, mas que não havia problema nenhum, desde que eles arranjassem esses valores para dar de entrada” , contou.

Investigação

As prisões inicialmente são pelo prazo de 5 dias, mas podem ser prorrogadas pelo mesmo período e a polícia pode até representar pela decretação das prisões preventivas, dependendo do que for apurado no decorrer das investigações. Não está descartada a existência de outras possíveis vítimas.

Inicialmente o caso é investigado como estelionato mediante fraude eletrônica, pois os investigados utilizaram o Facebook para promover os anúncios, e associação criminosa. “São três pessoas envolvidas, sendo que cada uma supostamente desempenhava um papel nessa trama” , finalizou.

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