Projeto apresentado pelo secretário municipal de Assistência Social (Foto: Lázaro Jr.)
“Não é só mudar de endereço, é trazer uma nova lógica de acolhimento, que essa criança tenha a possibilidade, no momento que ela mas precisa, ela estar numa família”
. As palavras são do secretário de Assistência Social de Araçatuba (SP), Edson Neves Terra Júnior, para definir o que representa o SFA (Serviço de Acolhimento em Família Acolhedora), durante evento de lançamento realizado na última quinta-feira (8), no Paço Municipal.
O projeto permite que famílias possam oferecer acolhimento temporário a crianças e adolescentes que, devido a situações de violência, negligência ou outras violações graves de direitos, precisam ser afastados do convívio familiar por determinação judicial.
Segundo o que foi informado, a estrutura do SFA tem capacidade para acompanhar até 15 famílias acolhedoras. Até quinta-feira, uma família já havia sido habilitada como voluntária e estava acolhendo provisoriamente uma criança, até que a Justiça decida se ela voltará para a família de origem ou será encaminhada para adoção.
Ruptura
Emocionado, o secretário disse ao público presente na cerimônia, que esse projeto rompe uma história de acolhimento institucional teve início no Brasil há 300 anos. Ele foi baseado principalmente na existência de orfanatos.
Segundo Terra Júnior, no início da década de 2010 esse modelo deixou de existir em Araçatuba, com a criação de residências para o acolhimento dessas crianças. Entretanto, ainda assim, foi mantido o sistema de acolhimento institucional,
“Coube à nós da Assistência Social, a essa equipe, trazer uma ruptura nesses 300 anos de acolhimento. Nós estamos hoje em Araçatuba, fazendo uma ruptura de uma lógica de acolhimento institucional”
, afirmou.
Referências
Ele comentou que é humanamente impossível que as pessoas que trabalham nas residências que abrigam essas crianças possam oferecer afeto a 20 crianças ao mesmo tempo, que precisam de atenção.
Por isso, considera que a instituição desse programa é um marco para Araçatuba.
“Não é só mudar de endereço, é trazer uma nova lógica de acolhimento, para que essa criança tenha a possibilidade, no momento que ela mas precisa, ela estar numa família”
, argumentou.
Ainda de acordo com o secretário, com o projeto Família Acolhedora, a criança que é beneficiada, deixa de ser um número e passa a ter a oportunidade de reconhecer figuras.
“O que estamos fazendo de fato é mudando uma lógica”
, disse.
Ele explicou que as crianças são como um papel em branco que precisam ser impactadas por ensinamentos, para que um dia elas olhem para trás e terem uma identidade, a partir de referências, que são as pessoas com as quais elas conviveram.
Oportunidade de marcar uma vida
A primeira-dama Priscila Zanatta, que participou da cerimônia de lançamento do programa do Serviço de Acolhimento em Família Acolhedora, comentou que o projeto dá a oportunidade para que pessoas possam marcar a vida de crianças que são afastadas da família original.
Para ela, o projeto é uma resposta para as crianças e adolescentes, pois permite dar valor e dignidade às vidas deles, quando eles são retirados de seus lares.
“É uma oportunidade de você marcar a infância de uma criança ou um adolescente”
, afirmou.
Priscila comentou que já ouviu pessoas comentando sobre o receio de se apegarem a essas crianças, já que o acolhimento é temporário. Porém, reforçou que independentemente de permanecer com essa criança por 6 meses ou até 1 ano e meio, ela será impactada pela vida toda.
“Vale a pena marcar por uma vida toda, dando dignidade, valores, amor, nos gestos do dia a dia”
, disse.
E comentou que para muitas dessas crianças, é importante que elas tenham experiência de convivência familiar, de ter uma rotina, pois muitas sequer tem essa experiência de um café da manhã em família ou até mesmo de ter alguém com quem assistir um filme.
“Que essas crianças tenham marcas profundas de valores, amor, de acolhimento para a via inteira delas”
, declarou, afirmando que o projeto implantado em Araçatuba pode ser um exemplo para outros municípios.
Foi acolhida
A vice-prefeita Nice Zucon (PL) revelou durante a cerimônia, que ela viveu na infância uma experiência de acolhimento e que isso foi bom para ela, que foi levada para viver com os patrões do pai dela, ainda criança.
“Eu saí de casa criança e fui morar no emprego. Mas eu sou privilegiada por Deus, pois eu fui para um lar onde eu tive respeito, onde as pessoas me respeitavam. E quando falam da família acolhedora, não é diferente de mim, porque eles me acolheram”
, contou.
O prefeito Lucas Zanatta (PL) contou que recentemente a família dele teve a oportunidade de receber em casa uma criança órfã, por meio de um programa internacional, e que também foi uma ótima experiência para todos.
Por isso, ele considera que o Serviço de Acolhimento em Família Acolhedora ajudará a amadurecer a cidade, que algumas famílias irão se sacrificar, mas que o resultado será coletivo.
Como se tornar uma família acolhedora
O Serviço de Acolhimento em Família Acolhedora de Araçatuba está vinculado ao Departamento de Proteção Social Especial da Secretaria Municipal de Assistência Social e foi implantado através da lei municipal 9.088/2026.
Ele está alinhado ao ECA (Estatuto da Criança e do Adolescente) e conta com uma equipe técnica multidisciplinar para selecionar, capacitar e apoiar as famílias voluntárias, além de manter a articulação com os serviços de saúde, assistência social e demais equipamentos da rede para acompanhar as crianças, segundo o secretário municipal de Assistência Social, Edson Terra Júnior.
A pessoa ou família interessada pode fazer uma
pré-inscrição aqui
, no site do Programa Família Acolhedora, para iniciar o processo de avaliação técnica. A própria equipe do serviço entrará em contato pelo WhatsApp.
O processo de habilitação inclui entrevista presencial, entrega de documentos, visitas domiciliares, avaliação psicossocial de todos os integrantes da família, capacitação e treinamento, conclusão da habilitação e, posteriormente, início do acolhimento.
Quem pode
Podem se inscrever homens e mulheres maiores de 21 anos que residam em Araçatuba e não estejam cadastrados na fila de adoção. É necessário ter disponibilidade emocional e tempo para o cuidado, interesse genuíno em acolher e proteger e participar obrigatoriamente das etapas de capacitação.
A família aprovada recebe subsídio correspondente a 70% do salário mínimo por criança ou adolescente acolhido. O valor ajuda a cobrir despesas básicas relacionadas ao acolhimento, como alimentação, vestuário, transporte e higiene, entre outras.
Proteção
O Poder Judiciário autoriza o acolhimento e concede a guarda provisória à família acolhedora. A equipe do SFA monitora o contato da criança ou do adolescente com a família de origem, que ocorre na sede do serviço, localizada no Jardim Sumaré.
A dirigente administrativa do Família Acolhedora, Marcela Silva Flores de Gois, explica que o acolhimento familiar permite que a criança ou o adolescente receba cuidados individualizados e proteção adequada durante o período em que estiver afastado da família de origem.
Ela reforça que o acolhimento é temporário e ocorre enquanto são avaliadas as possibilidades de retorno da criança ou do adolescente à família de origem.
“Quando a reintegração não é possível, o caso pode seguir para encaminhamento à adoção. A família acolhedora não pode solicitar a adoção do menor”
, explica.
Serviço
Serviço de Acolhimento em Família Acolhedora
Endereço: Rua Bahia, 1.030, Jardim Sumaré
Site para pré-inscrição: www.aracatuba.sp.gov.br/familiaacolhedora
Mais informações: telefone (18) 3608-2728 ou e-mail
familia.acolhedora@aracatuba.sp.gov.br