A Polícia Civil de Birigui (SP) instaurou inquérito para investigar possível crime de estelionato, consumado pela venda de produtos ortopédicos a pacientes atendidos no pronto-socorro municipal da cidade.
A denúncia foi feita pelo advogado Danilo Vinhoto, que registrou boletim de ocorrência em nome de uma paciente que afirmou ter pago R$ 120,00, mediante transferência Pix, por um acessório, ao procurar atendimento no dia 19, com queixa de dores em um dos pés.
Ainda de acordo com a denúncia, após passar por exame de raio-X a paciente foi encaminhada à sala da Ortopedia. O técnico em imobilização teria avaliado a imagem do exame de raio-X pelo celular, afirmado que havia sido confirmada a fratura, com a necessidade de imobilização.
Porém, aproveitando-se da vulnerabilidade da paciente, ele teria imposto a ela, a confecção de um aparelho gessado para imobilização e cobrado R$ 120,00 pelo acessório, mediante transferência por Pix.
Investigação
A reportagem apurou que ao tomar conhecimento dos fatos, o delegado Eduardo Lima de Paula encaminhou ofício à direção do pronto-socorro municipal de Birigui, pedindo informações detalhadas sobre o atendimento a essa paciente.
Ele requereu a identificação dos funcionários e prestadores de serviço que atuaram no Setor de Ortopedia no sábado em que a paciente foi atendida e a cópia de eventuais procedimentos administrativos disciplinares instaurados para a apuração da conduta.
Comprovantes
Ainda segundo o que foi apurado pela reportagem, o advogado já esteve na delegacia e apresentou formalmente a cópia da ficha de atendimento ambulatorial, que consta o atendimento médico e a conduta ortopédica.
Também foi apresentado o comprovante de transferência bancária via Pix, realizado naquele sábado, no valor de R$ 120,00, quantia que teria sido exigida pelo agente que realizou a imobilização gessada sob o pretexto de cobrança por material de uso hospitalar.
Estelionato
Ao analisar o material apresentado até o momento, a autoridade policial considerou ter sido configurado em tese, a prática do crime de estelionato, por possível indução da vítima em erro, para obtenção de vantagem ilícita por parte do prestador de serviços em unidade de atendimento pública.
Assim, foi instaurado o inquérito policial e no decorrer das investigações também podem ser apurados outros possíveis crimes, como infrações contra a administração pública ou exercício ilegal de profissão/atividade.
A polícia deverá colher o depoimento formal da vítima e, após confirmar a identificação do técnico em imobilização responsável pelo atendimento, ele também deverá ser intimado a prestar esclarecimentos sobre o caso, para conclusão das investigações.
