Polícia

Polícia Civil prende suspeito de molestar enteada em Birigui

Investigado tem um filho com outra enteada, com a qual teve um caso quando ela tinha 16 anos; ele nega acusação

Lázaro Jr. - Hojemais Araçatuba
31/08/20 às 18h12

A Polícia Civil de Birigui (SP) prendeu, nesta segunda-feira (31), um servente de pedreiro de 46 anos, acusado de molestar uma enteada dele, hoje com 11 anos de idade. A prisão é temporária e foi determinada pela Justiça local após o Conselho Tutelar denunciar o caso à polícia na semana passada.

Na terça-feira (25), a criança foi ouvida na DDM (Delegacia de Defesa da Mulher) de Birigui. Ela contou que morava com a mãe e o padrasto, que desde quando ela tinha 5 ou 6 anos, passava as mãos no corpo dela. Segundo a vítima, o investigado oferecia doces a ela em troca das carícias nas partes íntimas.

A menina falou ainda que decidiu relatar o assédio para uma irmã, que a levou para morar com ela. Depois disso, na versão dela, o padrasto as teria procurado, pedido desculpas e fugido em seguida.

Reincidente

De acordo com a polícia, duas irmãs da vítima, ambas maiores de 18 anos, também foram ouvidas e relataram terem sido vítimas do investigado em 2015. Elas disseram que na ocasião contaram os abusos à mãe delas, que não teria acreditado na versão.

Uma delas, a que levou a irmã de 11 anos para a casa dela, inclusive, tem um filho com o padrasto.

O Hojemais Araçatuba apurou que a mãe da criança também foi ouvida. A mulher, que tem 37 anos, conviveu com o investigado por 11 anos e tem quatro filhos com ele.

Ela disse à polícia que na segunda-feira foi procurada pela filha dela de 21 anos, relatando que havia levado a irmã para a casa dela, após a menina ter relatado os abusos. A mulher disse à polícia que foi impedida pela filha mais velha de falar com a criança.

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Neto

De acordo com a mãe da vítima, cerca de quatro atrás essa filha dela teve um relacionamento amoroso com o padrasto.

Ela engravidou, foi morar com ele, mas depois de um tempo todos voltaram viver juntos na mesma casa. Depois disso a filha dela iniciou outro relacionamento, foi morar com o marido e a avó ficou com a guarda do neto.

Ainda de acordo com a mulher, na ocasião a filha disse que manteve relacionamento com o padrasto para se vingar dela e para tentar ajudar o pai dela, que teria interesse em voltar a viver com a mãe.

Negou

A mulher disse à polícia que assim que chegou em casa na segunda-feira, contou o ocorrido ao companheiro dela, que negou as acusações. Entretanto, ele disse que não queria prejudicá-la e aceitou sair de casa.

A mãe da vítima disse à polícia que acredita no que foi dito pela filha dela, pois quando saía para trabalhar o companheiro ficava em casa com oito crianças, entre elas, o neto, que também é filho dele.

Abrigo

A mulher revelou ainda que os filhos dela já passaram um tempo em um abrigo por terem apanhado do companheiro dela, que na época seria muito agressivo. Entretanto, afirma que hoje ele é mais calmo.

A mãe da menina disse em depoimento que procurou o Conselho Tutelar, que teria se negado a atendê-la, pedindo que procurasse a polícia para solicitar medida protetiva para a filha.

Por fim, a mulher argumentou que apesar de não ser vítima do investigado e não querer medidas protetivas contra ele, representa pelas medidas protetivas em favor da filha dela, para que ele não se aproxime da filha.

Investigado nega ter molestado a enteada

Após ser preso, o servente de pedreiro negou à polícia ter molestado a enteada de 11 anos. Ele disse que na tarde da outra segunda-feira a enteada com a qual tem um filho, foi à casa dele acompanhada do marido e o chamou de pedófilo.

Ele disse que depois disso procurou a casa da sogra da enteada dele para questionar o que estava acontecendo, porém, novamente foi xingado e ameaçado de linchamento.

Após contar o que havia ocorrido à companheira dele, ela foi à casa da filha mais velha. Ao retornar, confirmou que ele estava sendo acusado de ter abusado sexualmente da enteada e pediu que fosse embora até que a Justiça fosse feita.

Ainda de acordo com ele, a companheira lhe deu R$ 50,00 para passar a noite e no outro dia ele foi com um irmão para a casa da mãe dele. Entretanto, o investigado afirmou que não fugiu e que só foi embora por medo de ser linchado.

Invenção

Na versão dele, a criança teria inventado essa história na Delegacia da Mulher, por influência das irmãs mais velhas, que não gostam dele. Disse ainda que elas teriam prometido se vingar dele, acreditando que ele foi o responsável pela mãe ter se separado do pai delas.

O investigado confirmou o relacionamento com a enteada quando era adolescente, mas disse que a relação que teve com ela foi consensual e nunca abusou sexualmente dela.

O caso foi registrado como estupro de vulnerável e um inquérito foi instaurado pelo delegado Marcel Basso, responsável pela investigação.

A prisão do servente de pedreiro é pelo prazo de 30 dias, período em que serão realizadas as diligências necessárias para que o caso seja relatado à Justiça.

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