A Polícia Militar de Birigui (SP) recolheu cinco potes de vidro com maconha nesta terça-feira (5), encontrados em uma residência na região central da cidade, que funcionaria com um espaço para cultivo doméstico de Cannabis sativa, que é o pé de maconha.
A equipe foi até o imóvel após ser chamada para atender ocorrência, na qual um dos moradores pediu ajuda, alegando que estaria sendo "drogado" pelo companheiro. Chegando à casa, os policiais constataram que ela era compartilhada pelos dois jovens e encontraram a estrutura de cultivo doméstico da maconha.
Segundo o que foi relatado, no local havia uma estufa artesanal, cinco potes de vidro com a droga já colhida e desidratada. Também havia uma balança de precisão e anotações sobre o manejo da plantação.
Alterado
Ainda segundo a polícia, o jovem que fez o chamado apresentava comportamento alterado, estava com o rosto pintado de vermelho e alegou que fazia uma "homenagem aos povos indígenas".
O outro morador na casa contou que os dois residem juntos havia cerca de um ano e admitiu ser o responsável pelo cultivo da planta. Na versão dele, trata-se de uma alternativa terapêutica para tratar quadros de ansiedade e evitar o contato com o tráfico organizado, chamado de "bocas de fumo".
Ele afirmou ainda possuir receita médica para canabidiol e que toda a droga encontrada era para consumo do casal. Porém, admitiu já ter fornecido porções de maconha para um colega de trabalho em duas ocasiões distintas, para uso recreativo gratuito.
Surto
Sobre o chamado feito à polícia, esse jovem negou qualquer agressão. Ele disse que estava jogando videogame e gritando e isso pode ter servido de gatilho para o companheiro entrar em "surto".
O jovem que acionou a polícia confirmou que teria sofrido um "surto" paranoico e passado a acreditar que estaria sendo drogado pela companheiro dele, além de a família estar manipulando a mente dele.
Ele alegou possuir histórico de depressão e ansiedade e admitiu que faz uso da planta como forma de controle mental, ao invés de buscar tratamento médico formal no momento.
Por fim, confirmou a versão do cultivo doméstico para fins medicinais e de autoconsumo, sem a intenção de "alimentar o tráfico". De acordo com ele, a quantidade de droga estocada seria suficiente para quatro meses de uso pelo casal.
Liberados
O delegado Eduardo Lima de Paula esteve na residência durante o atendimento à ocorrência e, com base no que foi apurado, considerou que inicialmente ficou configurado o porte de drogas para consumo pessoal.
Porém, devido ao fato de um dos jovens ter revelado já ter fornecido droga a terceiros, o que poderia configurar o crime de tráfico privilegiado, foi decidido pela apreensão dos celulares dos dois para análise do conteúdo.
O caso foi registrado como drogas para consumo pessoal sem autorização ou em desacordo e após serem ouvidos, os investigados foram liberados. O material encontrado na residência ficou apreendido.
