Polícia

Religioso é esfaqueado pelo amigo após revelar suposta traição

Jovem pediu para ele receber "entidade", pois queria informações da companheira após brigar com ela e ela ir à festa de aniversário da filha de outro relacionamento

Lázaro Jr. - Hojemais Araçatuba
02/05/22 às 17h22

Um homem que irá completar 25 anos na próxima quarta-feira (4) foi preso na manhã desta segunda-feira (2) junto com outro de 34, após se esfaquearem mutuamente durante briga em um terreno baldio no bairro Alvorada, em Araçatuba (SP).

O motivo da briga, conforme foi apurado preliminarmente pela polícia, teria sido a informação prestada por uma “entidade” incorporada pelo mais velho, revelando que a mulher do mais novo estaria em uma festa com o ex-marido.

A mulher que seria pivô do desentendimento teria sido agredida pelo acusado, mas recusou atendimento médico e não quis representar criminalmente contra ele. Outra mulher, irmã de um dos envolvidos, sofreu um corte na mão, foi atendida na Santa Casa e liberada.

Os dois investigados receberam atendimento médico, sendo que o mais velho recebeu alta e foi levado para o plantão policial, enquanto o mais novo foi submetido a cirurgia e permaneceu sob escolta policial.

Caso

A reportagem apurou que pouco depois das 7h, equipe da Polícia Militar em patrulhamento foi comunicada de uma briga em uma casa na rua Ramos de Azevedo, no bairro Alvorada.

Quando seguiam para o local, os policiais foram direcionados para outro endereço, na rua Noroeste, mas ao chegarem, foram informados que as partes estavam em um terreno baldio na rua Florêncio de Abreu. 

Neste terreno os dois homens estavam estendidos no chão e sangrando. O mais velho tinha um corte na perna e o mais novo estava com lesões pelo tronco. O Samu (Serviço de Atendimento Móvel de Urgência) e o Corpo de Bombeiros enviaram equipes que prestaram atendimento aos feridos.

Segundo a polícia, ainda no local uma mulher que se apresentou como irmã do mais velho apresentou uma faca de cozinha com manchas de sangue. Ela tinha um corte na mão direita, o qual teria sofrido ao tentar separar a briga, sendo ferida pelo rapaz que lutava com o irmão dela.

Ainda no local, o homem mais velho alegou que havia sido atacado e apenas revidou a agressão. Já o mais novo disse que havia sido agredido primeiro e passou a gritar, dizendo que iria cortar a cabeça do rival e de outro homem que ajudava a separar a briga.

Esse outro homem foi ouvido como testemunha e confirmou que ter separado as partes, fazendo com que cessassem as agressões.

Suposta traição

Em depoimento, o mais velho informou que é amigo do mais novo, é adepto do Candomblé e recebe uma entidade nos trabalhos espirituais que realiza no terreiro que frequenta. Disse ainda que o amigo é pessoa complicada, faz uso de bebidas e drogas e causa brigas e confusões.

De acordo com ele, na última sexta-feira (29) o amigo o procurou pedindo para receber a entidade espiritual, pois queria saber notícias da companheira dele. Ele teria dito que havia brigado com a mulher e que ela teria ido à festa de aniversário da filha dela, de outro relacionamento. 

Segundo o investigado, mesmo contrariado ele cedeu aos pedidos do amigo e incorporou a entidade, que revelou que a companheira dele estaria naquele momento fazendo uso de drogas, dançando e na companhia do ex-marido, pai da filha dela.

Transtornado

A revelação teria deixado o rapaz muito perturbado, mas ele o orientou a ficar calmo, caso quisesse manter o relacionamento. Porém, no sábado foi chamado à casa da mãe do amigo e foi informado que ele estaria agredindo a companheira.

Ao chegar no imóvel, foi xingado, recebeu ameaças de morte, por isso pediu à mãe do amigo que chamasse a polícia, pois não iria mais se meter no assunto, e foi embora.

Relatou ainda que na noite de domingo o amigo esteve na casa dele, mas não abriu a porta para atendê-lo. Porém, na manhã de hoje foi procurado novamente e informado que o amigo estaria agredindo a companheira a marretadas.

Agressões

O investigado disse que viu o amigo dele agredindo a companheira na rua, na frente da casa, de posse de uma marreta. Ao ver o religioso o investigado teria parado de bater na mulher e ido na direção dele, que começou a correr ao redor de um carro, sendo seguido pelo investigado, que estaria transtornado.

Ele contou ainda que conseguiu correr e se esconder atrás do muro do terreno baldio, sem ser visto. O amigo dele teria entrado no terreno, sacado uma faca que trazia na parte de trás da bermuda e colocado no chão, junto com a marreta.

Armou-se

Ao ver que o amigo teria corrido pego a marreta de volta e saído na direção da irmã dele, o religioso disse que pegou a faca que o amigo havia deixado no terreno e foi em socorro da irmã dele.

De acordo com ele, o amigo teria sacado outra faca de trás de bermuda, pois estaria com duas facas. O amigo teria usado a faca para feri-lo na perna esquerda, por isso usou a faca que estava no terreno para se defender.

Eles entraram em luta corporal, caíram no chão e nesse momento o religioso passou golpear o amigo, que tentava atingi-lo. Durante a briga ele passou mal e quando retomou os sentidos já haviam policiais no local e foi socorrido.

Mulher agredida não quis representar contra o companheiro

A mulher do acusado de portar as facas e a marreta foi ouvida e disse à polícia que não quer representar criminalmente contra ele. Ela contou que convive com o investigado há um ano e três meses, mas o casal teve uma briga no final de semana.

O motivo seria porque o companheiro dela beberia muito, por isso disse a ele que sairia de casa. No domingo ela teria sido agredida pelo investigado, porque insistia em ir embora. Houve intervenção da mãe dela e depois disso, ela decidiu ir dormir na casa de uma amiga.

Porém, por volta das 6h de hoje a sogra dela telefonou dizendo que o companheiro dela estava transtornado e havia obrigado a levá-lo na casa do religioso, dizendo que iria matá-lo.

Ela contou que pediu ajuda a um amigo e ao sair de casa para irem à casa do religioso, o companheiro dela apareceu segurando uma marreta e passou a agredi-la, dizendo que iria matá-la.

Na versão dela, ela foi agredida com socos e chutes, mas o companheiro dela não fez uso da marreta. Com a ajuda de populares ela conseguiu sair correndo e se escondeu na casa da sogra dela.

Desconhece o motivo

Ao saber que o companheiro dela e o amigo estavam brigando, a mulher disse que foi ao terreno baldio e encontrou os dois sendo socorridos, com ferimentos de faca. 

Por fim, ela alegou que não sabe como se deu a briga, pois nada presenciou, e nem o que teria causado o desentendimento. Disse ainda que em nenhum momento viu o companheiro dela em posse de faca, mas confirmou que ele estava com uma marreta.

Alegou ainda que não irá se submeter a exame de corpo de delito, pois não deseja representar contra o companheiro, mas irá procurar a delegacia caso queira requerer eventuais medidas protetivas.

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