O último sobrevivente a deixar o hospital após ser baleado durante assalto a duas agências bancárias de Araçatuba (SP) esteve na delegacia na segunda-feira (4) para relatar o drama vivido por ele, que passou 12 dias internados. Nesse período ele foi submetido a três cirurgias e teve um dos braços amputados.
O homem, que tem 38 anos, contou que foi uma das pessoas usadas como escudo humano e foi obrigado a se deitar sobre um dos assaltantes que foi baleado durante troca de tiros com a polícia.
A vítima contou que no final da noite de domingo (29/8) estava com um colega de trabalho no carro da empresa quando foi rendido pelos assaltantes na esquina das ruas Floriano Peixoto e General Glicério.
Os dois foram obrigados a descer do veículo, tirar as roupas, deixar os pertences no chão e se juntarem a duas mulheres também feitas reféns. Passado algum tempo, o grupo foi obrigado a seguir pela rua Osvaldo Cruz e próximo da Câmara Municipal passaram a ser usados como escudo humano para garantir a integridade dos assaltantes.
Assaltante baleado
Segundo a vítima, quando teve início da troca de tiros dos bandidos com a polícia, um dos assaltantes foi ferido. Imediatamente ele e as duas reféns foram obrigados a se deitarem sobre o assaltante para protegê-lo.
Instantes depois, chegou mais um integrante da quadrilha com a caminhonete que aparece em imagens gravadas por câmeras de segurança que viralizaram nas redes sociais, trafegando com vítimas sobre o teto e sobre o capô.
A vítima disse à polícia que foi obrigada pelos assaltantes a pegar o comparsa baleado e colocá-lo na caçamba da caminhonete. Em seguida, foi empurrado sobre esse assaltante e recebeu ordens de ficar deitado em cima dele, para protegê-lo.
Fuga
Enquanto os ladrões fugiam com a caminhonete, ele permaneceu na caçamba na companhia de mais uma refém e de outro assaltante. Houve nova troca de tiros e ele foi baleado no pé esquerdo.
Em seguida, a vítima levou mais um tiro, esse no braço direito, e minutos depois foi atingido pela terceira vez, agora na cabeça, de raspão. Quando já estavam no bairro Engenheiro Taveira ele foi abandonado no chão e recebeu ordens para não levantar a cabeça, caso contrário seria morto.
Os bandidos fugiram alguns minutos depois e a vítima se arrastou por aproximadamente 100 metros para pedir socorro. Ele foi ouvido policiais do Baep (Batalhão de Ações Especiais de Polícia) e em seguida atendido por equipe de resgate do Corpo de Bombeiros.
Ferimentos
O homem disse à polícia que passou 12 dias internado devido aos ferimentos sofridos. Nesse período ele foi submetido a três cirurgias no braço direito e mesmo assim teve o membro amputado abaixo do ombro.
Os relatos feitos por ele serão encaminhados à Polícia Federal de Araçatuba, que é a responsável pela investigação do caso, já que um dos alvos dos bandidos foi a Caixa Econômica Federal.
