O técnico de imobilização ortopédica que foi acusado por uma paciente de tê-la induzido a comprar uma órtese durante atendimento no pronto-socorro municipal de Birigui (SP), procurou a polícia na tarde desta quarta-feira (30), para dar a versão dele sobre o caso.
Conforme já divulgado, a denúncia foi feita à polícia pelo advogado Danilo Vinhoto, que informou que o atendimento a essa paciente aconteceu no último dia 19. Ela teria procurado a unidade de saúde com queixa de dor em um dos pés.
Após passar por consulta, ela teria sido encaminhada para exame de raio-X e depois, para a sala da Ortopedia, onde foi atendida pelo técnico em imobilização. Segundo a denúncia, ao avaliar a imagem do exame de raio-X pelo celular, ele teria informado que uma fratura havia sido constatada e que havia a necessidade de imobilização.
Ainda de acordo com a denúncia, aproveitando-se da vulnerabilidade da paciente, ele teria imposto a ela, a confecção de um aparelho gessado para imobilização e cobrado R$ 120,00 pelo acessório, mediante transferência por Pix. O pagamento foi efetivado.
Confirmou
Ao procurar a polícia na tarde de quarta-feira, o técnico confirmou ter vendido à paciente, uma órtese comercializada pela empresa particular dele e apresentou a referida nota fiscal.
Entretanto, afirma que ela concordou com a compra, ao ser informada que a calça que ela vestia quando procurou atendimento era muito justa e precisaria ser cortada para a imobilização.
Segundo o técnico, diante da recusa da paciente em autorizar que a calça fosse cortada, foram apresentadas alternativas, dentre elas a aquisição da órtese, o que foi aceito, mediante o pagamento de R$ 120,00 via Pix.
Estorno
O técnico relatou à polícia que dias depois foi informado pela direção do pronto-socorro, que a paciente desejava o estorno e a devolução dos valores. A alegação seria de que outro médico teria dispensado a imobilização.
Diante disso, ele teria tentado contato com a paciente para reaver a órtese, mas diante da ausência de respostas às mensagens, fez o estorno integral dos R$ 120,00 que havia recebido, procedimento realizado na manhã da última sexta-feira (25).
Investigação
O investigado afirmou ainda que não tinha conhecimento de que a paciente havia registrado um boletim de ocorrência sobre o caso e que, assim que tomou conhecimento por meio da imprensa, compareceu espontaneamente para esclarecer os fatos.
Ele apresentou cópia da nota fiscal de venda da órtese, capturas de tela e áudios das conversas mantidas com a paciente e negou qualquer dolo ou emissão de diagnóstico próprio, afirmando que a médica que fez o atendimento recomendou a imobilização.
Conforme já divulgado, o caso inicialmente é investigado como estelionato, em inquérito conduzido pelo delegado Eduardo Lima de Paula. Ele já pediu informações sobre o atendimento à paciente ao pronto-socorro e a vítima deve ser chamada para prestar depoimento complementar.
Defesa do técnico afirma que imobilização foi indicação médica
A defesa do investigado, representada pelos advogados Isabela Fioroto e César Franzói, emitiu nota na qual afirma que desde o primeiro momento, o técnico em imobilização colocou-se à disposição da polícia.
Os advogados argumentam que ele se apresentou espontaneamente para os esclarecimentos pertinentes aos fatos, antes mesmo de a suposta vítima ser ouvida, demonstrando, de forma objetiva, a inexistência de qualquer crime praticado por ele praticado.
“Causa estranheza à defesa, inclusive, o fato de que, até o presente momento, a suposta vítima sequer tenha comparecido à unidade policial para prestar pessoalmente sua versão dos acontecimentos, circunstância que deverá ser devidamente considerada no curso da investigação, sobretudo diante da existência de elementos documentais aptos a esclarecer a dinâmica dos fatos”
, informa em nota.
Indicação médica
A defesa técnica acrescenta que guarda o prosseguimento das investigações e que os prontuários médicos e demais documentos relacionados ao atendimento realizado no pronto-socorro municipal demonstrarão que a imobilização com gesso do pé da paciente, foi indicação da médica plantonista responsável pelo atendimento.
“Importa esclarecer que o investigado não realizou avaliação médica ou diagnóstico autônomo da paciente, tampouco tomou, por iniciativa própria, a decisão acerca da necessidade de imobilização. Sua atuação restringiu-se ao exercício das atribuições inerentes à sua função técnica, em estrita observância à determinação da profissional médica responsável pelo atendimento”
, informa a nota.
A defesa declara que repudia qualquer narrativa que procure atribuir ao investigado uma atuação que não corresponde aos fatos efetivamente ocorridos. E reforça que eventuais divergências entre a narrativa apresentada e os elementos objetivos constantes dos prontuários médicos, deverão ser devidamente apuradas pela autoridade competente, observando os princípios do contraditório, da ampla defesa, da presunção de inocência e da busca pela verdade dos fatos.
“A defesa técnica confia que, com a completa instrução do procedimento investigativo e a análise dos documentos médicos pertinentes, ficará demonstrado que o investigado não praticou a conduta criminosa que lhe foi atribuída”
, reforça.
Responsabilidade
Por fim, os advogados informam que se ao término das investigações ficar comprovado que houve eventual imputação conscientemente falsa, a defesa avaliará a adoção das medidas jurídicas cabíveis para a apuração de eventual responsabilidade da denunciante, inclusive sob a perspectiva penal, sem prejuízo das providências pertinentes na esfera cível.
“A defesa reitera sua confiança na apuração técnica e imparcial dos fatos pelas autoridades competentes, permanecendo à disposição para o fornecimento de todos os esclarecimentos e documentos necessários à completa elucidação do ocorrido”
, finaliza a nota.