Política

Câmara de Birigui aprova obrigatoriedade do teste do olhinho em recém-nascidos

Projeto prevê multa de até R$ 10 mil e inclusive a interdição do estabelecimento de saúde, em caso de descumprimento

Aline Galcino - Hojemais Araçatuba
08/03/22 às 23h07

Por maioria, os vereadores de Birigui (SP) aprovaram, na sessão desta terça-feira (8), projeto de lei que obriga a realização do "teste do olhinho" nos recém-nascidos em maternidades e serviços hospitalares das redes pública e privada no município, para diagnóstico de doenças oculares, inclusive o retinoblastoma (câncer).

De autoria dos vereadores Osterlaine Henriques Alves, a Dra. Osterlaine (DEM), e Paulo Sergio de Oliveira, o Paulinho do Posto (Avante), o texto prevê a realização do exame por pediatra ou oftalmologista da unidade de saúde e a comunicação à família da criança em caso de detecção de alguma anormalidade. Nesses casos, a família e o bebê devem ser encaminhados a um centro especializado para tratamento.

Os resultados positivos de patologias congênitas também deverão ser comunicados à  Secretaria Estadual de Saúde, visando o desenvolvimento de um banco de dados, para ações de tratamento e prevenção. 

As unidades hospitalares que deixarem de realizar o teste em recém-nascidos estarão sujeitas à multa que varia de R$ 1 mil a R$ 10 mil (em caso de reincidência), independente das medidas administrativas cabíveis, inclusive com a interdição do estabelecimento.

Na justificativa do projeto, os autores citam que pelo menos 60% das causas de cegueira ou de grave sequela visual infantil podem ser prevenidos ou tratáveis se fossem detectadas  precocemente, antes de se agravarem. "Daí a importância do teste do olhinho", reforçam.

"O pior de tudo é que mais da metade dos casos só tem o problema descoberto quando estão cegas ou quase cegas para o resto da vida. A Sociedade Brasileira de Oftalmologia Pediátrica  prevê cerca de 710 novos casos de cegueira por ano", alertam.

O projeto foi aprovado por 10 votos e recebeu duas abstenções. 

O teste

Conhecido também como teste do reflexo vermelho, o teste do olhinho faz parte da triagem neonatal e sua realização é orientada pelo Ministério da Saúde por meio das Diretrizes de Atenção à Saúde Ocular na Infância.

É um exame simples, feito ainda na maternidade, até 72 horas de vida do bebê. Consiste em uma fonte de luz que sai de um aparelho chamado oftalmoscópio e na observação do reflexo das pupilas a esse feixe. Os olhos saudáveis refletem tons de vermelho, laranja ou amarelo. Quando há alguma alteração, não é possível observar o reflexo ou sua qualidade é ruim, esbranquiçada.

Entre as doenças que o teste detecta está o retinoblastoma, um tipo raro de tumor intraocular maligno primário, ou câncer no olho, de origem genética, mais comum entre as crianças de até 5 anos de idade. Ele tem origem em células da retina e pode afetar um olho (unilateral) ou os dois.

A estimativa é que, por ano, cerca de 6 mil crianças no mundo sejam afetadas por essa doença que foi amplamente divulgada no Brasil recentemente após o jornalista Tiago Leifert e sua mulher Daiana Garbin anunciarem que a filha de 1 ano tem a doença. Em vídeo, eles alertarm os pais sobre a importância do exame e de consulta com oftamologista logo nos primeiros meses de vida da criança.

Teste deve ser realizado nas primeiras 72 horas de vida do bebê, conforme orientação do Ministério da Saúde (Foto: Marcello Casal Jr./Agência Brasil)

Aprovados

Na mesma sessão foi aprovado projeto de adoção do nome de Mariza Maggi Rocha na rua projetada 11, do condomínio residencial Adisa; e alterações na lei orçamentária de 2022 e no PPA (Plano Plurianual) para inclusão de crédito no valor R$ 405 mil que será utilizado na reforma do antigo Paço Municipal. Do valor do crédito, R$ 400 mil são de emenda parlamentar  enviada pelo deputado federal Junior Bozzella (União). O restante é contrapartida do município.

Ainda nesta terça, foi aprovada autorização do município à CDHU (Companhia de Desenvolvimento Habitacional e Urbano do Estado de São Paulo) para adequação de técnicas construtivas na construção de conjunto habitacional. Aprovado em primeiro turno de votação, o projeto de lei prevê pé direito mínimo de 2,60 metros nos imóveis a serem construídos - a regra atual determina o mínimo de 2,7m.

Dois projetos tiveram votação adiada e um, que instituía a Semana do Servidor Público Municipal, foi retirado de tramitação a pedido do autor, Cleverson José de Souza, o Tody da Unidiesel (Cidadania), após parecer pela ilegalidade e inconstitucionalidade da propositura pelo Jurídico da Casa.

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