O prefeito de Araçatuba (SP), Dilador Borges (PSDB), foi absolvido em julgamento realizado nesta quinta-feira (3) pela Câmara, acusado de possível ato de improbidade administrativa por ter comprado 16 veículos com recursos do governo federal destinados a ações de combate à pandemia.
Por maioria, os vereadores acompanharam o relatório da CP (Comissão Processante) instaurada em março, que decidiu pela improcedência da denúncia apresentada pelo advogado Lindemberg de Melo Gonçalves.
Foram contrários ao relatório da comissão, pela condenação do prefeito, os vereadores Arlindo Araújo (MDB); Luís Henrique Gonçalves Machado Boatto (MDB), o Boatto; Lucas Zanatta (PV); e Evandro Molina (PL). Com a decisão, o processo é arquivado e encaminhado à Justiça Eleitoral.
Pela condenação
A sessão de julgamento teve início às 15h. Após a leitura do relatório, cada vereador teve 15 minutos para se manifestar. O primeiro a falar foi Evandro Molina, que argumentou que a empresa que teria vendido os carros não teve a sede localizada e houve cidades que vendeu carros para investir em saúde, enquanto Araçatuba gastou o dinheiro da saúde para comprar carros.
Em seguida falou o vereador Lucas Zanatta, que questionou o fato de parecer da União que seria pela ilegalidade da aquisição de veículos com esse tipo de recurso não ter sido incluído no processo.
Omissão
Já Arlindo Araújo alegou que houve inconsistência na fala de testemunhas e que a denúncia que resultou na instauração da CP foi aprovada pela maioria dos parlamentares, que entenderam que houve sim omissão por parte do prefeito ao eleger como prioridade a compra dos veículos.
“O cerne da investigação é saber se pessoas morreram sem estrutura para serem atendidas e qual foi a contribuição da administração para isso”, argumentou, julgando que a omissão ocorreu na escolha feita por Dilador.
Ainda entre os contrários ao relatório da comissão, o vereador Boatto questionou o fato de a convocação para a sessão extraordinária ter sido feita dois dias antes de sua realização.
Ele voltou a argumentar que a compra dos veículos não se enquadra na relação dos itens a serem adquiridos com os recursos repassados pelo governo federal na ocasião, considerado também que houve desvio de objeto.
“A imoralidade prevalece nessa administração”, disse, complementando que falta sensibilidade da secretária de saúde, Carmem Guariente, e do prefeito.
Pela absolvição
Do grupo que votou pela aprovação do parecer, o vereador Jaime José da Silva (PSDB), o Dr. Jaime, que presidiu a comissão, argumentou que os demais vereadores poderiam ter acompanhado todo o processo de investigação.
O parlamentar citou que a estratégia da Prefeitura foi diminuir o fluxo de pessoas nas ruas, justamente para tentar controlar o nível de infecção pelo coronavírus por meio das visitas domiciliares utilizando os veículos.
Antônio Edwaldo Costa (DEM), o Dunga, citou que em momento algum houve falta de recursos para a saúde, mesmo como a compra dos carros, mas sim falta de oferta de produtos necessários por parte dos fornecedores.
Gilberto Mantovani (PL), o Batata, comentou que a denúncia sequer deveria ter sido aceita, pois não houve crime por parte do chefe do Executivo, que fez apenas comprar os carros para o bem da população.
Sem irregularidades
Na mesma linha discursou o vereador Nelsinho Bombeiro (PV), citando que consultou toda a documentação relativa à compra dos veículos e constatou que não houve irregularidades.
As parlamentares Regininha (Avante) e Cristina Munhoz (PSL) relataram que a compra dos veículos está ajudando a população. “Será que tem coisa tão errada se optar pela compra dos carros? A pandemia vai passar e os carros ficarão para servir a população”, disse Cristina.
Por fim, o presidente da Câmara, Alceu Batista de Almeida Jr. (PSDB), o Dr. Alceu, lembrou que ele esteve internado na UTI (Unidade de Terapia Intensiva) em dezembro para tratamento de sintomas da covid-19 e na ocasião, apenas um de nove leitos em uma das alas do hospital estava ocupado.
