Política

Presidente da Câmara de Valparaíso diz que é vítima de perseguição política

Bruno Eduardo Rodrigues de Araújo (DEM) é alvo de denúncia que pede cassação de mandato

Manu Zambon - Hojemais Araçatuba
14/10/21 às 22h30

O presidente da Câmara de Vereadores de Valparaíso (SP), Bruno Eduardo Rodrigues de Araújo (DEM), alvo de denúncia protocolada na Casa Legislativa, pedindo investigação e cassação de mandato, diz que acusações são mentirosas e fala em perseguição política. 

A denúncia protocolada pelo barbeiro Paulo Sergio Ferreira, conhecido como Serjão Cabeleireiro, acusa o presidente de improbidade administrativa, por suposta utilização de recursos públicos para fins particulares e quebra de decoro parlamentar por suposta agressão física à ex-mulher.

O vereador procurou o Hojemais Araçatuba  para fazer seus apontamentos sobre o caso, que está sendo acompanhado por advogados. 

Viagem 

Sobre o uso de recursos públicos para fins particulares, a denúncia diz que Araújo teria ido à São Paulo para encontros políticos entre os dias 18 e 24 de agosto, usando veículo oficial da Câmara, e que estaria acompanhado da namorada.  

Araújo explica que esteve em São Paulo com namorada, porém foi no final de julho, e que na ocasião utilizou veículo particular e se hospedou na casa da sua irmã. Ele retornou à capital no dia 17 de agosto, mas afirma que foi sozinho. Nesse caso, usou o carro da Câmara e teria retornado entre os dias 19 e 20. 

Como prova que constataria sua versão, Araújo mostra um print da conversa com a namorada no WhatsApp, no dia 17 de agosto, onde ele se despede dela por mensagem no dia da viagem. Há também uma imagem que a companheira teria feito no dia 17 de agosto, em Valparaíso, e enviado para ele utilizando aplicativo de mensagens. 

(Foto: Divulgação)

“Argumentam que está no Facebook da minha namorada, um check in feito na Assembleia Legislativa no dia 18 de agosto. Quando eu vi isso, achei estranho. Mas quando fui ver, na divulgação das imagens na minha rede social, marquei algumas pessoas. Em todas elas têm o check in”.

Agressões 

A denúncia também fala que o presidente da Câmara agrediu a ex-companheira e que o fato, além de ter sido divulgado amplamente nas redes sociais, foi registrado na delegacia. 

Araújo afirma que não agrediu a ex-mulher, mas que já foi agredido por ela. O parlamentar enviou para a reportagem dois boletins de ocorrência que registrou contra ela. O primeiro é de 2014, acusando-a de ser agressiva e ter batido em uma das suas filhas. 

No outro boletim, registrado em 25 de agosto deste ano, o político conta que no dia 26 de junho, quando chegou na residência onde moravam juntos, a ex-esposa não o deixou entrar em casa. Seus pertences haviam sido jogados no chão da casa vizinha, que pertence à mãe dele.  “(...) fiquei com receio de ter acontecido algo com nossos filhos e acabei quebrando a fechadura da porta da entrada", disse no registro policial. 

No mesmo dia, após entrar na casa, ligou para a irmã da ex-mulher, para ela ir ajudar a conter a companheira na época. Após a irmã chegar, e a mãe de Araújo também, a mulher começou a agredi-lo com arranhões e socos, e que a irmã conseguiu contê-la. 

Vinte dias após esse episódio, Araújo contou que a ex-parceira começou a mandar imagens que estavam salvas no e-mail dele e histórico de pesquisas particulares no Google, fazendo chantagem e o ameaçando, dizendo que divulgaria imagens dele. 

No boletim de ocorrência, ele também registra que no dia 17 de agosto, quando foi viajar, a ex-mulher e a irmã dela divulgaram imagens e áudios dele e da sua namorada, com a finalidade de difamá-lo.

"Nesse dia em especial, do boletim de ocorrência, estavam minhas filhas, a irmã dela, minha mãe. Eu não ia fazer isso na frente das pessoas, mesmo se eu fosse uma pessoa agressiva. Nunca agredi, eu que fui agredido. Falo isso com total segurança, tendo em vista os depoimentos das minhas filhas. Uma vai fazer 12 anos e a outra tem 8 anos. Elas falam com precisão e segurança, diante de qualquer pessoa que for interrogá-las. Elas podem relatar as brigas”, disse ao Hojemais Araçatuba. 

Araújo enviou ao Hojemais Araçatuba alguns prints que segundo ele, provam que ele é inocente nas acusações e que irá mostrar as imagens na Câmara, quando a denúncia for apreciada, no final do mês. 

Perseguição política

Para Araújo, a denúncia é fruto de perseguição política, incluindo de pessoas da oposição fora da Câmara, pois foi o vereador mais votado. Ele afirma que conhece o munícipe que protocolou o pedido de cassação do mandato. Serjão foi candidato a vereador nas últimas eleições municipais pelo mesmo partido de Araújo. 

O parlamentar ressalta que a perseguição teria começado já na campanha das eleições de 2020 e que o próprio partido e candidatos da coligação começaram a difamá-lo pela cidade. “Onde sabiam que eu tinha voto, iam bater o contrário. E ainda por cima, depois da campanha, não me falaram nada sobre prestação de contas. Quase perdi o mandato por isso, mas consegui reverter”. 

“Estava cotado para eu ser vice do prefeito atual na próxima eleição municipal, e a forma de derrubar o prefeito é quebrando suas alianças fortes. De janeiro pra cá, eu vinha crescendo dentro da política. Meu trabalho aumentou de proporção. Estavam esperando uma brecha para me derrubar. Eu diminuí 99% das minhas publicações, mas continuo trabalhando”. 

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