A primeira-dama de Birigui (SP), Silvana Caetano Gomes Leal Milani, disse em depoimento nesta quinta-feira à CP (Comissão Processante) que investiga suposta fraude no contrato emergencial com a OSS (Organização Social de Saúde) que gerencia o pronto-socorro municipal, que são falsas as declarações feitas por ela, em mensagens trocadas pelo aplicativo WhatsApp, com o vereador André Fermino (PSDB).
Essas conversas foram anexadas nos autos e apresentadas durante o depoimento. Nelas, entre outras coisas, a primeira-dama afirma que fez uma ligação de vídeo para o prefeito Leandro Maffeis (PSL) na noite de 14 de julho, quando ele estaria em um restaurante em São Paulo, jantando com o advogado Thiago de Carvalho Zingarelli, com o secretário municipal de Governo, Paulo Henrique Marques de Oliveira, e com o chefe de Gabinete da Prefeitura, Alex Brasileiro.
Na versão de Silvana em depoimento, ela passou a trocar mensagens com o vereador após uma live feita pelo prefeito, pelo secretário de Governo e pelo advogado, para esclarecer os fatos da denúncia que resultou na CP.
Disse ainda que quis conversar com André Fermino para se desculpar pelo que teria sido dito sobre o pai dele, o ex-vereador José Fermino Grosso, autor da denúncia na Câmara, durante a live.
Usada
Ainda segundo a primeira-dama, ela fez tais declarações em um momento de fúria, diante das informações sobre possível traição a ela por parte de Leandro Maffeis. Alegou ainda que acabou sendo usada pelo parlamentar, que aproveitou desse momento de fraqueza e expos essas conversas.
Falou ainda que mentiu para o vereador quando disse a ele que teria feito a chamada de vídeo com o prefeito enquanto ele estava no jantar. Segundo Silvana, André Fermino teria dito a ela que tinha fotos de Maffeis no restaurante e ela queria induzi-lo a apresentar essas fotos.
Disse ainda que quando escreveu que “ele estava mentindo” , se referia a questões “envolvendo mulher” e não relacionadas a assuntos ligados à administração municipal, pois sempre considerou o marido dela um excelente administrador.
Constrangimento
Durante o depoimento, o vereador Marcos Antônio Santos (PSL), o Marcos da Ripada, membro da comissão, não quis fazer perguntas à primeira-dama, sob argumento de que estava constrangido por expor uma questão familiar e pessoal.
Silvana também reclamou de ter ficado aguardando desde o início da manhã para prestar o depoimento somente no meio da tarde e afirmou que toda essa exposição trouxe problemas a ela e aos filhos dela.
O advogado de defesa interveio quando o relator da CP, vereador Wagner Mastelaro (PT), fazia questionamentos, os quais alegou serem de cunho pessoal. Houve bate-boca e Marcos da Ripada deixou o plenário, alegando que não faria parte da situação que considerou constrangedora, "em respeito às mulheres" .
Testemunha de defesa
O presidente CP fez questão de esclarecer que quem convocou a primeira-dama como testemunha foi o prefeito Leandro Maffeis. Disse ainda que foi opção do advogado de defesa deixá-la aguardando, para ser a última das testemunhas de defesa a prestar depoimento, o que a fez ficar esperando por várias horas.
