Política

Vereadores de Birigui votam relatório da CP que investiga falta de alvará nas escolas

Parecer da comissão é pela cassação do mandato do prefeito Leandro Maffeis (Republicanos) por infração político-administrativa; sessão extraordinária será nesta segunda-feira (6), às 14h

Aline Galcino - Hojemais Araçatuba
06/02/23 às 11h18

Os vereadores de Birigui (SP) se reúnem nesta segunda-feira (6), em sessão extraordinária, para votar o relatório da CP (Comissão Processante) que investiga a falta do AVCB (Auto de Vistoria do Corpo de Bombeiros) nas unidades escolares do município.

O voto do relator da CP, vereadora Osterlaine Henriques Alves, a Dra. Osterlaine (União), é pela cassação do prefeito Leandro Maffeis (Republicanos) por infração político-administrativa. Os vereadores Wesley Ricardo Coalhato, o Cabo Wesley (União), presidente da CP, e Wagner Mastelaro (PT), membro, seguem o voto da relatora.

A denúncia do caso foi feita pela vereadora Sidnei Maria Rodrigues, a Si do Combate ao Câncer (Avante), após receber resposta de requerimento informando que das 36 unidades escolares do município, 27 não possuíam o documento expedido pelo Corpo de Bombeiros.

No ofício respondido pela Secretaria Municipal de Educação constava ainda que a Previne Incêndio, Serviços e Comércio Ltda. - ME, vencedora de processo licitatório feito para regularizar a situação das escolas, não teria realizado alguns serviços e que alguns serviços apresentaram defeitos, o que teria sido informado à Secretaria de Obras.

A resposta do requerimento da vereadora Si foi encaminhada à Comissão de Obras e à Presidência da Câmara, com pedido de providências. Análise do Jurídico da Casa apontou que os fatos narrados pela vereadora, em tese, indicariam omissão ou negligência na defesa de bens, rendas, direitos ou interesses do município, pois nenhuma informação foi enviada sobre as providências tomadas pela Secretaria de Obras ou pelo prefeito quanto aos serviços da Previne, situação que se enquadra como infração político-administrativa.

O tema foi levado a Plenário na sessão de 1º de novembro do ano passado que, por maioria (oito votos), aprovou a abertura da CP. 

Prefeito Leandro Maffeis durante interrogatório da comissão (Foto: reprodução de vídeo)

Pedido de arquivamento

Em sua defesa, o prefeito Leandro Maffeis negou qualquer infração político-administrativa, pois as obras de adequação estariam em andamento e a conclusão não depende de fatores ligados ao agente político, no caso, o prefeito.

Informou que o mesmo tema foi objeto de inquérito civil, que tramitou no Ministério Público local e foi arquivado em março de 2022, e que o TCE-SP (Tribunal de Contas do Estado de São Paulo) chegou a fazer apontamento, porém o problema não apareceu no relatório final do órgão, por estar devidamente justificado.

"Deste modo, se a instituição, que possui o condão de ingressar com medidas judiciais efetivas para cumprimento de determinada obrigação, não observou nenhuma conduta ilícita, certamente subsistem fatores que sustentam tal posicionamento", disse na defesa que pedia o arquivamento da comissão. O pedido foi rejeitado.

Dando seguimento aos trabalhos da CP, as oitivas tiveram início em 21 de dezembro de 2022, e terminaram com a presença do prefeito, no dia 10 de janeiro deste ano.

Defesa final

Na defesa final, além de reforçar os itens citados acima, Maffeis alegou que a atual gestão já recebeu as escolas sem a conclusão dos procedimentos para a obtenção do AVCB, sendo que, a relação com a empresa anteriormente contratada já apresentava inconsistências – a empresa queria um reequilíbrio do contrato.

Um dos motivos pela demora na execução dos trabalhos, segundo o município, seriam “consideráveis alterações nas regras técnicas de combate à incêndios por parte do Corpo de Bombeiros, cujas adequações não foram possíveis sob as condições inicialmente pactuadas”. Sem acordo para reequilíbrio do contrato, o mesmo foi rescindido.

Atualmente, segundo Maffeis, um novo certame está em curso para contratação de nova empresa para execução e conclusão dos serviços. A medida não teria sido possível fazer antes por “impedimentos legais e impossibilidades administrativas”.

Ressaltou ainda que a questão sempre foi acompanhada pela administração e que em nenhum momento houve “inércia ou desídia”. Por fim, alega suposta perseguição política e que o vereador Cleverson José de Souza, o Tody da Unidiesel (Cidadania), seria o real denunciante, pois teria sido responsável por encaminhar o pedido de abertura da CP e não a vereadora Si.

Votos

No dia 24 de janeiro, os membros da comissão se reuniram e a vereadora Dra. Osterlaine, relatora, apresentou seu voto pela procedência da acusação por entender que houve omissão e negligência pela falta de AVCB nas unidades escolares, em decorrência da demora de ações resolutivas e práticas na solução do problema; colocando em risco o patrimônio público, as crianças e funcionários de unidades escolares que não possuem AVCB.

“Os mais atentos e preocupados com a defesa de nossas crianças, farão uso da leitura e entenderão que o cumprimento do contrato, NÃO se deu pela demora dos trâmites administrativos, mas sim pela omissão e inércia administrativa”, justifica a relatora.

“No caso em tela, por tudo que se apurou, resta evidente que a administração pública deu causa a demora para a resolução do imbróglio, com sucessivas prorrogações de prazo, bem como para proceder a rescisão e a realização de um novo certame, que, passados mais de dois anos, ainda segue em pleno curso”, complementa.

Trâmites

Após a leitura da denúncia e do relatório final, os vereadores que desejarem poderão se manifestar verbalmente, pelo tempo máximo de 15 minutos cada um.  Ao final, o denunciado ou seu procurador, terão o prazo máximo de duas horas para defesa oral.

Após a conclusão dessas etapas será aberta a votação. São necessários dez votos para a cassação do mandato do prefeito.

A sessão extraordinária contará com transmissão ao vivo no canal aberto de TV local 18.3, pela internet - no canal Câmara Birigui no Youtube e na página do Facebook. Também é possível acessar a transmissão na página inicial do site da Câmara. 

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