O prefeito de Araçatuba (SP), Lucas Zanatta (PL), reafirmou em entrevista à reportagem, que não há R$ 100 milhões no caixa da Prefeitura, livre para investimentos. Ele recebeu a reportagem a pedido, devido a polêmica sobre a matéria publicada na última sexta-feira (28), informando que a gestão Dilador Borges (sem partido) terminou com R$ 100 milhões em caixa.
A matéria foi feita com base em nota divulgada pela assessoria do ex-prefeito: “Na audiência pública realizada no dia 27 de fevereiro, a secretária da Fazenda, Claudia Sato, apresentou o balanço financeiro do último quadrimestre de 2024 na Câmara Municipal de Araçatuba. Os números revelam uma administração que conseguiu manter equilíbrio nas contas públicas, garantindo investimentos essenciais e deixando R$ 100 milhões em caixa para a atual gestão” .
Em conversa com a reportagem na manhã de quinta-feira (6), Zanatta explicou que existe a lei de Responsabilidade Fiscal e, após transição de governo, não zera as contas da Prefeitura, pois o governo anterior tem que provisionar os recursos para as despesas que ele deixou.
“Então, se você pensar que tem R$ 100 milhões em caixa para gastar, ou é uma baita irresponsabilidade e incapacidade do Dilador, do qual, por mais que eu seja um adversário político, em nenhum momento acho que ele é louco ou incompetente, de largar R$ 100 milhões no caixa, com tantos problemas que a cidade tem, para que eu possa gastar do jeito que eu quiser. Isso não existe” , afirmou.
Orçamento
Ele comentou ainda que o orçamento estimado da Prefeitura é de cerca de R$ 1,1 bilhão para o ano, e que, se houvessem R$ 100 milhões para livre aplicação, isso representaria cerca de 10% do orçamento. Ainda de acordo com o prefeito, já existe um fluxo de caixa e, em 1º e janeiro, logo após assumir o cargo, haviam despesas a serem pagas e precisava do dinheiro para arcar com esses compromissos, inclusive com a folha de pagamento dos servidores.
“Então, isso (R$ 100 milhões) não existe. Se existisse, eu estaria rindo à toa. Existe porque o governo vai gastar R$ 1 bilhão e R$ 100 milhões, conforme o orçamento. Da mesma forma que quando eu sair do governo e venha um outro prefeito, eu vou ter que provisionar para ele um caixa das contas a pagar, porque elas não mudam porque mudou o governo, é uma lógica isso” , reforça.
Comprometido
Zanatta acrescenta que na melhor das hipóteses, um governo tem em média, 90% do orçamento comprometido com despesas. Assim, restaria 10% para investimentos. “Eu reforço, se aquilo que o Dilador tinha para fazer de investimentos, ele não conseguiu gastar? Não teve competência de gastar? Não é isso, até eu que sou adversário político dele sei que não é isso” , afirmou.
No material divulgado pela assessoria do ex-prefeito informando que foram deixados R$ 100 milhões em caixa, consta que um dos destaques do balanço apresentado é que no último quadrimestre foram investidos 25,77% da arrecadação com Saúde e mais 26,23% com Educação. Assim, somente com essas duas pastas foram gastos, foram investidos 52% da arrecadação.
Somado os gastos com a folha de pagamento, que ficou em aproximadamente 41,96% , chega-se a 93,96% do orçamento, restando apenas 6% do montante arrecadado pelo município para todas as despesas das demais secretarias e ainda realizar investimentos.
Obras
Zanatta comentou ainda que se realmente tivesse esse recurso disponível, no primeiro mês da gestão já providenciaria a licitação para a urbanização do complemento da avenida João Arruda Brasil, no trecho entre a rua do Fico e a via Agnaldo Fernando dos Santos, por exemplo.
Essa obra é uma reivindicação de mais de 30 anos da população residente nas imediações, e que a administração passada não executou, justamente sob argumento de que não havia recursos disponíveis.
“Nós vamos fazer muitas coisas; agora, a gente não pode trabalhar com insanidade, devaneios. Pela lei da Responsabilidade Fiscal, que graças a Deus existe hoje no Brasil, é natural que haja esse fluxo e isso vai acontecer em todos os governos” , complementou.
