Política

Zanatta reafirma que não há R$ 100 milhões em caixa para investimentos

Prefeito de Araçatuba afirma que dinheiro deixado pela administração anterior é do fluxo de caixa para compromissos da Prefeitura

Agência Trio Notícias
07/03/25 às 11h38
O prefeito Lucas Zanatta recebeu a reportagem na Prefeitura na manhã de quinta-feira (Foto: Lázaro Jr.)

O prefeito de Araçatuba (SP), Lucas Zanatta (PL), reafirmou em entrevista à reportagem, que não há R$ 100 milhões no caixa da Prefeitura, livre para investimentos. Ele recebeu a reportagem a pedido, devido a polêmica sobre a matéria publicada na última sexta-feira (28), informando que a gestão Dilador Borges (sem partido) terminou com R$ 100 milhões em caixa.

A matéria foi feita com base em nota divulgada pela assessoria do ex-prefeito: “Na audiência pública realizada no dia 27 de fevereiro, a secretária da Fazenda, Claudia Sato, apresentou o balanço financeiro do último quadrimestre de 2024 na Câmara Municipal de Araçatuba. Os números revelam uma administração que conseguiu manter equilíbrio nas contas públicas, garantindo investimentos essenciais e deixando R$ 100 milhões em caixa para a atual gestão” .

Em conversa com a reportagem na manhã de quinta-feira (6), Zanatta explicou que existe a lei de Responsabilidade Fiscal e, após transição de governo, não zera as contas da Prefeitura, pois o governo anterior tem que provisionar os recursos para as despesas que ele deixou.

“Então, se você pensar que tem R$ 100 milhões em caixa para gastar, ou é uma baita irresponsabilidade e incapacidade do Dilador, do qual, por mais que eu seja um adversário político, em nenhum momento acho que ele é louco ou incompetente, de largar R$ 100 milhões no caixa, com tantos problemas que a cidade tem, para que eu possa gastar do jeito que eu quiser. Isso não existe” , afirmou.

Orçamento

Ele comentou ainda que o orçamento estimado da Prefeitura é de cerca de R$ 1,1 bilhão para o ano, e que, se houvessem R$ 100 milhões para livre aplicação, isso representaria cerca de 10% do orçamento. Ainda de acordo com o prefeito, já existe um fluxo de caixa e, em 1º e janeiro, logo após assumir o cargo, haviam despesas a serem pagas e precisava do dinheiro para arcar com esses compromissos, inclusive com a folha de pagamento dos servidores.

“Então, isso (R$ 100 milhões) não existe. Se existisse, eu estaria rindo à toa. Existe porque o governo vai gastar R$ 1 bilhão e R$ 100 milhões, conforme o orçamento. Da mesma forma que quando eu sair do governo e venha um outro prefeito, eu vou ter que provisionar para ele um caixa das contas a pagar, porque elas não mudam porque mudou o governo, é uma lógica isso” , reforça.

Comprometido

Zanatta acrescenta que na melhor das hipóteses, um governo tem em média, 90% do orçamento comprometido com despesas. Assim, restaria 10% para investimentos. “Eu reforço, se aquilo que o Dilador tinha para fazer de investimentos, ele não conseguiu gastar? Não teve competência de gastar? Não é isso, até eu que sou adversário político dele sei que não é isso” , afirmou.

No material divulgado pela assessoria do ex-prefeito informando que foram deixados R$ 100 milhões em caixa, consta que um dos destaques do balanço apresentado é que no último quadrimestre foram investidos 25,77% da arrecadação com Saúde e mais 26,23% com Educação. Assim, somente com essas duas pastas foram gastos, foram investidos 52% da arrecadação. 

Somado os gastos com a folha de pagamento, que ficou em aproximadamente 41,96% , chega-se a 93,96% do orçamento, restando apenas 6% do montante arrecadado pelo município para todas as despesas das demais secretarias e ainda realizar investimentos. 

Obras

Zanatta comentou ainda que se realmente tivesse esse recurso disponível, no primeiro mês da gestão já providenciaria a licitação para a urbanização do complemento da avenida João Arruda Brasil, no trecho entre a rua do Fico e a via Agnaldo Fernando dos Santos, por exemplo.

Essa obra é uma reivindicação de mais de 30 anos da população residente nas imediações, e que a administração passada não executou, justamente sob argumento de que não havia recursos disponíveis.

“Nós vamos fazer muitas coisas; agora, a gente não pode trabalhar com insanidade, devaneios. Pela lei da Responsabilidade Fiscal, que graças a Deus existe hoje no Brasil, é natural que haja esse fluxo e isso vai acontecer em todos os governos” , complementou. 

Obras feitas no final da administração passada tiveram recursos financiados

Não foi deixado dinheiro em caixa para a reforma do Hospital da Mulher, segundo Zanatta (Foto: Lázaro Jr.)

Algumas das obras feitas no final da administração passada foram contratadas com recursos de financiamentos, autorizados pela Câmara em setembro de 2023, a atendendo pedido da Prefeitura. O projeto aprovado autorizou o município contrair empréstimo de até R$ 35 milhões, pois não havia recursos disponíveis para esse investimento no momento.

O pacote, chamado de Melhor Agora 2, prometia transformar a paisagem urbana da cidade e melhorar os serviços de saúde. O financiamento autorizado deve ser pago em até 10 anos, com 24 meses de carência, ou seja, a primeira parcela só deverá ser paga em agosto deste ano, com juros de 13,15% ao ano, pelo CDI (Certificado de Depósito Interbancário) anual.

Obras

Na mensagem enviada à Câmara junto com o projeto, consta que estava previsto no pacote o financiamento das obras de drenagem e pavimentação do bairro Engenheiro Taveira , estimadas em R$ 11 milhões; implantação de galerias, pavimentação e criação de um bosque no bairro Nova Iorque , estimado em R$ 3,5 milhões; reforma do prédio da Guarda Municipa l, estimado em mais R$ 3,5 milhões; e recapeamento de diversas ruas da cidade , com mais R$ 10 milhões em investimentos.

Para complementar, estava incluída a reforma e adequação do prédio do antigo Hospital da Mulher , para ser transformado no pronto-socorro municipal, com pronto-socorro infantil e a construção de um novo Centro de Especialidades Odontológicas. Nesse caso, o investimento previsto era de R$ 5 milhões.

A administração passada chegou a fazer a licitação dessa obra, com a abertura dos envelopes com as propostas das empresas interessadas sendo realizada no final de setembro de 2024. O edital previa o investimento de R$ 11,5 milhões, mas o contrato não foi assinado e a obra não entrou no pacote.

Sem dinheiro

Segundo o prefeito Lucas Zanatta, apesar da autorização para a contratação desse crédito, o dinheiro não é imediatamente disponibilizado para a Prefeitura. Isso porque, a liberação dos recursos é feita mediante a medição de obra. “O dinheiro vem para a Prefeitura, mas não é que a gente tem dinheiro em caixa. Quando autoriza o financiamento, o dinheiro é liberado conforme a medição” , explica. 

Assim, de acordo com ele, não foi deixado em caixa, dinheiro para a reforma do prédio do Hospital da Mulher para receber o pronto-socorro, já que ele seria liberado de acordo com o andamento da obra.

Para a pavimentação de ruas do bairro Nova Iorque a Prefeitura investiu cerca de R$ 3,5 milhões, com recursos próprios, ou seja, sem o financiamento. E o bosque previsto não foi implementado.

Taveira

A implantação do sistema de drenagem do bairro Engenheiro Taveira está na fase final e a pavimentação, apesar de ter sido autorizada pela administração passada, também não foi iniciada. Assim, o pagamento será feito mediante a medição.

Outra obra financiada com esse recurso, a reforma da sede da Guarda Municipal, está em andamento, com cerca de 70% concluída, de acordo com o que foi informado.

Segundo o prefeito, apesar de não estar prevista no pacote, a pavimentação da rua Adolfo Lutz, que é o complemento da Pompeu de Toledo, depois do pontilhão da rodovia Marechal Rondon (SP-300), ligando a via ao bairro Guanabara, também é feita com dinheiro de financiamento.

A ordem de serviço para essa obra foi assinada em outubro do ano passado, ao custo de R$ 896.400,00, a serem pagos com recursos de convênio com a Desenvolve SP, agência do governo do Estado. Esse pagamento também não foi feito ainda, porque a obra está em andamento, segundo Zanatta.

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