A reforma tributária aprovada no Brasil deve provocar mudanças significativas na forma como os tributos são cobrados das empresas nos próximos anos. A nova estrutura prevê a unificação de impostos sobre o consumo e a criação de um modelo baseado no IVA (Imposto sobre Valor Agregado), com início da implementação a partir de 2027.
A proposta tem como principal objetivo simplificar o sistema tributário, considerado um dos mais complexos do mundo. No entanto, especialistas apontam que, apesar da reorganização do modelo, não há garantia de redução na carga tributária, já que a reforma altera a forma de arrecadação, mas não necessariamente o volume total de impostos pagos.
De acordo com o contador Éderson Leandro Rigon, sócio da Master Prime Contabilidade, o principal impacto para as empresas estará no processo de adaptação ao novo sistema. “A reforma traz uma mudança estrutural importante, mas exige preparo. O empresário vai precisar entender uma nova lógica tributária e adaptar sua gestão financeira a esse cenário.”
Período de tarnsição
Um dos pontos centrais da reforma é o período de transição, que deve se estender até 2033. Durante esse intervalo, o sistema atual e o novo modelo tributário vão coexistir, exigindo atenção redobrada das empresas no cumprimento das obrigações fiscais.
Segundo Rigon, esse cenário pode aumentar a complexidade no curto e médio prazo. “Durante a transição, teremos dois sistemas funcionando ao mesmo tempo, com regras diferentes. Isso exige organização, controle e acompanhamento técnico para evitar erros e prejuízos.”
O contador destaca ainda que a formação de preços, o fluxo de caixa e o aproveitamento de créditos tributários devem ganhar ainda mais relevância no novo modelo.
Planejamento tributário
Apesar da proposta de simplificação, a necessidade de planejamento tributário deve se intensificar. A avaliação é de que empresas que investirem em gestão e acompanhamento especializado terão mais condições de se adaptar às mudanças com segurança.
“A contabilidade passa a ter um papel ainda mais estratégico. Não se trata apenas de cumprir obrigações, mas de orientar decisões que impactam diretamente a saúde financeira da empresa” , afirma Rigon.
A reforma tributária, segundo ele, não elimina a necessidade de controle e análise. “O empresário precisa entender que a gestão tributária continua sendo fundamental para a sustentabilidade do negócio.”
Com a implementação gradual das novas regras, especialistas recomendam que empresas comecem desde já a se preparar, buscando informação e suporte técnico para enfrentar o novo cenário tributário no país.
