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“Ele veio para me transformar”, diz mãe que recebeu mensagens psicografadas do filho

Eduardo Furlan tinha 19 anos quando faleceu em um acidente de moto no ano passado

Daniela Galli e Danielle Brito - Hojemais Três Lagoas
17/06/21 às 11h47

“Quando uma mãe perde um filho, o coração dela vai junto. Ela morre também”. Com esta frase a empresária Adriana Furlar tenta explicar qual é o sentimento causado por esta perda.

Hoje, quase um ano depois, ela encontrou nas mensagens enviadas pelo filho, direto do plano espiritual, a força necessária para continuar vivendo e, mais do que isso, para ajudar outras pessoas que também enfrentam o luto. 

Eduardo Furlan tinha 19 anos quando faleceu no dia 28 de setembro do ano passado. Ele pilotava uma motocicleta quando foi atropelado por um ônibus. “Eu não sabia o que fazer quando recebi a notícia, não conseguia aceitar”.
Depois de passar por um período de depressão, auxilio de medicamentos e terapia, ela se lembrou da filha mais nova, de seis anos e pensou: “ela ainda precisa de mim, preciso continuar de alguma forma”.

Apesar de ter familiares que seguem a doutrina espírita, Adriana explica que não era frequentadora assídua de nenhum centro na cidade. Entretanto passou a ir depois da morte do filho em busca de conforto. “Eu comecei a entender o que aconteceu com ele, porque ele veio e partiu tão cedo”.

AS MENSAGENS DO FILHO

A doutrina espírita prega que corpos físicos são habitados por espíritos capazes de viver várias vidas, isto é, eles possuem a capacidade de reencarnar. Cada vida é conhecida como uma nova encarnação. 

Outra crença é a de que, depois de desencarnados, ou seja, após a morte, os espíritos que ainda não tiveram a oportunidade de viver novamente, permanecem no plano espiritual, onde podem estudar a doutrina, evoluir e até ajudar outros espíritos. 

De lá do plano espiritual, alguns deles recebem a permissão de enviar mensagens para seus familiares encarnados. Estes textos recebem o nome de ‘psicografias’. A primeira que Adriana recebeu foi em janeiro deste ano, através de um centro espírita da Bahia.

A carta dizia que ele havia visitado a família, durante o Natal em Ribeirão Preto. O texto dizia ainda, segundo Adriana: “não se desespere que a nossa hora vai chegar, você tem que aquietar o seu coração”.

A irmã dela na época estava ‘brigada com Deus’ e o sobrinho a mencionou na psicografia também. “Mãe, fala pra tia Aline que ela não precisa duvidar que eu estou vivo. É só ela me chamar que eu converso com ela em pensamento”.

Adriana diz que aquilo lhe deu esperança e ela decidiu compartilhar o que havia estudado e aprendido sobre a doutrina espírita nas redes sociais. A partir daí outras pessoas que também vivenciaram o luto passaram a procurá-la. 
“Mães que perderam seus filhos, ou filhos que perderam seus pais, netos que perderam avós. Eu passei a mostrar um pouco de como é a vida do lado de lá e entendi que este era o meu propósito na vida”.

Outra mensagem enviada pelo filho chegou no Dia das Mães. A mais recente veio através da live de um médium do Sul do Brasil. O que a fez acreditar que se tratava mesmo de um texto enviado pelo filho foi o fato de que ela nunca havia entrado em contato com o médium e que ele dizia que tinha visitado a ‘Vó Martinha’. “Era assim que ele chamava minha mãe”.

Segundo Adriana, Eduardo pediu ainda que ela fosse conversar com o motorista do ônibus, que ficou em choque depois do acidente e falou para que ela não se sentisse culpada por que já tinha chegado a hora dele partir. 


‘EDUARDO VIVE’

‘Eduardo Vive’ é o nome do projeto que ela começou a desenvolver para ajudar os mais necessitados. Em todas as datas comemorativas ela faz campanha de arrecadação de produtos e entrega às entidades assistenciais da cidade. 

No Natal foram doados quase dois mil brinquedos, as crianças da Casa Acolhedora receberam ovos de páscoa, as mães do asilo também foram presenteadas e a próxima campanha, em agosto, vai alegrar a vida dos pais que moram por lá. 

Mesmo sem conseguir doar os objetivos que pertenciam ao filho, hoje a loja de roupas de Adriana fica no quarto que era dele. Lá é o ‘cantinho’ onde se conecta com o filho. Há fotos dele e um altar para que ela possa fazer suas orações.
Para ela, o filho veio ao mundo para transformá-la. “Aquela Adriana de antes não existe mais. A mensagem dele é essa: mais amor, mais carinho, mais ajuda ao próximo e menos julgamento”.

A saudade, é claro, continua. “Não vou superar nunca a morte dele. Mas tento me levantar porque sei que ainda tenho uma família para cuidar. É uma luta diária. As mensagens dele são o meu combustível. Eu sei que ele está sempre perto de mim”.




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